Somos Todas Ingred Israel! Machistas Não Passarão!!

22/abr/2015, 19h04

Ao abrir qualquer jornal você irá ver notícias de algum caso sobre violência contra a mulher e feminicídio, afinal dez mulheres morrem todos os dias vítimas de crimes passionais. Na tarde do dia 20 de abril de 2015, a vítima foi a universitária e trabalhadora de 28 anos, Ingred Israel. Esta moça foi encontrada morta em seu quarto com sinais de violência sexual e mais de vinte perfurações por arma branca. Hoje o autor do crime foi identificado, era um rapaz com o qual a jovem se relacionava.

O caso de Ingred mostra que mesmo com o avanço das lutas feministas, as mulheres ainda são reféns de casos de opressão e violência de gênero, aos quais são reflexos da ideologia patriarcal que reproduz machismo, sexismo e misoginia, estabelecendo relações de poder do homem sobre a mulher. Neste contexto, a mulher é vista como objeto de desejo e de propriedade do homem, legitimando e alimentando diversos tipos de violência.

Atualmente, em uma lista com 84 países, o Brasil está em 7º lugar nas taxas de homicídio feminino (4,4 assassinatos a cada 100 mil mulheres). Dentre os Estados Brasileiros, o Pará ocupa a 4° colocação e o município de Ananindeua, onde Ingred residia, é a 9° cidade do país com mais casos de feminicídio.
Segundo o Mapa da violência 2012, as maiores taxas de vitimização de mulheres está no intervalo entre 15 e 29 anos, com ascendência para a faixa de 20 a 29 e o cenário destas tragédias são, geralmente, as próprias residências.

Tratando-se de saúde pública, duas em cada três pessoas atendidas no Sistema Único de Saúde (SUS) em razão de violência doméstica ou sexual são mulheres. Isso evidencia que ser mulher é viver em constante perigo, pois não estamos seguras nem em nossos lares. E o mais agravante é saber que somos julgadas e nos fazem crer que a culpa é nossa, justificando a violência e aceitando os argumentos do criminoso.

Violência contra a mulher não é aceitável em nenhuma hipótese. Ontem a vítima foi a Ingred Israel, amanhã poderá ser uma de nós. O machismo mata todos os dias! E o que nós estamos fazendo para mudar isso?

Queremos justiça! Ingred, que foi ativista do movimento estudantil e em diversos momentos fortaleceu a luta por saúde e educação pública de qualidade, não voltará, mas estará presente em cada mulher que se indigna com as desigualdades de gênero, violência contra mulher e qualquer tipo de opressão.

Precisamos unir forças, pois somente JUNTAS podemos mudar o mundo!

O machismo não pode parecer natural! Ingred presente!