Convoque sua Luta na UnB: Todas/os à Assembleia Geral dos Estudantes

Ayla Viçosa 18/jun/2015, 23h20

*Ayla Viçosa

“A falta de investimentos públicos e o impacto dos cortes orçamentários na Educação seguem aprofundando a precarização das condições de ensino e trabalho nas Instituições Federais de Ensino (IFE). O recente corte de R$ 9,4 bilhões em custeio e capital ainda não foi repassado para as IFE, que já agonizam, desde o ano passado, com falta de recursos para pagar contratos com empresas prestadoras de serviços, contas de água, energia e outras despesas de manutenção.

No entanto, ao mesmo tempo em que o governo federal reduz ainda mais o orçamento do Ministério da Educação, anuncia o montante de R$ 198,4 bilhões em concessões para empresas privadas que irão executar obras de construção de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, através da nova etapa do Programa de Investimento em Logística (PIL), dias depois de ter divulgado também a ampliação do financiamento público para o agronegócio, no Plano Safra 2015/2016, na ordem de R$ 187,7 bilhões – cerca de 20% a mais que em 2014″.

Pátria educadora

Esse é o retrato do caos completo da educação em meio ao governo da “Pátria Educadora”, que privilegia os banqueiros e financista cortando verbas das áreas sociais.  Já temos 58 universidades em greve de técnico-administrativos e mais de 30 em greve de professores federais. Diante desse cenário de precarização, nós do Juntos!, ao lado do ANDES – Sindicato Nacional, da FASUBRA e do SINASEFE, seguiremos construindo com força o “Junho da Educação”. Atendemos ao chamado dessas entidades, que representam diferentes categorias de trabalhadores da educação, para que, ao lado dos professores e servidores e todo país, nós, estudantes, possamos fortalecer o processo à vista de lutas e greve geral contra o ajuste fiscal e para barrar os ataques à educação pública. É preciso reverter os cortes e assegurar que a educação não pague a conta da crise. É inadmissível que esse governo negocie os direitos e o futuro da juventude e dos trabalhadores do nosso país.

“Mas o que os estudantes da UnB tem a ver com isso?” Nós respondemos: tudo. Os cortes feitos na educação, por exemplo, reduziram já no início do primeiro semestre de 2015 30% do orçamento de nossa universidade. Hoje, faltam folhas nos departamentos da universidade para a impressão de provas, excursões estão sendo inviabilizadas devido à falta de verbas para a UnB custear transportes, as verbas destinadas ao Ciência Sem Fronteiras e a todos os Projetos de Extensão da Universidade foram cortadas, os técnico-administrativos estão em greve em busca de uma nova jornada salarial, o que já culmina no não funcionamento/atendimento de espaços como a Biblioteca e as secretarias de departamento.

A demissão dos terceirizados

Para além disso, o reitor da UnB, Ivan Camargo, anunciou no início desse ano que reduziria em 25% o quadro dos terceirizados. No final do mês de maio, a Reitoria realizou um processo de licitação emergencial – o chamado “pregão” – para seleção de uma nova empresa na prestação do serviço de portaria (segurança). Ocorido o processo, a empresa “Utopia” saiu vitoriosa, e assim, a antiga empresa, Planalto, deveria deixar de prestar o serviço em questão. O novo processo licitatório já apresentou 142 trabalhadores a menos – o que, no bom português, significa 142 demissões. Para fechar a novela vivida pelos terceirizados, a empresa vencedora não cumpriu todas as obrigações burocráticas para que se efetivasse o contrato, o que fez com que, absurdamente, a Reitoria de Ivan Camargo orientasse TODOS os 548 porteiros da UnB a não assumirem seus postos até que a situação se resolvesse. Um absurdo completo, que transparece o descaso completo da atual gestão de nossa universidade com o trabalhador. Isso tem atingido a própria dinâmica cotidiana da UnB. Faculdades como a FE (Faculdade de Educação) já anunciaram a impossibilidade de realização de aulas no turno noturno dada a situação de insegurança instalada, com altos riscos de roubos, assaltos e estupros.

Diretoria da Adunb proíbe estudantes de participar da assembleia de professores

Não podemos deixar de comentar ainda o acontecido na última assembleia docente. Na quarta-feira dessa semana (17 de Junho), ocorreu no auditório da FT a assembleia dos professores, com pauta única de indicativo de greve. Ao chegarmos na assembleia, nós militantes do Juntos, assim como todos os estudantes que desejavam acompanhar a assembleia, foram barrados na porta. Motivo: A atuação gestão da ADUnB – ligada à gestão de Ivan Camargo na reitoria – DECIDIU que o espaço só deveria ser acompanhado por professores, de modo totalmente arbitrário e sem consultar a ampla base dos professores da UnB. Curiosamente – ou não -, o único setor estudantil com permissão para entrar na assembleia, como também se manifestar politicamente foi o DCE – que além de se abster diante de uma ação tão autoritária feita pela direção da ADUnB, teve a ousadia e desonestidade de fazer uma fala na Assembleia dos Professores dizendo que os estudantes da UnB são contra a greve, quando o fórum onde discutiremos o atual cenário de educação acontecerá apenas na próxima terça-feira (23/06), na assembleia geral dos estudantes.

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Nisso, Reitoria, ADUnB e DCE parecem muito bem sintonizados: dão um show no autoritarismo e na falta de democracia. Ivan Camargo, ADUnB e DCE – Gestão Aliança pela Liberdade, manipulam, respectivamente, os fóruns de decisão pelos quais são responsáveis a UnB, para favorecer os seus posicionamentos políticos, dando um banho de autoritarismo que mancha, a cada dia, que passa a história política de uma universidade que abrigou Honestino Guimarães, Ieda Delgado e idealizada por Darcy Ribeiro.

Por tudo isso, nós do movimento Juntos! fazemos um chamado amplo ao conjunto de estudantes da Universidade de Brasília: Convoque sua luta e venha para a Assembleia Geral dos Estudantes, que acontecerá na próxima TERÇA (23/06), às 12:00, no Ceubinho (ICC Norte – Campus Darcy Ribeiro). As pautas serão: greve de servidores, jornada salarial dos professores, situação dos terceirizados. Diante do cenário de crise completa que se instaura em nossa universidade, precisamos nos organizar para construir um calendário de lutas que barrem a precarização e assegure com que a educação não pague a conta pela crise. Construir o Junho da educação. Contra os cortes e o ajuste fiscal de Dilma e Levy.

Convoque sua luta e venha para a assembleia!

*Ayla Viçosa é estudante de Ciências Sociais da Universidade de Brasília e do Juntos!

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017