EAR na Luta pela Educação!

Amanda Sobral 25/jun/2015, 23h57

A Escola de Aplicação do Recife FCAP/UPE, anteriormente chamada de Escola do Recife em homenagem ao movimento, liderado por Tobias Barreto, conhecido, justamente, como a Escola do Recife.

O colégio funciona da quinta série do fundamental ao 3 ano do médio, e todos os anos é realizado um concurso para selecionar os novos alunos do sexto ano. Desde o meu primeiro ano na EAR, o ambiente escolar ganhou um novo significado, para mim.

Por ter apenas uma turma por série, a escola tem poucos alunos, o que torna mais intimista a relação entre os alunos e a instituição. Os professores acabam por conhecer melhor os estudantes, e têm a possibilidade de reconhecer as habilidades e limitações particulares de cada um. Na EAR, pude perceber uma preocupação especial dos educadores com assuntos como meio ambiente e cidadania. Todos os anos, participávamos de gincanas ecológicas promovidas pelo Núcleo de Gestão Ambiental da FCAP, cultivando uma atitude cidadã e ambientalista. Nos meses de maio, mês do aniversario da escola, fazíamos um festival de cultura, com estudantes de todas as séries, chamado FestMaio.

Em 2014, o diretor da FCAP, também diretor da nossa escola, foi afastado do cargo e substituído pelo educador Marcos Meira. Daí por diante, a situação da EAR mudou bruscamente. No início, não percebíamos nada de especial no diretor substituto, nada de bom ou ruim, ele simplesmente não se mostrava aos alunos do colégio. O que já é negativo, pois como diretor da FCAP, e da nossa escola, ele deveria, no mínimo, cumprimentar os alunos, regularmente.

Já em 2015, chegou o período de eleições para diretor e Marcos Meira continuou se omitindo em relação à nossa escola, enquanto as chapas concorrentes passavam nas nossas salas, e apresentavam seus candidatos e planos para o nosso futuro.

Não há maior exemplo do exercício da democracia do que o processo eleitoral, no entanto, nas eleições da FCAP, não houve maior exercício de antidemocracia do que nas eleições. Fomos impedidos de participar da eleição, fomos simplesmente proibidos de votar. A Escola de Aplicação do Recife é uma unidade organizacional da instituição FCAP, portanto, parte dela. O diretor da FCAP é o oficial gestor administrativo da escola (apesar de caber sua função a terceiros), ou seja, a escolha do futuro diretor tem influência direta nessa unidade organizacional. E mesmo assim, os membros dessa unidade foram privados de seu direito à participação.

O debate que precedeu o dia da eleição, foi mais um exemplo da pura arbitrariedade que caracterizou o processo. Ao longo do debate, houveram sérios exemplos de imparcialidade e autoritarismo: Perguntas foram excluídas por uma das organizadoras, que era “partidária”, e em uma das etapas da mesa redonda, na qual 6 pessoas da plateia eram selecionadas para fazerem perguntas, “coincidentemente”, 5 dos escolhidos estavam em fotos da campanha de uma determinada chapa: A chapa de Marcos Meira.Meira venceu a eleição. O processo foi arbitrário, estudantes foram desconsiderados, uma das urnas não foi contada, o candidato estava sob investigação, e mesmo assim venceu.

A decepção não parou por aí. O novo diretor, mesmo antes de ser nomeado, formalmente, nos deu diversos exemplos do quão desastrosa viria a ser sua gestão.

Após a vitória, Marcos Meira passou a destratar a escola, deixando clara a intenção de fecha-la. Começou restringindo o acesso dos alunos a certos espaços da FCAP (que é um espaço PUBLICO), e esses certos espaços incluia a biblioteca principal do lugar. É imoral para um educador querer proibir um estudante de frequentar uma biblioteca!

Em poucos meses, M. Meira demitiu nossa coordenadora, a qual sempre tivemos como diretora, estava na escola desde que a mesma foi fundada e era nosso principal ponto de comunicação com a UPE. O então diretor prosseguiu demitindo pessoas importantes para a escola, numa tentativa de desestabilizar o núcleo escolar.

Ao iniciar um corte de gastos, o gestor determinou que os aparelhos de ar-condicionado seriam desligados, mas apenas no horário de aula da EAR! Essa medida reduziu nossa carga horária e nossas aulas que deveriam ter 50 minutos, passaram a ter 45! Nosso dia letivo, que deveria ter 6 aulas, passou a ter 5. Diversas atitudes foram sendo tomadas, e a insatisfação dos membros da EAR era proporcional à ignorância que demostrava o novo gestor. A partir disso, juntamos alunos e pais, e tentamos comunicação com esse “diretor”. Ele se manteve na mesma atitude, tirando toda sua responsabilidade.

Vimos que a tentativa de negociação a partir de reuniões com Marcos Meira de nada adiantariam, então mobilizamos alunos e pais, e fizemos uma manifestação dentro da FCAP. Conseguimos a atenção da midia, e de todos aqueles que deveriam nos ouvir, como por exemplo, o reitor da UPE.

Reunimos pais, alunos, coordenação e reitoria para defender/decidir o futuro da nossa unidade de ensino. O reitor se posicionou a nosso favor, prometeu tomar as devidas medidas em relação ao bom funcionamento da nossa escola e afastar o ditador Marcos Meira. Como fruto de muita mobilização e luta, Meira foi investigado e descobrimos que o dito cujo é sócio majoritário de uma empresa privada, logo, ele não pode assumir um cargo público. Marcos Meira estava recebendo dinheiro do Estado de uma forma ilegal. Os estudantes da Escola de Aplicação do Recife esperam de todo coração que mais nenhum ditador como ele, pise novamente em nossa escola.

A nossa luta por uma escola mais justa, democrática e livre só está começando.

Juntxs nós podemos conquistar mais direitos!

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017