Na prova do ENEM: Machistas não passarão!

Tássia Lopes 25/out/2015, 14h56

Hoje é um dia de alegria para o feminismo e as mulheres vítimas de violência de gênero no Brasil. O tema da redação do Enem foi: A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira. A partir de hoje e durante a semana milhões de brasileiras e brasileiros irão refletir sobre o tema.

O Brasil é o 7º país que mais mata mulheres vítimas de feminicídio em rancking mundial. Estima-se que a cada dois minutos 5 mulheres sejam agredidas no país e segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública a cada 11 minutos uma mulher seja estuprada. Os dados são alarmantes, que em sua maioria o ambiente doméstico é o local do crime, e devem fazer parte de um debate necessário para combater esse tipo de violência.

Discutir violência contra as mulheres em redação nacional é muito importante, precisamos ampliar para garantia de direitos

enem2015Destes milhões que alcançaram na tarde de hoje as provas do Enem2015, haverá muitas mulheres que passaram por situações de violência. Em 2014 o governo lançou um estudo onde quase 50 mil mulheres foram estupradas. Em 2011 o SUS atendeu mais de 70 mil mulheres vítimas de violência doméstica. Espero, sinceramente, que entre o público da prova também tenha homens que repensaram sobre o assédio que também cometem e suas atitudes.

O Brasil, mesmo que governado por uma mulher, tem investido pouco em políticas públicas voltadas às mulheres que sofrem violência. Em todo território nacional existem apenas duas Casas da Mulher Brasileira, há uma carência em Delegacias Especializadas ao Atendimento à Mulher e Casas Abrigo nos município onde mais se necessita. Ao mesmo tempo vemos no período de crise a Secretaria Nacional das Mulheres fechar suas portas, além de inúmeras secretarias estaduais (Como o caso do Rio Grande do Sul) e municipais. Fecham-se as portas de uma vida sem violência.

Quem mais precisa são as mulheres em situação econômica vulnerável e que tem filhos. À estas, temos que lutar para que a discussão desse tema se amplie para mais verbas e mais políticas públicas.

Na redação do Enem2015 os machistas, literalmente, não passarão. Confira o listão dos reprovados:

1) Eduardo Cunha: certamente seria reprovado na prova desse ano. Declarou guerra às feministas no momento da sua posse enquanto presidente da Câmara Federal, alegando que a pauta do aborto só passaria por cima de seu cadáver (enquanto isso 850 mil mulheres recorrem à métodos clandestinos). Na contramão de refletir os dados de violência que as mulheres sofrem, ele articulou o PL 5.069/13 aprovado essa semana na CCJ onde restringe a distribuição gratuita da pílula do dia seguinte, e tenta qualificá-la como um método abortivo, o que é uma afronta às aulas de biologia (que ele deve ter matado), à ciência e – principalmente – aos direitos reprodutivos das mulheres.

2) Bolsonaro: Ele não passaria nem em questões que tratam do tema da ditadura no Brasil, a qual ele defende ferrenhamente. Já falou para a deputada Maria do Rosário que só não a estupraria por que ela não merecia, zombando dos dados alarmantes sobre a violência machista. Ele com certeza teria zerado a redação.

3) Marco Feliciano: Bom, é o deputado da cura gay, lembra? Fundamentalista religioso fervoroso que faz questão de disputar ideologicamente contra o feminismo. Já falou que sexo sem consentimento não é estupro e esteve garantindo junto com o Cunha o PL 5.069/13. Já declarou que o avanço do direito das mulheres, tal qual reduzir os casos de feminicídios, atacam a estrutura da família. Família onde o marido espanca a mulher é boa, deputado? Acho que não. Está reprovado.

4) Alexandre Frota: Uma pseudo-celebridade que está tentando ganhar um flash contra a pauta das mulheres. Declarou sob forma de piada no programa “Agora é Tarde” do Rafinha Bastos que estuprou uma mãe de santo. Depois de confessar um crime ou fazer apologia ao estupro em rede nacional com uma história fictícia (que ainda não foi apurado), começou a perseguir feministas que o contestaram. Processando a Sâmia, companheira da Juntas por calúnia e difamação. Frota, quem merece ser processado é você: mais um no listão de reprovados.

5) “Cantor” Róger: Na mesma onde em busca de flash pautando o conservadorismo, essa semana atacou nossa pauta novamente debochando da campanha em apoio à menina Valentina (MasterChef Jr.) e contra a pedofilia, onde inúmeras mulheres via twitter divulgaram o #PrimeiroAssedio que sofreram entre 9 e 11 anos, principalmente. Ironizou falando que quando tinha 11 anos uma empregada “deixou” ele colocar suas mãos no peito dela. Foram 29 mil mulheres que relataram algum caso de violência. Errou feio, Róger. Errou rude, reprovado!

6) Leandro Narloch: Colunista da revista Veja, fez uma defesa de que as mulheres recebem salários menores que homens por que querem. Culpou a as mulheres ao invés de culpar o patriarcado e o capitalismo que para seguir lucrando faz com que mulheres com mesma carga horária, cargo e função dos homens ganhe menos.

7) Aécio Neves: Além de carregar na sua trajetória violência contra uma companheira, em pleno debate presidencial alterou a voz e levantou o dedo contra Luciana Genro, por ser uma mulher com opinião política contrária. Na ocasião, ela mesma já o reprovou no episódio “não levanta o dedo pra mim!”, onde o fez baixar o dedo e diminuir o tom de voz. Não sabe debater com mulheres que discordam contigo? Reprovado!

8) Joaquim Levy: Diretor do Bradesco e Ministro da Fazenda, tem implementado uma política de cortes orçamentários em áreas sociais. Assim, o investimento que já era pouco para as mulheres torna-se menor, e quem pagará por essa crise serão mulheres pobres em situação de risco de vida. Além disse implementou a MP 665 que altera as regras para ganhar o seguro desemprego, que atinge mulheres em empregos de alta rotatividade como comércio e telemarketing.Está reprovados por cortar nossas verbas.