O FIES da Pátria Educadora: o relato de um estudante bolsista

Alexandre Rosa 30/jul/2015, 14h56

Meu nome é Alexandre, sou estudante de Publicidade e Propaganda na Universidade Anhembi Morumbi, morador do extremo oeste paulistano e militante do Juntos!.

Em 2012 iniciei minha graduação, mas com mensalidades altíssimas fui obrigado a trancar a matrícula. Só consegui voltar a universidade no ano seguinte, com o Fundo de Financiamento Estudantil, mais conhecido como FIES.

A contratação foi complexa, foram 3 meses apresentando documentos à universidade. Quando o contrato foi finalmente assinado, acreditei que os problemas estavam acabados.

Todo começo de semestre, somos obrigados a fazer o aditamento. O processo era simples, bastava imprimir um documento no site do programa e assinar na universidade.

2015 finalmente começou e fui eu mais uma vez fazer a renovação semestral. Então a universidade me diz que não pode autorizar, devido a problemas no site do FIES e que o meu papel era só aguardar.

Depois de 2 meses aguardando, as aulas começaram. O site continuava fora do ar, o prazo foi prorrogado, o assunto já estava nos jornais e os cortes na educação já estavam anunciados. Perdi o prazo para inscrição na Iniciação Científica e estava para perder o prazo de escolher as matérias optativas.

Num ato de desespero fui solicitar providências da coordenação, porque existia o risco de perder o semestre (existe um prazo para realização da matricula, sem FIES renovado eu não estava matriculado). A coordenação do curso então solicitou minha matricula, mesmo sem o pagamento, entendendo os problemas gerados pela “Pátria educadora”. E eu com aquele sentimento de refém, frequentando as aulas sem saber o futuro.

No fim, foram madrugadas e madrugas perdidas tentando atualizar o site, até conseguir renovar o financiamento em meados de Maio.

Em meio a tudo isso, eu só conseguia pensar “Por que é o estudante que está pagando a conta da crise?”, “Por que a Pátria Educadora escolheu cortar da educação?”, “Para onde irão os 4 milhões?” e “O que farão os quase 180mil estudantes que ficaram fora do programa?”.

O segundo semestre chegou e a renovação para o FIES começou. Começou a novela, começou ficar atualizando o site que misteriosamente está fora do ar. Até que culpar o sistema por não renovar meu financiamento é confortável, não é?

Seria mais fácil receber uma carta do governo: “Olá, cidadão estudante. Estamos em crise, não vamos taxar grandes fortunas, heranças, grandes empresas, muito menos rever dívida pública, vamos cortar da educação. Afinal estudante não é o futuro que queremos para nosso pais!”.

Caro leitor estudante, não podemos assistir a tudo isso calado. Os cortes na educação estão atingindo um nível absurdo, tanto nas públicas quanto nas particulares.

Temos que seguir na luta, por um ensino superior público, democrático, de qualidade.