Nem cortes, nem reajuste: não pagaremos a conta da crise!

Erick Andrade 26/jul/2015, 22h11

O capitalismo mostra, cada vez mais, suas contradições. A crise que se segue, de cunho social, político e principalmente econômico, revela a insustentabilidade de um sistema em que os capitalistas fogem à pagar suas próprias contas. A juventude tem sido obrigada a pagar por essa crise, que não é dela. No início do ano, o setor que mais sofreu cortes do governo Dilma foi a educação, prejudicando estudantes do ensino superior público, que sofreram com os cortes substanciais dos orçamentos de suas universidades, mas principalmente dos estudantes das instituições privadas, que majoritariamente dependem de programas como o FIES, que teve o número de bolsas cortadas e, recentemente, o valor dos juros aumentados para 6,5%.

Já que o ensino superior não é universal, público e gratuito (como deve ser!), o FIES e o ProUni se tornam importantes programas para o acesso da juventude às universidades. Mas quem mais ganha com programas como o FIES não é o estudante! É preciso reconhecer que o programa é 1) um programa de endividamento da juventude e 2) um programa de repasse do dinheiro público para os tubarões do ensino.

Se pagar juros de 3,4% já era ruim, pagar 6,5% é pior ainda! O ensino superior privado é um dos negócios mais rentáveis no Brasil. As mensalidades abusivas das instituições particulares fazem com que o estudante do FIES saia da universidade devendo valores absurdos para os bancos financiadores (Banco do Brasil e Caixa Econômica). Mas nem garantia de empregos a juventude tem, já que é o setor que mais sofre com o desemprego. A juventude trabalhadora segue com direitos cortados. Com a aprovação das MPs 664 e 665, que restringem as pensões por morte e auxilio-doença, e a PL433 (PL da terceirização), aos jovens restam os cargos mais precarizados e a falta de garantia de direitos.

Os cortes no FIES deram margem para que empresas, como Kroton-Anhanguera (que tem ações na bolsa de valores) e bancos privados, como o Bradesco, fortalecessem ou abrissem novos fundos privados de financiamento da educação, a juros altíssimos (alguns com mais de 25% ao ano!), tornando, cada vez mais, os estudantes reféns dos tubarões do ensino, que não garantem qualidade de ensino, pesquisa e extensão e cobram mensalidades cada vez mais caras. Logo, as empresas continuam lucrando e os estudantes continuam pagando.

Além do reajuste dos juros, o ministro da educação, Renato Janine Ribeiro, apresentou novos critérios para a contratação, reafirmando o plano de uma educação cada vez mais tecnicista, formadora de mão de obra para os capitalistas, e não emancipadora.

Enquanto a juventude e os trabalhadores sofrem, os banqueiros continuam recebendo pelos títulos da dívida pública, que consomem mais de 40% do PIB. E enquanto a juventude paga pela crise, corruptos como Eduardo Cunha, continuam ilesos aprovando medidas como a PL 4330 e a PEC 171, que rouba os sonhos dos jovens que tem direitos negados.

Não é justo que Dilma e Levy continuem com seu pacote de maldades contra os estudantes. É necessário que sigamos na luta para que a juventude não pague pela crise dos ricaços. O estudante do FIES precisa ter garantia de seus direitos. Quem entrou não pode ser impedido de renovar contratos, e os novos contratos não devem ter aumento de juros.

Nossa tarefa é, para além de lutar pela garantia de uma educação pública, gratuita e universal, lutar pela garantia dos direitos dos estudantes e professores do ensino privado. Construir a luta contra o aumento abusivo das mensalidades, as demissões arbitrárias de professores, o aumento dos juros do FIES, o lucro dos barões do ensino e pela anistia dos inadimplentes, para que tenham suas dívidas perdoadas. É seguir na luta contra os ajustes de Dilma, contra Eduardo Cunha, e quem mais ousar tocar em nossos direitos: a juventude não vai pagar pela crise, pelos direitos e não vai se calar.