I Seminário de Negras e Negros da USP: a luta que só segue e se fortalece

Diogo Dias 24/jun/2015, 16h27

Nos dias 19, 20 e 21 de junho, ocorreu o I Seminário de Negros e Negras da USP. A realização desse seminário na universidade mais racista e elitista do país foi histórica. Nesse sentido, o Juntos! Negras e Negros tem orgulho de ter participado da organização do seminário, com outros setores do movimento negro, intervindo de forma direta e tirando política em unidade nesse espaço tão rico.

Diante de um cenário de cortes e ajustes fiscais, a juventude negra é a que mais sofre com todas as retiradas de direitos. O projeto de redução da maioridade penal vem como reflexo da política de cortes, em que encarcerar se torna a solução para as ondas de crimes, que na verdade, são reflexos de uma desigualdade social e racial, que tem responsável: o Estado brasileiro. Nesse sentido, quando sabemos que a solução é mais educação e menos encarceramento, o governo Dilma corta 7 bilhões da educação, e sua bancada no Congresso tenta fazer um “acordão” como o PSDB para amenizar e viabilizar a questão da redução da maioridade penal. Mas é preciso dizer que esta não é a solução, é preciso dizer que só barrando este retrocesso é que seremos vitoriosos e a nossa juventude negra e periférica terá direito à vida e de ser reinserida nos espaços sociais. Nós, do Juntos! Negras e Negros, levamos nossa política contra a redução ao Seminário, para dizer não à esse retrocesso e construir uma grande mobilização no dia 30.

Ademais, quando apedrejar uma garota de 11 anos por ser uma seguidora das religiões de matrizes africanas torna-se recorrente, em diversos casos de intolerância religiosa, é preciso lembrar que nós negras e negros somos impedidos de cultuar a nossa ancestralidade e que isso tem nome: é racismo. É preciso dizer que enquanto o governo federal se alia com fundamentalista, é a juventude negra que tem todos os seus direitos retirados. A PL 4330 é mais um reflexo da política de cortes, esta que tem como objetivo intensificar as terceirizações tem vítima: as negras e os negros, que já compõe a maioria nos postos de trabalhos precarizados. Em SP, onde o conservadorismo é reflexo do governo do PSDB, junto com a burocracia da reitoria da Universidade de São Paulo, cotas ainda é uma luta firme e conjunta dos negros e negras desse estado. Dessa forma, o I Seminário de Negras e Negros da USP vem como resposta à esses ataques e retrocessos que estamos sofrendo, vem para polarizar com a reitoria, com o governo do estado de SP e com o governo federal. Pra dizer, que nós negras e negros não vamos aceitar nenhum retrocesso, que nós não vamos nos calar diante do racismo que nos aloca e que só lutando em conjunto contra essa situação é que sairemos vitoriosos.

O I Seminário de Negras e Negros da USP é vitorioso, vitorioso porque fizemos história, vitorioso porque conseguimos ocupar um espaço que não foi construído para nós, com a nossa política e com a resistência de todas as negras e negros que ali foram. O Seminário só nos fortalece na luta antirracista, contra o genocídio da população negra, a redução da maioridade penal e todos os ataques de que somos vítimas. Em conjunto com o Núcleo de Consciência Negra-USP, com os trabalhadores e trabalhadoras dessa universidade, e todos os segmentos de luta é que conseguiremos barrar esses ataques de que somos vítimas. A hora do revide chegou, e o Juntos! Negras e Negros faz parte dele, na luta antirracista e por mais direitos à juventude negra e periférica!

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017