Marcha da Maconha em SP leva 20 mil às ruas pela legalização no Brasil

Pedro Micussi 25/maio/2015, 16h59

Neste último sábado, 20 mil pessoas, segundo os organizadores tomaram às ruas de São Paulo com um único e claro intuito: legalizar a maconha no Brasil. Nós do Juntos marcamos presença na Marcha da Maconha deste ano, buscando problematizar a fundo os problemas decorrentes da guerra às drogas no país. Abaixada a fumaça, algumas reflexões que ficam sobre o dia 23.

Em primeiro lugar, vale ressaltar o que consideramos como uma vitória democrática do antiproibicionismo em São Paulo: a possibilidade que a Marcha abriu, mais uma vez, para milhares de pessoas fazerem o uso da cannabis, sem serem reprimidas pela polícia militar. O momento mais marcante a este respeito foi quando, na esquina da Av. Paulista com a Rua Augusta foi realizado um “maconhaço” coletivo. Este é um fator que não pode ser minimizado. Desconvidada através de uma carta aberta escrita pela realização da Marcha, a PM disse à imprensa que não atuaria por querer “paz e amor” com os manifestantes, não provocando tumultos ou confusões.

E por que este é um ponto que deve ser celebrado? Admitimos que o antiproibicionismo precise romper o individualismo que às vezes o ronda e entendemos que a Marcha da Maconha deve ser compreendida, prioritariamente, como um dia de luta e mobilização. Assim mesmo, o fato de milhares de pessoas, muitas delas advindas das periferias, local onde a proibição produz seus piores efeitos, poderem ter usado a Marcha como um momento de lazer e paz nas ruas do centro de São Paulo é sintomático. Além de revelar uma maior tolerância da sociedade em geral, escancara a hipocrisia construída sobre os reais efeitos do uso da maconha: demonstra que o antiproibicionismo avança, e esta é uma vitoria exclusiva de nossa mobilização.

Além disso, evidencia as contradições por trás das ações da polícia militar, que em um dia não enxerga problema nenhum em que milhares de pessoas marchem divertindo-se e fazendo imperar suas vontades sobre o próprio corpo, mas que durante os outros 364 dias do ano atua de modo oposto nas ruas da cidade. Mais uma vez: será que o problema é de fato a substância em si?

Se o saldo da Marcha do Sábado é positivo, é claro que ainda há pontos que o debate pode e deve avançar. Acreditamos ser ainda um desafio de o antiproibicionismo conseguir totalizar, para o conjunto da Marcha e para a sociedade como um todo, o problema da guerra às drogas.

A Marcha da Maconha, para seguir avançando nos próximos anos, precisará continuar convencendo os próprios usuários da importância de construir a pauta antiproibicionista, demonstrando esta como necessária não apenas por uma questão individual de consumo. Assim sendo, o antiproibicionismo tenderá a crescer entre também aqueles não são usuários, mas que se sensibilizam pela pauta uma vez que entendem as nefastas consequências da proibição.

A mobilização antiproibicionista avança! Terminamos fazendo chamado, a todas e todos aqueles que foram à Marcha, e também àqueles que não foram, mas se colocam contra a proibição: construam conosco o Juntos Pela Legalização! É só por meio da ação coletiva que poremos fim a guerra às drogas no Brasil.

Pedro Micussi é estudante de Ciências Sociais na USP e militante do Juntos Pela Legalização

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