40% de cotas sociais na UEPA: ainda há como voar!

Heitor Moraes 26/jun/2015, 19h33

Ontem, dia 24 de junho de 2015, a UEPA conquistou mais um avanço depois da histórica aprovação em 2014 da aplicação de cotas na universidade. A mesma UEPA que quando entrou na sua juventude de 20 anos de existência, se configurava como a única universidade pública do estado que não adotava o sistema de cotas.
Ainda temos muito que lutar pra conseguir uma universidade socialmente justa e referenciada, a UEPA apesar de ser uma das universidades mais interiorizadas do país, contrasta com um baixo número de negros dentro da universidade.
Estamos no Brasil que “aboliu a escravidão” há 127 anos, e que apenas em 2012 – há quase quatro anos – aprovou a Lei Federal de Cotas com caráter afirmativo a âmbito nacional. Nós negros sempre fomos expropriados dos espaços institucionais como a educação básica, sistema de saúde, moradia e da universidade. Aprendemos que lugar de preto não é a academia.
E assim nos postergaram, a escravidão com a necessidade do capitalismo passou a ser proletariada, e assim seguimos, beirando as margens de qualquer política social que garantisse direitos.
Nos disseram que somos juridicamente legais e que isso era suficiente, mas nos tiraram todas as oportunidades de estarmos iguais dentro da sociedade. Primeiro quiseram tirar nossa identidade, depois quiseram dizer o que podíamos fazer, com quem podíamos nos relacionar e no fim, onde era o espaço que deveríamos ocupar. Resistimos!
Hoje iremos ocupar as universidades e onde mais nós quisermos. Foi ampliada a política de cotas sociais da UEPA, mas ainda negam aos negros a vivencia dessa universidade. Se essa conquista também foi nossa, travaremos todas as batalhas pra que tenhamos 50% da vagas da universidade pro sistema de cotas e que as políticas afirmativas sejam incluídas já!
Queremos uma UEPA que seja a cara do Pará, do estado que segundo o ultimo censo demográfico¹ mostrou ter cerca de 76% da população negra, se configurando como um dos estados com maior percentual de habitantes negros do país. Queremos ver esse percentual nas universidades, no acesso ao sistema de saúde, nas escolas com qualidade e em todos os lugares de que somos marginalizados.
Nós do Juntos acreditamos que lugar da juventude negra é na universidade e não na cadeia. Acreditamos que um futuro de desenvolvimento social só será conquistado com equidade racial. Lutaremos por isso, como sempre fizemos!

#50%deCotasJá
#CotasRaciasJá
#JovemNegroVivo
#NãoàRedução

Fonte: http://www.diarioonline.com.br/noticia-227016-maioria-da-populacao-paraense-e-negra-diz-estudo.html

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Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017