Greve dos professores em SP: Estudantes e professores juntos!

05/abr/2015, 19h53

Juntos Nas Escolas

Carta de solidariedade aos professores,

A luta de vocês, professores, também é nossa. Nós estudantes viemos por meio dessa carta declarar apoio irrestrito a greve que vocês iniciaram no dia 13 de março e fazer das suas reivindicações, as nossas. O governo estadual desde o princípio negou a existência da greve, chegando ao ponto de referir-se a ela como uma “novelinha”, maquiou números afirmando que apenas 2,6% do total de professores aderiram a greve, enquanto a APEOSP já falava em 59% da categoria, pois sabe da responsabilidade que tem sobre a degradação do ensino público. E essa novela tem se mostrado histórica: no capítulo do dia 27 de março, mais de 60 mil professores saíram as ruas do centro de São Paulo e também em outras mobilizações pelo estado, desmentindo na força os números do governador e obrigando o governo do estado a reconhecer a greve.

O que vocês estão pautando não é apenas o reajuste salarial. O que já é mais que justo, pois o reajuste é necessário para acompanhar o reajuste dos alimentos e serviços. Mas as reivindicações vão para além da questão salarial, a pauta de vocês são as condições de trabalho, o que reflete diretamente no perfil dos e das jovens que são formados pela rede pública atualmente; muitos analfabetos funcionais. Há tempos lidamos com as superlotações das salas de aula, algumas extrapolando o número de 50 alunos, que se intensificou com o fechamento das mais de 3000 salas. Tudo isso em sintonia com o governo Dilma/Levy que recentemente cortou 7 bilhões de investimentos em educação, acarretando falta de produtos de limpeza e de material pedagógico; corta mais de 28 mil vagas de professores e elimina coordenadores pedagógicos. Paradoxalmente a presidenta escolheu “Pátria Educadora” como lema do seu segundo mandato, o que nos soa como uma chacota.

O silêncio conivente da mídia que se recusou em noticiar a mobilização é a prova incontestável da força dos nossos sonhos. Incomodam aqueles que temem a insurgência de estudantes e trabalhadores. Incomodam aqueles que querem que os trabalhadores paguem pela crise das elites. Incomodam aqueles que defendem a manutenção de um sistema de ensino falido e antidemocrático voltado para a subserviência.

Por isso, mais uma vez reforçamos: as reivindicações dos professores também são nossas! E prestamos a nossa solidariedade ativa a vocês, professores, que vêm sendo retaliados pelas diretorias regionais de ensino que atendem os interesses do governador e denunciamos que em vários municípios os comandos de greve foram impedidos de entrar nas escolas para dialogar com outros docentes.

Juntos somos fortes! Se duvidam de nossa força, daremos o recado: os estudantes estão ao lado dos professores por uma educação emancipadora. Não nos dividirão!