Transporte de qualidade SIM, coronelismo NÃO!

Iago Gomes 20/ago/2015, 17h11

A crise econômica, política e social tem afetado o Brasil em todos os quatro cantos, atingindo educação, saúde, direitos trabalhistas e transporte público. Em Feira de Santana, Bahia, o andar da carruagem não tem sido diferente. Governada pelo prefeito Zé Ronaldo (DEM) há anos, com um intervalo mínimo onde a cidade foi administrada por seu próprio aliado, o transporte público tem sido pauta constante de luta dos principais movimentos sociais da cidade, além de levar, diariamente, a população à consternação. Não diferente de outras cidades do Brasil, o sistema de transporte público de Feira é caótico, com horários difusos, ônibus velhos e caindo aos pedaços, que chegam a resultar em episódios onde os mesmos pegaram fogo durante trajetos, além de terminais sucateados e mal estruturados.

O atual Sistema Integrado de Transportes (SIT) é um problema criado pelo atual gestor como “solução”, uma típica contradição, porque agora o mesmo gestor apresenta um projeto de BRT como solução a sua própria outra “solução”, projeto este que enfrenta, atualmente, a força de movimentos sociais, estudantis e feirenses em sua totalidade, já que além de impactos ambientais como a derrubada das poucas árvores centenárias que o centro da cidade possui e que, diretamente, resulta num aquecimento ainda maior da cidade, que já é uma das mais quentes da região, o projeto de BRT da administração beneficiaria somente os bairros centrais, elitizados sobretudo pelas empresas e comércios e em nada serviria para os bairros periféricos e distantes do centro.

Os problemas do BRT de Zé Ronaldo são muitos e sequer vem acompanhado de debate social, ou de um PDDU (Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano) participativo antecedente.

Nos últimos dias, o prefeito anunciou a contratação de uma nova empresa de administração do transporte coletivo da cidade e que as duas atuais (friso, possuem o mesmo dono) somente ficariam até o fim do contrato, que dentro de 180 dias teria fim. Em uma das claúsulas, fica claro que a tarifa passaria de atuais 2,70 (um absurdo dentro das atuais condições ) para 3,15!

Para piorar ainda mais a crise do transporte em Feira, na última sexta-feira (14) os ônibus pararam de circular de repente, em uma possível paralisação dos rodoviários, uma prévia do que estava por vi. Domingo (16), logo pela manhã, todos os ônibus coletivos voltaram a parar. As empresas anunciaram paralisação dos serviços por tempo indeterminado alegando falta de óleo para rodar, não sendo uma paralisação dos funcionários. Desde então, já se somam três dias sem ônibus urbanos circulando, afetando a principal atividade econômica da cidade, o comércio, e as necessidades de locomoção social como funcionamento de escolas, universidades e faculdades, trabalhos, atendimentos de saúde, etc.. O caos está instalado! Como solução “imediatista” para o problema, a prefeitura apresentou um contrato emergencial com a mesma empresa que havia assinado o contrato, sendo que os ônibus só entrarão em circulação dentro de 8 dias, ou seja, a cidade parou por conta da péssima administração pública!

Em resposta aos ataques sociais, ambientais e coronelistas da administração, vários segmentos, movimentos, trabalhadoras, trabalhadores e estudantes convocaram atos contra o projeto de BRT enfiado goela-abaixo pelo prefeito e o caos generalizado do transporte público na cidade, exigindo melhores condições, imediata suspensão de derrubadas das árvores e das obras de construção do projeto, além de exigir diálogo do prefeito com a população. Dia 17, manifestantes estiveram a frente da prefeitura e seguiram em caminhada, fechando uma das principais avenidas da cidade. Dia 19, outro ato foi convocado e seguimos fechando ruas e avenidas.

Buscando não parar a luta, uma frente de combate, ainda maior, foi puxada para sábado (22), às 12:00 hs, com saída em frente a Prefeitura da cidade. O ato promete ser massificado, e a necessidade de se enfrentar a dura crise no transporte público da cidade é urgente! Precisamos construir uma unidade!

Convocamos trabalhadoras, trabalhadores, estudantes, juventude, movimentos e coletivos organizados a estarem juntos com a gente em busca de alternativas para barrar o “pacotaço” de Zé Ronaldo que fere os feirenses e o nosso direito por um transporte coletivo de qualidade sem efeitos destrutivos no meio ambiente, na história e no social!