Estudantes baianos unificam a luta contra o ajuste e por permanência de verdade!

Diêgo Brito 18/ago/2015, 13h03

Estudantes das quatro Universidades Estaduais da Bahia se reuniram no fim de semana de 14 a 16 de agosto na Universidade Estadual de Santa Cruz, Ilhéus-Ba, para a realização do 8º Fórum dos Estudantes das Universidades Estaduais da Bahia (FEUEBA). O Fórum realizado desde 2011 tem o intuito de debater os rumos do movimento estudantil baiano e pensar estratégias para a consolidação de uma universidade pública e de qualidade e que, sobretudo, atenda as demandas da população baiana. A partir desta perspectiva o fórum a cada dia que passa se consolida como uma importante ferramenta de luta para os estudantes baianos, tendo importante participação nas greves docente e discente que duraram 87 dias e tiveram como pontos vitoriosos a revogação da lei 7176/97 (Lei que tira a autonomia político/financeira das universidades) e a garantia dos direitos trabalhistas dos professores, como a promoção de carreira. No que tange a nós estudantes, conseguimos, a muito custo, abrir as negociações com o governo estadual para a construção de um Plano Estadual de Permanência Estudantil.
O Fórum teve seu inicio da tarde do dia 14, com uma aula pública ministrada pelo professor José Glauco, do ANDES-SN, com a temática “Fortalecendo a Unidade em Defesa da Educação Pública”, já a noite houve a mesa de abertura do Fórum, que teve como título “As greves na Educação Pública e os rumos Movimento Estudantil Baiano”, sendo feito uma analise de conjuntura do atual momento em que vivemos, além de um histórico do fórum e da explanação sobre as atuais pautas do ME baiano, que tem como carro chefe a destinação de 1% da Receita Liquida de Impostos às políticas de Assistência/Permanência Estudantil. O segundo dia do Fórum foi marcado por discussões a cerca da universidade que temos, e da que queremos, havendo pela manhã a mesa “Expansão, Acesso e Permanência” e na tarde a discussão sobre o Plano Estadual de Permanência Estudantil apresentado pelo governo. Tal plano foi amplamente rechaçado pelos estudantes presentes no fórum, por possuir uma abordagem altamente assistencialista, tendo vínculo com o sistema CadÚnico, além de apresentar várias condicionantes que se tornam verdadeiros empecilhos à adesão dos estudantes ao plano, como por exemplo o fato do discente não poder ser reprovado em nenhuma disciplina para ser contemplado pelo programa estadual. Na noite houve uma roda de conversa com uma pauta histórica do Movimento Estudantil, o Passe Livre, debatendo o histórico da pauta e a necessidade para nós estudantes de um sistema público de transporte que atenda as demandas da classe trabalhadora. No último dia houveram os GD’s que encaminharam as deliberações para a Plenária Final, sendo os principais pontos a construção, pela base, de uma contraproposta para o Plano Estadual de Permanência Estudantil, a realização de espaços unificados nas Universidades debatendo a temática das opressões, a realização de debates para propor a substitutiva da Lei 7176/97, a construção do Encontro Nacional de Estudantes previsto para acontecer no ano que vem antes do ENE (Encontro Nacional da Educação), entre outros encaminhamentos.

Estiveram presentes vários coletivos que participaram intensamente do movimento grevista, como o Juntos!, ANEL, UJC, Pajeú, ColetivAção, somando-se a mais de 100 estudantes das quatro UEBA, o sentimento de que a Unidade dos setores de oposição de esquerda é crucial para derrotar o ajuste da Dilma e do Levy e garantir que a classe trabalhadora não pague pela crise.

O Juntos! BA entende que a mobilização agora é mais que uma tarefa, uma obrigação. A greve foi vitoriosa em determinados aspectos, mas traz a certeza de que se por algum instante baixarmos a guarda, aqueles que estão no poder, não terão o mínimo de respeito e tentarão impor mais retrocessos aos estudantes e a classe trabalhadora. O Fórum ratificou que os estudantes baianos, organizados para além de suas instituições burocráticas, possuem um lado na conjuntura posta, e não é nem ao lado dos que foram às ruas no último dia 16, defender o impeachment, muito menos dos que vão a rua no próximo dia 20, maquiado pela generalidade de defender a democracia, reafirmar o apoio ao governo que ataca os trabalhadores. Com o sentimento que só a luta muda a vida, nem um passo daremos atrás na defesa pelos nossos direitos!