Autoritarismo do governo obriga estudantes de São Paulo a mudarem de escola

01/out/2015, 10h55

Por Helen Cristine, estudante secundarista de SP e militante do Juntos nas Escolas

O secretário estadual de educação anunciou no dia 23 de setembro o novo modelo de reorganização escolar para 2016. A medida anunciada é a separação das escolas por ciclos, sendo, escolas para alunos do 1° ao 5° ano, escolas para alunos do 6° ao 9° ano, e as escolas para ensino médio. A medida ainda diz que do 1° ao 5° ano terá uma média de 30 alunos por sala, do 6° ao 9° ano 35 alunos, e no ensino médio 40 alunos por sala. As medidas internacionais dizem que nos primeiros anos do ensino básico deve- se ter no máximo 20 alunos por sala, e que nos anos seguintes e no ensino médio 20 alunos por sala.

Nos dias de hoje já sofremos com a superlotação das salas de aula e com a falta de professores em nossas escolas, e com essa nova medida, milhares de professores irão perder seus empregos, pois muitos dão aula em duas escolas. E com isso os alunos perderão mais e mais aulas, e continuarão não tendo uma educação de qualidade.

Vários pais já estão preocupados, pois muitos tem mais de um filho matriculado em uma mesma escola, onde normalmente o mais velho vai com o mais novo até a escola, e com essa separação, os pais não sabem quem irá levar seus filhos para a aula. Os estudantes criam um laço muito grande com a escola, e terão de ser obrigados a irem para outra sem ao menos serem consultados a respeito da decisão.

Mais de 2 milhões de estudantes serão afetados com a nova medida, e mais de 1.000 escolas anunciarão a mudança no dia 14 de novembro. Enquanto isso, os estudantes ficam com a dúvida de onde irão estudar, pois a maioria deles escolhem suas escolas pela melhor referência e pelo modo mais fácil de se locomoverem até ela, e já estão acostumados com a mesma, com seus amigos e professores, e por conta de um governo autoritário tudo isso muda, sem ao menos o estudante ter o direito de decidir onde irá estudar.

“Vai ser igual em 1995 quando milhares de professores foram demitidos e as salas eram superlotadas. Fora que isso afeta na socialização das crianças que aprendem muito com os amigos mais velhos de outras séries” diz a estudante Júlia Falzoni da EE. Alves Cruz.

Vamos juntos organizar nossa indignação e resistir a esse governo autoritário em nossas escolas!

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017