Chile: Em defesa da educação pública, estudantes transbordam as ruas outra vez

Charles Rosa 10/jun/2015, 20h44

Uma grande jornada de mobilização ocorreu no Chile nesta quarta-feira. Somente nas ruas de Santiago, foram cerca de 200 mil universitários, secundaristas, professores e famílias inteiras reivindicando novamente uma novo modelo educacional. O documento com “Princípios Fundamentais para uma Nova Educação Pública” foi levado a público pelos movimentos sociais de maneira criativa e dialogável com todo o país. De uma maneira completamente inversa à reforma de ensino preparada pelo governo Bachelet e defendida até agora apenas pelos velhos partidos e pelas forças de repressão.

De acordo com Valentina Saavedra, presidenta da Federação dos Estudantes do Chile (FECh), “A marcha das propostas” teve uma importância bastante especial: “Nós elaboramos este documento de modo oposto ao que faz o Ministério da Educação. Fizemos de forma democrática e o entregamos publicamente. Todos os cidadão podem revisá-lo. Para começar uma discussão franca e que participe a sociedade em seu conjunto. Por isso queremos dialogar, mas queremos um diálogo vinculante. Não queremos que depois de nos reunirmos com o Ministério, assim como fizeram com outros atores, nos digam que temos agora que conversar com o Congresso”.

“O nosso programa tem a ver com a democracia interna dentro das instituições educativas, a gratuidade universal, o fim do lucro e uma carreira que dignifique a profissão docente” assinalou Valentina Saavedra. Além disso, a luta é, dentre outros pontos, por maiores investimentos em todos os níveis educativos, aumentos de vagas nas instituições públicas, estabilidade trabalhista para os funcionários e um sistema mais democrático de ingresso nas graduações.

Os professores, por sua vez, completam hoje duas semanas de greve nacional contra o projeto de reestruturação da Carreira Docente, feito de maneira obscura e verticalizada por parte do governo. Salários baixos e uma prova de conhecimentos como pré-requisito para o magistério são alguns dos absurdos que os professores não estão dispostos a aceitar.

Na manifestação houve ainda bandeiras, lenços e cartazes em que se pediam “Não mais gols contra a educação”, numa alusão à atmosfera que vive o país às vésperas de receber a Copa América de futebol masculino.

Fonte: Jornal La Nacion, Fech.cl

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