UFRJ, universidade de excelência?

Isabela Dos ReisCalabrese Nicolás 04/set/2015, 09h58

Universidade de falta de pagamento aos trabalhadores terceirizados, de obras atrasadas, de aulas em containers adaptados, de prédios com estrutura precarizada, de assistência estudantil insuficiente. Universidade de ocupação de reitoria, de eleição de um reitor de esquerda graças principalmente aos estudantes, de atos contra os cortes na Educação e contra redução da maioridade penal, de 3 caravanas à Brasília, de quase 100 dias de greve estudantil. Universidade que, assim como tantas outras, tem sofrido o duro golpe dos cortes feitos pelo governo.

O termo “Movimento Estudantil” caracteriza bem o que vem ocorrendo na UFRJ no ano de 2015, um ano de estudantes em movimento. A greve estudantil, deflagrada por unanimidade na primeira assembléia (28 de maio) passa por inúmeras lutas e contradições, que trouxeram a tona diversos problemas que a UFRJ enfrenta já há muito, mas que se complicaram fortemente diante da conjuntura política.

Houveram reuniões de representantes do Comando de Greve Estudantil com o novo Reitor, que foi eleito com a  maioria dos votos dos estudantes, e que suspendeu o calendário acadêmico em respeito às greves na UFRJ. A partir das negociações que ocorreram, o Reitor assinou um Termo de Compromisso declarando prioridade com importantes demandas da greve estudantil.

Ainda que esse documento seja um avanço, as lutas vão muito além dos muros da UFRJ. Vivemos um contexto de lutas nacionais, em conjunto com cada universidade que sofre a precarização da educação pública, gerada pelas escolhas que o governo tem feito, que prioriza claramente o ajuste fiscal e que não repassa verba suficiente para as demandas de assistência estudantil. Não há como falar em democratização da Universidade sem o devido suporte de assistência. É como gerar a falsa sensação de sonho realizado para aqueles alunos que mais possuem dificuldade quando entram na UFRJ e não possuem as condições de seguir estudando.

A dificuldade de mobilização no mês de julho, por ser um mês que normalmente é de férias, não impediu que em agosto os estudantes em greve compusessem o ato no dia do Estudante (11/08), atos unificados com trabalhadores, atos das categorias em greve nas universidades do Rio de Janeiro, e última caravana à Brasília (dias 27 e 28), a qual contou com uma representante dos estudantes da UFRJ na reunião que ocorreu no MEC no ato do dia 28.

Na ultima segunda, 31, o movimento estudantil da UFRJ mostrou o avanço da sua consciência, deflagrando, em uma assembleia de pelo menos 1300 estudantes e de mais de quatro horas de duração, a continuidade da greve! O resultado foi de 667 x 619. Essa assembleia contou com a presença de uma quantidade importante de estudantes que não tinham participado ativamente da greve nem das assembleias, e que tinham puxado o fim da greve nas redes sociais e tensionaram o debate com vaias.

Apesar de a greve ter perdido força, o movimento mostrou que não quer deixar de lutar e que o método da greve, por mais que tenha dado ganhos importantíssimos, ainda tem apoio dos estudantes que compreendem que a luta não é só interna. É uma luta nacional que continua crescendo com adesão de mais federais contra os cortes que o governo Dilma tem feito e, com certeza, a luta vai continuar mesmo quando a greve acabar, com outros métodos que mobilizem a comunidade acadêmica, não apenas pela defesa do que já tínhamos e nos foi tirado, mas por uma educação gratuita, pública e de qualidade para todos e todas!

A luta vai continuar mesmo quando a greve acabar, a partir da mobilização e unidade da juventude com os trabalhadores. Não apenas pela defesa do que já tínhamos e nos foi tirado, mas por uma educação gratuita, pública e de qualidade para todos e todas!

UFRJ, universidade em greve!

 

Isabela Reis e Nicolas Calabrese são militantes do Juntos! RJ e estudantes da UFRJ.