Uma vitória da resistência negra, para muitas outras lutas que enfrentaremos!

Juliana G. Levra Jesus 04/maio/2015, 22h47

O racismo nos Estados Unidos, sempre segregou e exterminou a população negra. Após as conquistas do povo negro americano por direitos civis igualitários, o racismo que antes era formal e institucionalizado, com a divisão de negros e brancos nas escolas, ônibus, bares e bairros, passou agora a segregar o povo negro por sua classe e cor. A estes sempre foi negado o melhor emprego, a educação, a saúde e o direito à vida sem violência. As organizações de auto-defesa, como os panteras negras (Black panthers), que tinham como finalidade a patrulha e a proteção dos moradores dos guetos negros contra os atos de brutalidade da polícia nas décadas de 60 e 70, se mostram ainda necessárias em 2015. A violência policial americana mata e encarcera os jovens negros todos os dias desde sempre. Mas assim como o genocídio da população negra, a resistência dos negros americanos também sempre existiu.

As manifestações violentas que aconteceram no começo da semana passada na cidade de Baltimore – Estados Unidos, após o funeral de Freddie Gray, um jovem negro de 25 anos que foi espancado até a morte por policiais, demostram o esgotamento de um povo que vê na luta e no enfrentamento direto com os policiais a única possibilidade de justiça. Escancara também o quão contraditório é um país como os EUA, que mesmo com um presidente negro no poder e uma das maiores economias do mundo, não garante os direitos sociais básicos da sua população; assim como a perversidade do capitalismo que se esforça em manter a classe dominante branca distante dos pobres, pretos e trabalhadores, os assassinando e os prendendo.

Felizmente, diferente do caso de Michael Brown, o jovem assassinado no final do ano passado, o caso de Baltimore conseguiu uma vitória. Os seis policias envolvidos com a morte de Freddie foram indiciados por homicídio na sexta (1/05) pela promotoria de Maryland.

No Brasil a luta anti-racismo dos Estados Unidos deve nos servir como inspiração de combate e resistência, para que casos como da Cláudia, Amarildo, DG, Douglas, o menino Eduardo e tantos outros não passem imune. Além disso, demostra que a luta dos afro-americanos é internacional contra o capitalismo e o avanço de uma direita conservadora, que possibilita a criação da lei da redução da maioridade penal criminalizando ainda mais a população negra e pobre do nosso país.

Tivemos uma vitória da resistência negra, para muitas outras lutas que enfrentaremos. Avante!

Juliana Giaj Levra de Jesus é militante do Juntos! Negras e Negros

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