Torturador não merece homenagem

05/abr/2015, 18h49

Frederico Ferreira
O dia 1º de Abril na Universidade Federal de Uberlândia deixou de ser um dia da mentira para se tornar emblematicamente o dia de luta por verdade! A derrubada do busto de Rondon Pacheco, um dos apoiadores e responsáveis pela sombria repressão da Ditadura Militar brasileira, foi significante para mostrar a voz dos estudantes que lutam pelo fim dos resquícios e amarras ditatoriais. O homem que foi Chefe do Gabinete Civil da Presidência da República e presidente do repressor partido ARENA assinou o Ato Institucional nº5 (AI-5) que decretava a liberdade de intervenção do exército nos estados e municípios sem as limitações previstas da Constituição, garantiu ao presidente poder de suspensão dos direito de votar e ser votado aos cidadãos e parlamentares, forçou a proibição de atividades ou manifestação sobre assuntos de natureza política, proibição de pessoas frequentarem determinados lugares e fim da garantia jurídica de habeas corpus.
Muitas trabalhadoras, trabalhadores, estudantes e idosos morreram para podermos desfrutar de um regime democrático, nada justifica os milhares de desaparecidos políticos, famílias que não sepultaram seus entes, repressão, violação dos direitos humanos e proibição de nossas liberdades. Rondon assinou o documento mais repugnante da história nacional, contribuiu para o crime de lesa humanidade, não só ele como vários outros torturadores não merecem homenagens por nomes de escolas, bustos, avenidas ou praças. Queremos avançar contra o reacionarismo e deter a direita golpista que pede intervenção militar, nossos heróis são aqueles que estiveram na rua por democracia.
Homenagem para quem contribuiu para a ditadura uma OVA! Queremos VERDADE, MEMÓRIA e JUSTIÇA!
O JUNTOS! contribui nesse texto para o fim das raízes da ditadura militar:
– Fim dos direitos políticos dos torturadores – não podemos ser representados por quem torturou alguém de nossa família;
– Fim da militarização da polícia – queremos nos sentir seguros, não em situação de guerra;
– Eleições diretas para Reitor – democracia nas Universidades;
– No lugar do busto do ditador um busto de um militante – exemplos de Ismene Mendes – estudante da Faculdade de Direito da UFU, advogada sindical assassinada na ditadura por defender os movimentos do campo na região de Patrocínio;
– No lugar de uma das mais importantes avenidas reivindicamos pelo nome dos verdadeiros colaboradores da democracia e luta por direitos sociais como exemplo o uberlandense Grande Otelo, cantor e compositor que dentro de sua arte representou o empoderamento da população negra;
– Memorial das centenas de desaparecidos, presos, torturados e assassinados pela ditadura no triângulo mineiro e região e agredecimentos para aos que lutaram contra o regime como o Professor Afonso Lana – professor da UFU que na época foi militante pelo fim do regime político ditatorial em que foi preso, torturado e exilado.
Frederico Ferreira, estudante de Direito do Juntos Uberlândia.