Ayotzinapa vive! Há um ano nos faltam os 43

27/set/2015, 20h34

Caminhada na Ciudad de Mexico relembrou os 43 e exigiu justiça

Caminhada na Ciudad de Mexico relembrou os 43 e exigiu justiça

Por Fabiana Amorim 

Estudante do Emancipa e diretora da UBES pelo Juntos nas Escolas

Na noite de 26 a 27 de setembro de 2014, um crime bárbaro denunciou ao mundo a face mais agressiva do México: a face da violência institucionalizada e do narcotráfico. No estado mexicano mais pobre e violento, 43 estudantes foram desaparecidos numa estrada. Viajavam para protestar contra José Luis Abarca, o prefeito “imperador de Iguala”, com amplas ligações com os cartéis do tráfico e a facção “Guerreiros Unidos”.
 
Nos dias que seguiram, familiares, colegas e professores da escola Normal Rural de Ayotzinapa travaram uma busca de denúncia, por justiça. Ainda que até hoje não haja respostas concretas com o acontecido em Iguala, supõe-se que os estudantes foram assassinados e logo após tiveram seus corpos incendiados. Mais do que a revolta pelo silêncio dos governos com os 43, o povo mexicano revelou um estado permanente de violência, nas qual os normalistas entram na conta de mais de 25 mil desaparecidos em dez anos.
 
Milhões de pessoas ocuparam as ruas por justiça enfrentando forte repressão das autoridades. A revolta tomou conta do cenário mexicano. A certeza de que “fue el Estado”, tornou-se insustentável a continuação de Aguirre como governador de Guerrero, os comandantes do tráfico não mais podiam esconder a suas relações promíscuas com o Estado mexicano. A mobilização pelas ruas do México, combinou-se com um dia de greves pelo país e de solidariedade internacional.
 
No dia internacional de solidariedade, 20N, nós do Juntos mostramos que Ayotzinapa também aqui no Brasil. Nas favelas do Rio de Janeiro, Osasco, Belém ou Porto Alegre, o Estado elimina aqueles que não o servem. Poderia ter sido qualquer um de nós.
 
Mesmo com o povo deixando de ir às ruas, a crise política mexicana segue profunda. Nas eleições em junho deste ano, as abstenções dos jovens de 25 a 29 anos, chegaram a 70%. Na cidade de Tixtla (município mais próximo da escola dos normalistas assassinados), houve enfrentamentos e protestos contra as eleições comandadas pelos mesmos de sempre. Aqueles que possuem “cartazes eleitorais que cheiram a ranço, linguagem de outra época e promessas vazias”. A descrença com os velhos partidos demonstra o esgotamento do projeto neoliberal mexicano, que explora seu povo aos desmandos do imperialismo norte americano.
 
A memória dos 43 segue viva. A juventude de toda América Latina hoje relembra o massacre de Iguala para dizer que não suportamos mais viver a beira dos fuzis dos Estados. Tampouco iremos pagar a conta da crise econômica mundial que recai sobre nós. Pelo direito às nossas vidas, seguiremos lutando contra esse regime apodrecido.

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017