PREPARA: É hora de ocupar as escolas, as ruas e a UBES!

30/set/2015, 19h34

conune-juntosEsta é a primeira versão da tese do movimento Juntos nas Escolas e colegas independentes para o 41º Congresso da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas que vai rolar entre os dias 5 e 8 de novembro em Brasília. Nas próximas linhas, tentamos expressar nossa vontade e projeto para transformar radicalmente nossas escolas, o Brasil e a UBES.

ALERTA À JUVENTUDE: SOMOS A GERAÇÃO DE INDIGNADOS QUE ESTÁ MUDANDO O BRASIL!

Durante muito tempo, escutamos falar que fazer política é coisa para os mais velhos, em sua grande maioria homens, brancos e ricos. No máximo, para quem já está na universidade. Dizem que nós, que nem saímos do ensino médio, não temos que nos meter nisso. Afinal, enquanto não chegássemos ao nível de vida deles, teríamos que aceitar as coisas como estão. Na realidade isso já não é mais assim. Já começamos a balançar esse sistema e o que rolou nas ruas de todo o Brasil em Junho de 2013 foi uma demonstração disso. A juventude encurralou os poderosos, pois voltamos a ocupar as ruas e tomar a política nas nossas mãos.

Desde então, as greves aumentaram assim como as mobilizações pelos direitos LGBT’S, das mulheres, das negras e dos negros. A gente já não aceita mais que a educação seja lembrada só em época de eleição. Nós não aceitamos que controlem nosso acesso à cultura, que o transporte seja caro e ruim. Não aceitamos ter as piores condições de emprego. Os piores salários e cada vez menos direitos.

Além de não aceitar mais as coisas como estão, aprendemos que a juventude precisa estar unida e organizada para obter vitórias. Sozinhos, lutando nas nossas escolas e cursinhos, somos a possibilidade de vencer. Juntos, num movimento nacional pela educação pública e de qualidade, em defesa dos direitos da juventude, somos a certeza de um futuro diferente.

Secundarista, embarca na luta! Vamos Juntos virar do avesso a política para mudar esse país!

ESSA CRISE NÃO É NOSSA, ESSA CRISE NÃO PAGAMOS!

O ano de 2015 começou se apresentando como um ano difícil para a juventude. Se é verdade que as nossas escolas desde sempre foram precárias, com a crise político-econômica, esse quadro só tem piorado. Dilma iniciou seu novo mandato dizendo que o nosso país seria uma “Pátria Educadora”, mas o que vemos é o contrário disso: 10 bilhões de reais a menos para a educação, grandes cortes no FIES e uma tesourada que tirou 50% do orçamento do PRONATEC. Ainda reduziu um terço da verba do Institutos Federais e congelou o Ciência Sem Fronteiras. No momento em que o Brasil passa por uma forte crise econômica, Dilma e o governo federal querem fazer que o povo trabalhador pague essa conta ao invés dos banqueiros e ricaços – que seguem tendo lucros cada vez maiores. O chamado ‘ajuste fiscal’ – que só ajusta o que é do pobre – aplicado por Dilma e Levy, retrocedeu conquistas históricas como o seguro desemprego e a aposentadoria. A cada dia que passa, mais direitos são ameaçados pelas “mãos de tesoura” do governo federal.

Nos estados a situação é a mesma. No Paraná, o governador Beto Richa (PSDB) massacrou os professores que lutavam para garantir melhores condições de trabalho. Já no Rio Grande do Sul, Sartori (PMDB) parcelou salário dos servidores e cortou o dinheiro repassado para as escolas. E hoje os estudantes vão para a aula sem receber merenda. Sabemos que isso se repete de Norte a Sul. O governo do Distrito Federal cortou a isenção das escolas públicas para o vestibular. O que temos sentido na pele é que em todo o país nossas escolas estão pagando um preço alto para ”equilibrar as contas dos governos”. Não somente com o baixo salário dos nossos professores, mas também com situações humilhantes que vivenciamos todos os dias. Como a falta de papel higiênico, classes, cadeiras e até mesmo papel para fazermos as provas. Por um outro lado, nenhuma medida de ajuste está sendo direcionada aos que mais têm dinheiro. Os cortes afetam justamente aqueles que mais precisam dos serviços públicos. Nós acreditamos que para mudar essa situação, é necessário mobilizarmos nossas salas de aula, grêmios estudantis e escolas para ir às ruas defender a educação pública e de qualidade.

O INIMIGO Nº1 DA JUVENTUDE TEM QUE SER O INIMIGO Nº1 DA UBES!

O Congresso Nacional não nos representa, o financiamento privado das campanhas elege para a maioria das vagas aqueles com muito dinheiro. Vemos que lá dentro quem manda são os grandes empresários, latifundiários, banqueiros, pastores fundamentalistas e os chefões das indústrias de armas. Esse setores elegeram Eduardo Cunha para a Presidência da Câmara para defender seus interesses. Cunha impõe a sua vontade a qualquer custo, fez uma reforma política que mantém o dinheiro no comando das eleições e calou os partidos pequenos, trouxe Projeto de Lei das terceirizações, e aprovou, de maneira antidemocrática, a redução da maioridade penal. Cunha também está envolvido até o pescoço no escândalo de corrupção da Lava Jato, que vem saqueando há anos a Petrobras. Além de querer impor retrocessos, é também corrupto.

A UBES tem que ser linha de frente para derrubar Eduardo Cunha e tirá-lo da presidência da Câmara dos Deputados. Não aceitamos a postura apática da direção da UBES em relação a Cunha, precisamos concentrar esforços para enfrentar esse que é hoje o maior inimigo da juventude brasileira. O #ForaCunha não é só legítimo como imprescindível.

DEMOCRACIA REAL JÁ: NA ESCOLA, NA UBES E NO PAÍS!

Se formos olhar para história do nosso país, as entidades estudantis, como a UBES e a UNE, tiveram papel fundamental na construção do que hoje temos como democracia. Se hoje minimamente podemos nos expressar, é por conta da luta dos trabalhadores e dos estudantes contra a ditadura militar, que deram seu sangue pelo direito de falar. Porém, basta olharmos para o Congresso Nacional e quem hoje comanda a política em todas suas estruturas, para percebermos que a democracia que hoje existe, é a democracia para os ricos. Por lá, a grande maioria dos projetos que passam são para prejudicar o povo e garantir mais lucros aos mais ricos. Por isso sabemos que a democracia que precisamos, é muito mais que o voto durante as eleições. A gente quer democracia real!

As nossas escolas também reproduzem a mesma estrutura hierárquica de participação da sociedade. Apesar de existir a Lei do Grêmio Livre desde a década de 80, sabemos o quanto é difícil fundar um grêmio estudantil e mais ainda, nossas gestões serem plenamente livres e independentes das direções da escola. O fato é que nossa voz não é reconhecida dentro da escola. Aqueles que ousam discordar de regras muitas vezes absurdas, como não poder usar short, ou manter relações homoafetivas, são punidos e até mesmo expulsos. A maioria das direções não sabem lidar com os estudantes, pois a organização de escola que hoje temos, estão paradas no tempo, mais parecem prisões do que um espaço que possamos de fato aprender e nos formar enquanto cidadãos. Já passou da hora de conquistarmos nosso espaço, construirmos a escola que tenha a nossa cara. Essa é a importância de fortalecer os grêmios estudantis, para que sejam canais dos estudantes dentro e fora da escola.

A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, também precisa ser ocupada por nós, ser virada do avesso. A gente já pode votar pra presidente, mas ainda não vota pra presidente da UBES. A atual direção majoritária representa um modelo de movimento estudantil que prioriza suas articulações de gabinetes no lugar da articulação nas bases das escolas. Dão mais importância para a disputa por cargos e hegemonia, ao invés de dar voz e espaço aos estudantes do Brasil. Precisamos radicalizar a democracia na UBES, para que a nossa entidade seja tomada nas mãos de todos e todas nós.

CHEGA DE CONSERVADORISMO! VAMOS VIRAR A ESCOLA DO AVESSO

As escolas precisam de uma revolução. O nosso modelo educacional é atrasado, remonta aos séculos passados. O mundo mudou muito de lá pra cá e as vezes a impressão é que a educação parou no tempo.

Sabemos do papel importante que nossos professores tem, mas não podemos aceitar que essa relação desigual de poder acabe prejudicando nosso aprendizado, limitando nossas potencialidades e também nos oprimindo. Acreditamos que o conservadorismo nas entranhas do processo educacional também precisa ser abolido. Ao mesmo tempo, precisamos nos apoderar desse processo e nos empoderar para transformar a maneira como ele acontece e consequentemente transformar a nossa escola.

Para fortalecer uma escola com nosso perfil, precisamos fomentar iniciativas auto-organizadas para trazer nossa cultura para dentro da escola. Queremos grêmios estudantis com autonomia para tocar shows, batalhas de rap, teatro e todas as outras formas de expressão da nossa juventude.

PARA QUE A UBES VOLTE A SER PERIGOSA

São muitas as nossas tarefas para transformar as escolas. Sabemos que para isso, teremos que transformar a política. Virar do avesso a lógica que sempre existiu, na qual somente uma minoria decide sobre o nosso futuro. Nesse sentido, também achamos que é necessário inverter a lógica que a UBES atua. A UBES precisa retomar o caminho das mobilizações, independente dos partidos que governem, ao invés de servir como “melhores amigos” daqueles que hoje aplicam o ajuste econômico e cortam nossos direitos. Aqueles que cortam direitos são inimigos da juventude!

Depois de junho de 2013, ficou aberto um caminho para a juventude brasileira trilhar. O papel da UBES deve ser de protagonista na disputa dos rumos da educação e do país. Infelizmente, a direção majoritária (UJS) insiste em usar a entidade para acalmar os ânimos e conter o movimento estudantil para proteger o Governo.

Sabemos que para barrar esses ataques aos nossos direitos, nossa tarefa é construir um novo Junho, com uma nova eclosão de rebeldia consequente da juventude pelo país. Devemos ser linha de frente na construção de um Junho nas escolas, por nenhum centavo a menos na educação, contra a redução da maioridade penal, contra qualquer retaliação aos que lutam dentro das escolas. E também um Junho nas escolas para conquistarmos mais direitos, taxando os ricaços para investir na educação, por trabalho digno para a juventude, garantir o passe livre nacional aos estudantes, pela auditoria na dívida pública que consome 40% do nosso PIB.

Ao contrário do que diz o governo federal, nosso caminho não é “ajustar para avançar”. O caminho para um outro futuro aos estudantes do Brasil, é mobilizar para avançar!

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017