Visibilidade Lésbica: Em cada beijo, uma revolução!

Juntos LGBTJuntas 29/ago/2015, 11h28

Por Jordhanna Cavalcante e Izabel Reinaldo, militantes do Juntas! e do Juntos! LGBT

No dia 29 de agosto comemora-se o dia da visibilidade lésbica – data referente ao dia de manifestação do orgulho lésbico, comemoração pelas conquistas alcançadas e, sobretudo, dia de luta contra as opressões que nós, mulheres lésbicas e bissexuais, sofremos cotidianamente. O dia nacional da visibilidade lésbica surgiu em 1996 no I Seminário Nacional de Lésbicas do Brasil – SENALE.

Vale destacar que a luta das mulheres lésbicas e bissexuais por visibilidade é uma forma de resistência contra uma realidade nacional extremamente machista, que tende a considerar “anormal” todas as formas de vivenciar a sexualidade que não estejam dentro dos padrões heteronormativos impostos. Isso inclui a aversão ao que foge do padrão estabelecido para as mulheres no seio familiar. Historicamente o papel da mulher na família e na sociedade era o de genitora, esposa e dona de casa. Quando se rompe com este padrão torna-se uma anormalidade, de acordo com o que foi estabelecido histórico e culturalmente.

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As questões de gênero e sexualidade entram nessa discussão de uma forma bem diversificada. Existem variadas formas de vivenciar a sexualidade, sabemos disso. No entanto, essa diversidade é desconhecida ou negada por inúmeros grupos de pessoas, por ignorância ou mesmo hipocrisia. Afinal, o que é ser mulher? E o que é ser uma mulher lésbica ou bissexual no Brasil? E como se pode comemorar o dia nacional da visibilidade lésbica quando as pessoas ainda se espantam com um casal lésbico na novela?

Os preconceitos baseados em estereótipos colaboram com a discriminação muitas vezes naturalizada no cotidiano de milhares de mulheres Brasil afora. Tais preconceitos e figuras estereotipadas além do machismo que impera em nossa sociedade tendem a contribuir negativamente para o aumento da violência contra as mulheres lésbicas. A chamada lesbofobia é a aversão e discriminação a mulheres homossexuais que culminam em agressões físicas e verbais, que podem levar a homicídios.

E se tratando de lésbicas e bissexuais negras, essas sofrem racismo, além da lesbofobia, e são ainda mais apagadas do movimento.

No Brasil não existe uma Lei que determine que a LGBTfobia seja crime, por esta razão e por outras, existe ainda a enorme necessidade dos movimentos sociais se integrarem e se fortalecerem cada dia mais para reivindicarem pautas como esta. O movimento LGBT surgiu como uma alternativa de luta e resistência contra a homolesbobitransfobia, e vem sendo uma ferramenta crucial para a conquista de direitos para a população LGBT. Dessa forma, esperamos que o movimento de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais esteja, mais do que nunca, unido em prol das transformações sociais, considerando principalmente o fato de termos atualmente um dos congressos mais conservadores dos últimos anos.