México e a Virada na Luta Pela Legalização da Maconha

Gabriel Feltrin Batista 06/nov/2015, 13h58

Na ultima quarta-feira, dia 4/11, diversos veículos espalharam a notícia de uma possível legalização da maconha no México. Muitos ativistas e militantes (inclusive eu) agitaram e festejaram a decisão da Suprema Corte mexicana que garantiu, se baseando no princípio de livre desenvolvimento da personalidade (protegido pela Constituição mexicana), o direito de autocultivar a Cannabis para um grupo de quatro cidadãos que se organizaram e pautaram o debate. Mais do que isso, abriu as portas para que outras pessoas possam estar seguindo esse mesmo caminho.

O México historicamente sofreu muito com a política de “guerra às drogas” encabeçada pelo Estados Unidos e implementada por diversos países. Por ser vizinho territorial do EUA, onde o cerco era mais fechado, foi em terras mexicanas que se forjaram os grandes cartéis do tráfico com a finalidade de abastecer a demanda estadunidense. O Cartel de Sinaloa, por exemplo, com seu líder El Chapo (traficante mais procurado do mundo), é hoje considerado o maior cartel do mundo. Não muito diferente do Brasil e vários outros países o crime organizado criou laços profundos com a política institucional deixando claro seu projeto de poder e sua relação promiscua com aqueles que dizem combater o tráfico.

A lógica surreal (e impossível) de acabar com qualquer substância considerada “perigosa” pelo estado acabou gerando muitas mortes, desaparecimentos e prisões injustas do povo mexicano. Segundo o Centro de Investigação e Docência Econômica do México (CIDE), cerca de 60% dos presos mexicanos foram condenados por “crimes contra a saúde”, a maioria tem relação com o tráfico de maconha. Além disso, segundo a agência France Presse, desde 2006, foram mortas mais de 80 mil pessoas e desapareceram outras 25 mil em confrontos entre cartéis e o estado mexicano. Números alarmantes que desmascaram o mito da “guerra às drogas” deixando evidente que a guerra, na verdade, é aos pobres.

Por outro lado, não podemos esquecer que o mar da história está agitado, sopram novos ventos na América Latina e o México é quem tem a oportunidade histórica de protagonizar uma virada no que tange a forma que tratarmos o problema das drogas. Os movimentos antiproibicionistas no mundo todo se organizam e ganham força. Foi assim no Uruguai ao regulamentar a produção de maconha em 2013, no Chile esse ano com a regulamentação do uso medicinal, agora no México e será assim também no Brasil.

Se o presente é de luta, o futuro nos pertence! Nossa vitória não será por acidente!