XII Congresso de Estudantes prepara a luta contra o desmonte da USP

06/out/2015, 18h23

Entre os dias 01 e 04 de outubro aconteceu o XII Congresso de Estudantes da USP. Num momento importante para o país e para a universidade, a realização deste encontro foi imprescindível e vitoriosa, pois armou o movimento estudantil para um período de muitos desafios e grandes lutas. O Juntos! tem orgulho de ter sido protagonista dessa construção desde o início. Inscrevemos a maior tese, com apoio e participação ativa de praticamente todos os cursos e campi da USP e, no congresso, éramos quase 40% dos delegados credenciados! Agradecemos a todos que estiveram conosco!

A ampla participação no congresso refletiu exatamente o ME que queremos: as atividades sempre cheias contaram com a diversidade dos cursos e campi e com ampla participação de pessoas novas, como poucas vezes vemos no movimento. É por isso que queremos que o congresso seja apenas o início!

Já no debate de abertura, na quinta-feira, o Juntos! esteve representado pelo companheiro Thiago Aguiar, doutorando em sociologia na USP, que pôde expor nossas opiniões sobre a conjuntura nacional e a educação brasileira, ao lado de companheiros do MTST e da CSP-Conlutas. Para nós, a necessidade de construir de uma terceira via política no país, que supere tanto o PT como a oposição de direita, e os planos nefastos de ambos para a educação, passa justamente pela capacidade de construir sínteses amplas entre os vários movimentos anti-governistas e de luta, no movimento sindical, estudantil e popular, como é o caso dos companheiros do MTST e da Conlutas. Acreditamos que esta posição, essencialmente não sectária e disposta à massificação da luta, foi o que ficou claro em nossa intervenção.

Tivemos participação ativa nos Grupos de Discussão, em que o conjunto dos delegados discutiu temas como universidade, movimento estudantil e conjuntura. E participamos também do momento da apresentação das teses ao congresso, quando uma ampla gama de grupos políticos pôde expressar democraticamente suas ideias aos estudantes presentes. Nesta etapa, destacamos como muito positiva a afirmação dos setoriais auto-organizados de luta contra as opressões, que apresentaram várias teses politizadas e amplas. É por valorizar e ter construído estes movimentos que não compreendemos o fato de o Juntas!, assim como outras estudantes não organizadas, ter sido excluído da apresentação da tese de mulheres, uma vez que fomos parte ativa da organização das manifestações contra o machismo na USP e da elaboração do próprio documento. Em particular, lamentamos a tentativa de grupos políticos de calar uma militante nossa que se colocou de maneira corajosa no plenário para compartilhar a apresentação da tese de mulheres. Esperamos sinceramente que o movimento feminista avance no sentido do companheirismo e da sororidade no próximo período, para que este tipo de prática jamais se repita. Em contrapartida, um bom exemplo de construção unitária, em grande parte protagonizado pelo Juntos!, esteve na apresentação da tese LGBT.

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Já sabemos o que Zago quer fazer com a USP!

A síntese política mais importante do congresso foi sobre a luta que nos unificará na USP: derrotar o desmonte e a reitoria autoritária de Zago. Se durante o processo de construção congressual a pergunta “o que Zago quer fazer com a USP?” embalou a mobilização dos estudantes, agora sabemos de forma categórica o que os estudantes querem fazer com Zago. Queremos derrotá-lo, desmoralizar este reitor truculento e toda a casta política burocrática da universidade, contribuindo para a construção de uma USP democrática e abeta para todos, com cotas raciais, permanência estudantil e qualidade, nos campi da capital e do interior. O desafio primeiro para isso é derrotar o processo de desmonte ora colocado em curso, e por isso foi fundamental que o movimento estudantil tenha deliberado esta luta como um de nossos eixos prioritários nos próximos dois anos, em unidade com funcionários e professores. A greve de 2014 já foi um exemplo nesse sentido e, atualmente, também a combatividade dos trabalhadores da prefeitura do campus, em cujos piquetes nós do Juntos! nos incorporamos já no dia seguinte ao congresso. Para tal, no congresso, foi tirado um grandioso calendário que se inicia com a abertura de um mês de jornada de lutas na paralisação dos campi no dia 15/10 e termina o ano com uma Festa Unificada! Para nós do Juntos!, estas são as maiores vitórias que tiveram o XII Congresso de estudantes da USP!

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Nem o governo federal, nem a oposição de direita. A USP quer uma alternativa independente!

Igualmente importantes foram os posicionamentos deliberados em torno do tema da conjuntura nacional e da educação. Mais uma vez, o movimento estudantil da USP se afirmou como uma referência de independência e luta, que não baixa a cabeça para o governo federal e jamais aceitará os ajustes de Dilma e suas políticas educacionais. Também não há trégua para governo tucano em São Paulo, que há décadas se utiliza da USP como seu quintal particular. Nesse sentido, foi fundamental a reafirmação da oposição de esquerda ao governo, apontando a necessidade da construção de um terceiro campo político e de uma alternativa de poder dos trabalhadores e da juventude. As posições pró-governo federal estiveram francamente enfraquecidas e desmoralizadas no congresso. Ao lado disso, foi bastante importante a ampla hegemonia que se construiu em torno da resolução de conjuntura e educação, entre diversos grupos políticos, entre os quais destacamos o esforço empenhado para tal por parte dos companheiros do coletivo Pra Além dos Muros.

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Vitória do movimento estudantil construído de forma ampla e consequente.

Desde o início, o Juntos! apostou todas suas fichas na construção do XII Congresso. Sempre acreditamos que este fórum seria fundamental para a ampliação e democratização do movimento estudantil, e que cumpriria um papel único para articular nossas lutas contra a reitoria e os governos de plantão. Ficamos felizes, por isso, que o congresso tenha sido exitoso, que possa ter chegado até o fim em suas principais deliberações e, sobretudo, que uma nova geração tenha feito pela primeira vez sua experiência com o movimento estudantil, e agora esteja disposta a construir mobilização em seus locais.

Destacamos a grande importância, muitas vezes menosprezada pelos grupos mais sectários, da participação dos estudantes dos campi do interior no congresso, de forma ativa e politizada, bem como do conjunto dos cursos e unidades de toda USP. Ficamos felizes de ver expresso em nossa bancada do Juntos! boa parte dessa diversidade.

É por sempre ter acreditado no Congresso dos Estudantes que comemoramos também as vitórias logradas nas chamadas “questões polêmicas”, que, embora não devessem, acabaram ocupando o centro de muitos debates do congresso, por conta da atuação decidida e pouco saudável de grupos políticos que as pautaram visando apenas à autoconstrução. Foi importante a deliberação do movimento estudantil da USP, por amplíssima maioria, de seguir filiado à União Nacional dos Estudantes, sob a perspectiva da Oposição de Esquerda. E foi fundamental a derrota da perspectiva mais danosa que se constituiu sobre a organização do DCE e do movimento estudantil em torno da chamada “proporcionalidade”. Por trás de um falso discurso democrático, o que se articulou foi uma tentativa de enfraquecimento do DCE, priorizando o internismo e o loteamento da entidade entre os grupos políticos, em detrimento da construção ampla e real com os estudantes. Lamentamos que tenham sido os companheiros do RUA/Insurgência os que mais se dedicaram a articular esta proposta, num acordo injustificável que incluiu correntes como MRT, POR, Consulta Popular, PT e PSTU — grupos, em sua maioria (à exceção do PSTU), que não apenas não tiveram unidade conosco para a construção do congresso, como ainda priorizam constantemente o ataque público ao DCE e aos coletivos que compõem sua atual gestão. Felizmente, os próprios estudantes, principalmente os que vieram dos interiores e dos cursos mais afastados da vanguarda, puderam desmontar a proposta apresentada pelo RUA/Insurgência, que atacaria pilares fundamentais da atual organização do DCE, ao burocratrizá-lo em torno de apenas 51 diretorias hierarquizadas, e, ainda por cima, dividiria nossa entidade entre “pastas” que relegariam aos campi do interior uma sub-representação indignante. Tudo isso, em nome de poder dividir o DCE entre os inúmeros grupos políticos existentes na USP, desde a direita mais reacionária até a ultra-esquerda mais inconseqüente. Um grande absurdo sobre o qual esperamos que os companheiros reflitam.

Ninguém mais do que o Juntos! quer que se abra um novo período em que os estudantes e jovens de toda a parte se apropriem do ME e do DCE, que ocupem todos os espaços e se sintam encorajados a lutar juntos, revivendo o espírito de junho de 2013! O fato da proporcionalidade não ter sido aprovada não significa, em nossa visão, que não devamos ter mudanças. Pelo contrário! Já nesse sentido, consideramos extremamente positivas as aprovações de propostas defendidas no último dia pelo movimento negro, como as cotas nas gestões do DCE e a incorporação dos cursinhos populares e dos estudantes dos alojamentos de todos os campi nos fóruns e lutas do movimento. Este é um primeiro passo para a transformação da USP num espaço de todas e todos! Defendemos também, junto à nossa proposta contrária ao loteamento do DCE, propostas inovadoras, tais como a realização de reuniões do DCE intercaladas, uma semana na sede da entidade, outra em cada um dos cursos e campi; novas formas de articulação do DCE nos interiores, com sedes locais e reuniões periódicas por skype entre todos os diretores; uma articulação real entre a entidade e os grupos auto-organizados de luta contra a opressão; e, por fim, o que foi aprovado, a paridade de gênero! Estas são apenas algumas das ideias entre as muitas que queremos construir essencialmente a partir da contribuição e do pensamento dos próprios estudantes de toda USP, dos quais sempre nos esforçamos por estar próximos. Temos muito orgulho da história que nos trouxe até aqui e de tudo o que nos levará, a nós e a todo o movimento estudantil da USP, adiante.

Viva o movimento estudantil! Viva o XII Congresso de Estudantes da USP!

Coordenação do Juntos! na USP

 

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Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017