Professores retomam a greve no Paraná

Bianca Gans LovatoGabriel Zanlorenssi 26/abr/2015, 21h36

No último sábado (25), em assembleia na cidade de Londrina, os professores da rede estadual de ensino do Paraná decidiram retomar a greve que tinha sido suspensa no mês passado. A decisão foi tomada após o governador Beto Richa (PSDB) tentar, novamente, aprovar, em regime de urgência, o confisco dos fundos de aposentadoria. Os professores, que recentemente protagonizaram uma greve histórica, prometem uma grande mobilização ao longo da semana.

Crise financeira, “pacotaço” e greve.

Após ter negado a existência de uma crise financeira, o governador Beto Richa tentou sanar o déficit nas contas do estado por meio de ajustes nos impostos (como o ICMS e o IPVA), cortes de investimentos e ataques aos direitos trabalhistas. Com uma base aliada extensa, Richa conseguia aprovar de forma truculenta e rápida os projetos impopulares.

Em fevereiro, o governo empenhou-se em aprovar um “pacotaço” de austeridade que destruiria com a carreia dos servidores públicos e permitira o uso de R$ 8 bilhões do fundo previdenciário. A grande mobilização ficou famosa pela ocupação da Assembleia Legislativa e por ter amedrontado os deputados governistas, que tiveram que ingressar no prédio, em uma cena cômica, dentro de um camburão da polícia. No mesmo dia, o governo retirou o projeto de votação.

As aulas voltaram com uma suposta negociação do governo Richa e a ameaça de multa diária de R$ 20 mil para os sindicatos que continuassem em greve, segundo decisão judicial. Insatisfeitos com o atual governo, o Paraná retomaria seu cotidiano com o temor da possível volta da greve.

O “suposto” primo do governador

O governador do PSDB, que tinha sido eleito no primeiro turno, somava uma rejeição de cerca de 80% após o vexame do “pacotaço”. Mas, o que parecia que não podia ficar pior, piorou.

A tragédia tucana ganhou novos capítulos quando um assessor direto do governador, que tinha tatuado no braço a consigna “100% Beto Richa”, foi preso por exploração sexual de menores. O assessor fez um acordo de delação premiada em que denunciou esquemas de fraude em licitações envolvendo Luiz Abi Antoun, parente do governador.

Antoun também é acusado de intermediar a indicação de Márcio Lima, amigo pessoal do governador e chefe de uma quadrilha que operava na Receita Estadual, para o cargo de inspetor-geral da Receita. Beto Richa tentou negar a proximidade com Antoun alegando que o parentesco era distante, mas indicações para cargos comissionados, a viagem oficial para terra da família, o Líbano, e uma sociedade entres as esposas dos dois desmentiram o governador.

Retomada da greve

Na semana em que se comemora o Dia do Trabalhador, o presente do governador tucano não podia ser outro se não uma nova tentativa de furtar os fundos de aposentadoria.

Em conjunto com o secretário de segurança, Fernando Francischini (SD), o governador planejou um cerco contínuo de mais de mil policiais e tentará isolar o movimento a quadras de distância da Assembleia Legislativa. A medida foi encarada pela população como gesto autoritário de um o governo desesperado e que aparenta não ter nada a perder.

Mesmo assim, os professores disseram que retomarão a ocupação no Centro Cívico da capital paranaense, trazendo em caravanas mais de 50 mil professores do interior. A semana será conturbada no estado, mas os trabalhadores paranaenses já aprenderam que a mobilização é fórmula para vencer. O recado para o governador está claro: “Beto Richa, se não pode com a formiga, não atiça o formigueiro!”.

Bianca Lovato é estudante da Unicentro e do Juntos! PR e Gabriel Zanlorenssi do Juntos SP!

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017