Por Gisele, por nenhuma a menos!

JuntasJuntos RS 24/ago/2015, 10h30

Mais um caso de violência doméstica chocou o Rio Grande do Sul. Gisele, de 22 anos, no dia 2 de agosto, foi esfaqueada pelo “companheiro” dentro de seu próprio teto. Foram dezenas de golpes de facão, que a deixaram sem as duas mãos e um pé. Gisele viveu momentos de terror, chegando a ter que fingir-se de morta, para que não o fosse. Tudo porque ele “não aceitou a separação”. Na realidade, se paramos para pensar um segundo e olharmos a realidade das mulheres no Brasil, é inevitável se questionar: será que o caso de Gisele, realmente chocou o Rio Grande do Sul? Será que se a violência contra a mulher verdadeiramente chocasse, ainda teríamos 5 mulheres agredidas a cada 2 minutos no Brasil? Para defender a vida de Gisele e todas as nossas, precisamos de uma nova Buenos Aires.

No início de junho, centenas de milhares – de homens e mulheres – tomaram as ruas da Argentina (além do Chile e do Uruguai) para dizer que já estamos fartas da violência machista. Já estamos fartas de sermos agredidas física e psicologicamente por maridos, namorados, ex-namorados e de forma conivente pelo Estado. A realidade é que os governos não possuem nenhuma responsabilidade com a vida das mulheres. Já passou do tempo em que tratávamos da violência como um problema privado. Não é! É um problema público, é feminicídio, uma epidemia e pior, naturalizada. Por isso acreditamos na necessidade de cada vez mais mulheres ocuparem as ruas, para alertar a sociedade que apesar de avanços como Lei Maria da Penha e tipificação do feminicídio, o assassinato de mulheres triplicou em 30 anos.

Hoje Gisele só sonha em andar, escovar os dentes sozinha. Felizmente, uma grande rede de solidariedade através da internet lhe têm ajudado com doações e mensagens de força. Essa mulher guerreira, escapou de virar estatística por querer dar um basta a um relacionamento abusivo e violento. Em seu nome e de milhares mais, seguimos a luta para garantir que as delegacias das mulheres realmente funcionem com seriedade e sensibilidade, que tenhamos acesso à política de proteção, pela volta da nossa Secretaria de Políticas para as Mulheres (extinta pelo governador Sartori no início do ano), por abrigos, creches, tratamento psicológico, educação de qualidade e a possibilidade enfim, de sonharmos com um futuro diferente para todas nós. Longe da violência.

Diante da brutalidade do caso, Gisele tem se tornado o mais novo símbolo na luta contra a violência doméstica. Desde que o caso se tornou público, uma corrente de solidariedade tomou conta de diversos grupos para tentar ajudá-la no que for possível. Ao mesmo tempo, movimentos feministas e de mulheres que já lutavam pelo fim da violência doméstica também se mobilizam para auxiliá-la. Neste sábado (22) algumas militantes se reuniram no Parque da Redenção para demonstrar apoio e divulgar o caso, o Juntas esteve presente.

 

Contribua para as próteses de Gisele: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/vakinha-para-proteses-de-gisele-santos

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017