Mutilação genital proibida: uma dor a menos para as nigerianas

Maria Luiza PerroniJuntos Negras e Negros 28/jun/2015, 18h14

Recentemente o presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, assinou a lei que proíbe a mutilação genital feminina. Esta prática, recorrente no país, fere diretamente os direitos humanos, consistindo em remover, parcial ou totalmente, os genitais femininos, afim de que as mulheres não sintam prazeres sexuais.

Sem dúvida, tal prática, realizada de forma rudimentar sem aplicação de anestesia, causa uma dor física imensa às vítimas que são obrigadas a se submeter a este procedimento. Para além desta questão, esse ritual está ligado diretamente com ideias tão ultrapassadas, de eras primitivas, em que se acreditava que a mulher não deveria sentir prazer algum na prática sexual, ficando restrito esse privilégio somente para os homens.

A Nigéria, sendo o país mais populoso do continente Africano, com esta nova lei, que certamente deve se submeter à uma rigorosa fiscalização para que a prática não continue na clandestinidade, avança nos direitos humanos para um dos setores mais oprimidos socialmente, a mulher negra.

A história das mulheres deste país e do continente como um todo, sempre foi marcada por muita dor, tanto física quanto psicológica. Mulheres esquecidas socialmente, que trazem a marca da escravidão e de inúmeros abusos, agora podem olhar para o futuro um pouco mais esperançosas. Certamente que ainda há muito oque avançar para que às mulheres deste país possam ter uma vida, de fato, digna. Mas este, sem dúvida, é um passo para a liberdade e a felicidade da mulher nigeriana.

Uma dor a menos, uma lágrima a menos, e mais vida às mulheres negras!

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