Juntas na 5ª Marcha das Vadias em SP: Basta de mortes por abortos clandestinos! Aprovação do PL 882/15! #ForaCunha!

Juntas 27/maio/2015, 00h09

Neste sábado, dia 30 de maio, acontecerá a 5º edição da Marcha das Vadias SP. Nós do Juntas! participamos desde da sua primeira edição em 2011, pois é um ato de rua que agrega muitas mulheres de variados perfis e tem grande alcance principalmente entre a juventude. Apesar de suas limitações, como a dificuldade de dialogar com setores populares e de trabalhadoras, a Marcha das Vadias traduz parte do diálogo e do avanço do debate feminista na sua contemporaneidade, impulsionando as mulheres a ocupar as ruas com o seu protagonismo e sua criatividade e lutar pelo fim da violência sexual e por mais direitos.

Este ano, a Marcha das Vadias vem com um tema muito importante, o da legalização do aborto, questionando o papel e a conivência do Estado diante das centenas de mortes que acontecem no Brasil por ano em decorrência de abortos inseguros. A legalização do aborto é uma pauta histórica da luta das mulheres, é uma conquista do movimento feminista em uma série de países, mas que no Brasil ainda enfrenta uma série de dificuldades para ser implementada.

Por que a legalização do aborto no Brasil?

Independentemente das opiniões sobre ser a favor ou contra o método do aborto, a verdade é que muitas brasileiras abortam. Segundo o IAG (Instituto Alan Guttmacher) entidade americana que estuda a questão do aborto no mundo, cerca de 1 milhão de mulheres abortam no Brasil todos os anos: as católicas e as evangélicas; as negras e as brancas; as pobres, as ricas, as adolescentes, as casadas, as que saem com vários parceiros, as que tiveram apenas uma relação sexual na vida e as que são mães também.

Esses dados são fundamentais para fazermos um debate amplo e honesto com a sociedade, pois o aborto é uma realidade, mas no Brasil é praticado de forma clandestina, o que nos faz atingir gravíssimos índices: 1 brasileira morre a cada dois dias em função de abortos mal sucedidos. Lutar pela legalização do aborto é, acima de tudo, lutar pela vida e saúde das mulheres!

Enquanto as mulheres que têm dinheiro podem praticá-lo em clínicas privadas com certo grau de segurança, as mulheres pobres, infelizmente, recorrem a métodos precários, sujeitas a todo tipo de agressão física e psicológica colocando em risco sua saúde e vida em que a situação clandestina lhes inflige. Entretanto, todas correm riscos ao se submeterem ao procedimento, como mostra a morte trágica e recente de Jandira dos Santos Cruz e Elisângela Barbosa, ambas no Rio de Janeiro, evidenciando que o problema reside na clandestinidade, que impede que as mulheres recebam instrução, orientações sexual e amparo médico. Além disso, é muito grave que as mulheres que cometam abortos sejam enquadradas como homicidas e tenham que ser presas, como prevê a legislação brasileira. Aborto não pode ser crime!

Nos países em que o aborto foi legalizado, a quantidade de abortos diminuiu e o número de mulheres que morrem por complicações na prática do aborto foi reduzido a zero. Isso só aponta a necessidade urgente da questão do aborto ser tratada como caso de saúde pública e não como crime! Um bom exemplo disso é o nosso país vizinho, Uruguai, que descriminalizou o aborto em 2012. Entre dezembro de 2012 e maio de 2013, não foi registrada a morte de nenhuma mulher que abortou de forma regulamentada.

Ocupar as ruas contra o conservadorismo e por mais direitos!

Recentemente o deputado Jean Wyllys protocolou o projeto de lei que regulamenta a interrupção da gravidez indesejada. O PL 882/15 é inspirado no projeto aprovado no Uruguai e prevê a legalização do aborto até 12 semanas de gestação no Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, também estão previstas a criação de políticas públicas para educação sexual e dos direitos reprodutivos e sexuais.

O movimento feminista de conjunto precisa se apropriar do conteúdo e dos argumentos do projeto e travar uma verdadeira guerra pela sua aprovação. Nós do Juntas estamos construindo debates e atividades em escolas e universidades para que a luta pela aprovação do PL ganhe peso e tome as ruas. É preciso convencer a sociedade de sua necessidade e urgência e enfrentar fortes inimigos, como o presidente da Câmara Eduardo Cunha, que foi autor do Estatuto do Nascituro e que recentemente disse que o aborto só seria aprovado no Brasil passando por cima de seu cadáver. Cunha se utiliza de uma falsa moralidade para atacar as mulheres para esconder sua verdadeira imoralidade: está envolvido até as tampas com esquemas de corrupção e é um dos principais articuladores de projetos que atacam os direitos do povo brasileiro, como o PL4330. Para que o Estado Brasileiro não continue mais passando por cima dos cadáveres das mulheres vítimas de abortos clandestinos, vamos passar por cima de Eduardo Cunha e de todos os falsos moralistas para aprovar o PL882/15!

Também é preciso questionar a presidenta Dilma porque é que ela se cala diante do Feminicídio de Estado que significa o aborto inseguro no Brasil. Não houve nenhum avanço por parte de seu governo em direção à legalização do aborto. Pelo contrário, opta por se aliar a setores e figurões conservadores como o Cunha ao invés de se aliar às mulheres que estão na luta por seus direitos.

Diante deste cenário, reforçamos o chamado para que todas as feministas, ativistas e coletivos ocupem a Av. Paulista neste sábado em defesa dos direitos das mulheres! A Marcha das Vadias tem que parte importante da forte luta que devemos travar para conseguir legalizar o aborto no Brasil.

Marcha das Vadias SP – Sábado – 11h – Vão do Masp.

Evento: https://www.facebook.com/events/590854621055580/