29M Dia Nacional de Paralisações

Sophia Tagliaferri de Castro 25/maio/2015, 10h16

A “Pátria Cortadora” de direitos!

7 bilhões cortados na educação num primeiro momento e, agora, o corte ultrapassa os 9 bilhões! Tudo isso para “superar” a crise econômica que passamos. Metade dos alunxs de universidades particulares pelo programa FIES tiveram sua bolsa cortada! Um verdadeiro golpe na juventude que conseguiu adentrar a universidade com um programa que prometia ser a resolução dos problemas. A vaca que nunca tussiria já está com turbeculose e os direitos trabalhistas arrancados com lutas históricas estão sendo cortados. Outro golpe do Partido dos Trabalhadores e seus aliados Eduardo Cunha, Michel Temer, Sarney, Renan Calheiros, entre outros do PMDB.

As vergonhosas MPs e a PL das Terceirizações

As Medidas Provisórias aprovadas com amplo apoio do Partido dos Trabalhadores decretam a falta de conexão entre o PT e a classe trabalhadora. A MP 665 triplica o tempo mínimo de trabalho para o primeiro acesso ao seguro-desemprego, este que era de 6 meses e, depois dessa vergonhosa Medida Provisória, passa a ser 18 meses. O ajuste será pago pela classe que é mais explorada e os milionários do nosso país não pagarão pela crise, lucrarão ainda mais com a PL das Terceirizações (PL 4330), por exemplo, a terceirização nunca é positiva para os trabalhadores. Ao contrário do que a Globo anda mostrando, a terceirização é péssima para os trabalhadores: a remuneração média dos terceirizados é 24,7% inferior a dos empregados contratados diretamente pelas empresas, quando não sofrem recorrentes boicotes. A cada 10 acidentes de trabalho, 8 ocorrem com trabalhadores terceirizados, isso é um reflexo da precarização do trabalho dos mesmos.

As medidas do governo na contramão da luta dos direitos humanos!

Em momentos de crise econômica e política, os direitos humanos deixam de ser pauta, quer dizer, o corte deles não deixa. Mas os oprimidos sofrem ainda mais com os cortes e ajustes, as mulheres, as LGBT*s e os negros ocupam cada vez mais os espaços precarizados e, ao invés do governo criar políticas públicas para os grupos oprimidos, opta por colocar Eduardo Cunha (PMDB) para barrar qualquer avanço na luta pela igualdade. A luta por cotas nas universidades, pelo casamento igualitário, contra a redução da maioridade penal e por igualdade salarial jogam o governo contra a parede, é importante que nenhum oprimido se cale contra sua opressão, porque eles que serão terceirizados, precarizados e cada vez mais oprimidos por um sistema que visa o lucro acima da vida das pessoas.

A organização do povo contra os ataques dos governos!

Mesmo que a grande mídia tente nos fazer engolir esse sapo, os trabalhadores e a juventude (que está 70% já no mercado de trabalho) tem se unificado para barrar este ajuste e fazer os ricos pagarem pela crise. Greves pipocam pelo Brasil, a greve dos metroviários e ferroviários está marcada para o dia 27 de Maio em SP, os professores do Paraná, que foram brutalmente reprimidos pela Polícia Militar de Beto Richa (PSDB), seguem na luta por mais direitos, a UFRJ está ocupada e outras universidades do Rio de Janeiro estão anunciado greves. Os professores do Estado de São Paulo também seguem firmes na luta, o Sindicato dos Trabalhadores do Centro Paula Souza (SINTEPS) se organizam para paralisar no dia 29 de Maio e pensam em estender. Em Recife o Movimento #OcupeEstelita completa 1 ano do ínicio da ocupação chamando atos com milhares de pessoas, ocupação essa que vai contra os interesses da empreiteira Moura Dubeux, financiadora de campanhas eleitorais, como a do próprio prefeito Geraldo Júlio (PSB). Sem falar na vitória da esquerda combativa em diversos DCEs, grêmios e sindicatos.

Agora é hora de botar o bloco na rua!

O dia 29 de Maio é prioridade no calendário de lutas. Se os trabalhadores se unificarem com os estudantes, fazemos nossos governantes não dormirem. Que a “Pátria cortadora” não durma com a força das vozes que nunca saíram das ruas e que clamam por mais direitos, porque nenhum estudante, trabalhador ou aposentado pode se abster em um momento tão único como este que vivemos hoje: se nós não nos mobilizarmos os nossos direitos serão cortados, como já estão sendo, se nós nos mobilizarmos poderemos permanecer com estes direitos e arrancar outros.

Nenhum passo para atrás, que o dia 29 de Maio seja um dia que ficará marcado para sempre como o dia que Junho voltou novamente a pulsar pelas avenidas e escolas, trabalhos e universidades, mentes e corações. À luta.

Sophia Tagliaferri é do Juntos nas Escolas