É sobre a vida das mulheres: dia de luta pela legalização do aborto

Marcela Lisboa 28/set/2015, 19h04

Da concepção de vênus à figura de Tia Anastácia, mulheres são assoladas pela violência, silenciamento e objetificação de seus corpos. Acontece que, ainda assim, quando casos como o dos recentes arrastões no Rio de Janeiro acontecem, a pergunta que não cala é: cadê a mãe? Isso revela que, além do aborto por parte dos pais ser aceito com normalidade, a mulher segue criminalizada pelo aborto e responsável pela educação e manutenção da família.

Independente de opiniões contra ou a favor, dados do IBGE (2013) comprovam que mais de 8,7 milhões de brasileiras entre 18 e 49 anos já realizaram ao menos um aborto. E um estudo realizado na Universidade de Brasilia (UnB) aponta que uma em cada sete mulheres (entre 18 – 39 anos) são casadas, com filhos e religião. O que revela que o espectro de hipocrisia que paira pelo Brasil tenta ocultar e silenciar o nosso grito por liberdade. Por isso, mais uma vez, somos criminalizadas.

Dentre os abortos realizados no Brasil, 1,1 milhão foram provocados. Nosso Código Penal prevê prisão de um a três anos pra quem aborta de propósito. Mulheres como Jandira dos Santos Cruz e Elisângela Barbosa, ambas no Rio de Janeiro, mortas vítimas de abortos clandestinos, mostram o quão urgentes são políticas públicas voltadas para nós. Principalmente quando as maiores vítimas desta violência têm classe e cor.

Frente aos recentes ataques de Eduardo Cunha e às políticas esvaziadas e de negação aos direitos das mulheres do governo Dilma, nossa saída segue sendo a mobilização. Hoje, no dia Latino-americano e Caribenho pela Descriminalização do aborto, nosso lugar é na luta pelo direito aos nossos corpos.

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017