Até quando a melhor Federal do Brasil será conivente com racismo e homofobia?

30/set/2015, 15h01

Por Carla Zanella Souza, estudante de direito da UFRGS.

Recentemente a UFRGS, mais uma vez, apareceu pintada de ódio. Assim como em 2007, ano em que a Universidade debatia se iria ou não aderir ao sistema de cotas, quando foi encontrado nas suas proximidades uma suástica com uma frase que dizia que lugar de negro era na cozinha do RU, na última semana, em pleno 2015, há menos de 6 meses da universidade destinar 50% das vagas no vestibular para estudantes cotistas, as paredes da Faculdade de Direito, apareceram com novas suásticas e a frase: morte aos gays e aos negros.

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Infelizmente, não é novidade a existência desse pensamento nas universidades brasileiras, que ainda são um espaço bastante elitizado e hostis a negros, lugar onde ainda somos minoria, somos a minoria entre os estudantes e somos quase nenhum entre os professores e diretores. Constatando a ausência de representatividade, só nos resta constatar que também não é novidade a ausência de posicionamento da Universidade, e nem tão pouco os muitos colegas que nos disseram: deixem isso para lá, foi apenas uma brincadeira infeliz de alguém que queria chamar atenção.

É vergonhoso que em um lugar onde deveríamos estar aprendendo, debatendo e trabalhando com direito, que estejamos a diminuir um símbolo e uma frase que representa justamente a ausência de direitos de milhares, e na ausência de direitos a morte dessas populações. A verdade é que a elite universitária ainda se sente ofendida com a presença de negros nos espaços que antes para nós era inacessível. A verdade é que a nossa presença nesses espaços será tolerada desde que não façamos barulho, desde que aceitemos as condições impostas por quem sempre esteve neles, ou seja, desde que abdiquemos de nossa identidade e sejamos capazes de entender que nosso lugar nesse espaço é de coadjuvante.

No entanto, não estamos dispostos a deixar para lá, não estamos dispostos a não ser protagonistas em nossas universidades e nem tão pouco a aceitar brincadeiras que na verdade são ameaças. Ameaças, fantasiadas de brincadeiras, que nos fazem sentir medo, que machucam por saber que o reflexo disso é a população negra e LGBT morrendo todos os dias. O Juntos! seguirá denunciando e debatendo qual a intenção de quem continua a espalhar suásticas pelas universidades, seguiremos cobrando que a universidade se posicione diante de tais atitudes. Não permitiremos que a comunidade acadêmica continue naturalizando o ódio.