As promessas de Dilma às margaridas podem ser cumpridas?

Juntas 13/ago/2015, 16h12

A Marcha das Margaridas é considerada a maior manifestação pelos direitos das mulheres no mundo. É uma manifestação muito bonita, com milhares de mulheres, cujo objetivo é apresentar uma pauta de reivindicações que atenda às necessidades das mulheres trabalhadoras do campo, da floresta e das águas.

Entre os pontos principais da pauta desta 5ª Marcha, que aconteceu anteontem e ontem, estão o fim da violência contra a mulher e o combate ao uso de agrotóxicos, questionando o modelo de desenvolvimento que acontece no campo atualmente.

A marcha deste ano acontece em um momento muito delicado do país, de forte crise econômica e política, que tem feito a população vítima dos ajustes fiscais, inflação, demissões e retiradas de direitos trabalhistas, medidas que têm impacto muito maior sobre as mulheres, por não terem independência econômica garantida, os piores empregos e salários. Os cortes do governo atingiram em cheio os programas sociais, o que tornou ainda mais irrisória a verba destinada aos programas de combate à violência contra a mulher, ao passo que os índices de violência de gênero continuam alarmantes.

As políticas do governo para o campo são dirigidas por ninguém menos que Katia abreu, porta-voz dos ruralistas. Kátia Abreu tem uma trajetória de vida oposta à trabalhadora rural e lutadora Margaridas Alves.

De que forma este governo, comprometido com o capital e o agronegócio, que não se compromete a enfrentar a dura realidade da violência de gênero no Brasil, pode responder às demandas da Marcha das Margaridas? Desde que Dilma assumiu, ficou evidente que ter uma presidente mulher não é garantia de mais direitos para as mulheres. Além disso, de 2011, quando Dilma assumiu, a 2014, o governo assentou 107 mil famílias. É o pior resultado de um presidente em 20 anos quando o assunto é a reforma agrária.

Mais recentemente lançada, a Agenda Brasil de Dilma, Renan e Levy pretende estabelecer um processo acelerado para o licenciamento ambiental para obras estruturantes do PAC e a revisão dos marcos jurídicos que regulam áreas indígenas e quilombolas, como forma de compatibilizá-las com as atividades produtivas. Políticas essas que impactarão diretamente a vidas das Margaridas.

Ao fim da Marcha, a presidenta Dilma encontrou as manifestantes e estabeleceu alguns compromissos. Ministras e ministros estiveram presentes. Mas nem Kátia Abreu e nem Levy compareceram. Estavam ausentes para tentar esconder as contradições, mas eles existem, integram o governo e dirigem, ao lado de Dilma, as políticas que impactarão a vida das Margaridas.

Dilma se comprometeu com algumas reivindicações da 5ª Marcha das Margaridas. No entanto, com o corte de verbas crescentes nas políticas sociais fica a dúvida se alguma dessas promessas saíra do papel. Um exemplo é a programa de construção de creches, prometido por Dilma desde as eleições, que está estagnado por falta de verbas.

Ontem, também em Brasília, foi votada a Lei Antiterrorismo, proposta pelo governo, que objetiva restringir o direito de manifestação, uma sinalização do governo de qual será o tratamento dado à população e aos movimentos sociais neste cenário de completa insatisfação popular. Qual será a recepção dada pelo governo a esta marcha e a centenas de outras mobilizações organizadas pelas mulheres no Brasil que está sendo construído pela Dilma e seus comparsas? É preciso lutar pelos direitos das mulheres fortalecendo um terceiro campo político no país, independente ao governo.