“Por que o feminismo ganhou tanta força na luta contra o Cunha?”

Sofia YonetaJuntas 16/nov/2015, 09h08

No dia 28 de outubro o Rio de Janeiro teve mais de 5 mil pessoas, grande maioria de mulheres, ocupando as ruas do Centro por #ForaCunha, marcando o começo de uma semana de lutas nacionais protagonizada por mais milhares de mulheres em todo o país: uma primavera das mulheres para derrubar o Cunha.

E no dia 12 novamente fomos milhares a ocupar as ruas cariocas para exigir a saída do Cunha e não permitir mais nenhum ataque aos nossos direitos.

De todas as idades, com secundaristas, mães, gestantes, senhoras e principalmente jovens, fomos um mar lilás de mulheres indignadas com a política suja representada por Cunha e seus aliados. Além disso, somamos com a nossa revolta contra o agressor Pedro Paulo, candidato pensado pelo PMDB para a próxima eleição para a Prefeitura do Rio de Janeiro, que tem pelo menos duas denúncias de agressão à ex-mulher.

Semelhante a Junho de 2013, que tinha como eixo barrar o aumento das passagens, a luta contra a PL5069 de Cunha se nacionalizou, com grande indignação e expressão nas ruas dos mais diversos estados. E da mesma forma que em Junho de 2013 as pessoas não foram para as ruas apenas por 20 centavos, mas sim uma série de bandeiras de lutas e indignações, hoje também não estamos nas ruas apenas contra a PL5069 e o Cunha, mas tudo o que isso representa nessa conjuntura: retirada de direitos humanos e trabalhistas, mais privatização e injustiças à população, principalmente pobre e negra.

Mas dessa semelhança com Junho, também destacamos uma grande e importante diferença: o protagonismo incrível das mulheres, que são a frente de todas essas mobilizações no Brasil.

E fica a pergunta: por quê nós?

Mesmo que há meses a população estivesse engasgada com todos os ataques de Cunha, acredito que nosso protagonismo e confiança nas ruas é pelo fato de sermos as mais atingidas pela precarização dos direitos trabalhistas; as que acumulam tarefas de trabalho, de domésticas e de criação dos filhos sofrendo diretamente com os impactos da crise que corta vaga de escolas e não garante saúde; sermos as mães solteiras que sofrem com a violência contra os seus filhos; as que morrem com a criminalização do aborto; as que sofrem diversas violências cotidianas e vêm seus direitos sendo negociados pelos homens na política.

Quando gritamos #ForaCunha queremos dar um basta, gritamos a necessidade de transformar essa sociedade operada por uma tradição política decadente de atender os interesses de poucos. Poucos homens.

Vejo me pertencendo a uma nova geração de mulheres, corajosas e criativas, com novas bandeiras e métodos de luta, que vão construir uma ideia revolucionária de que somos nós, mulheres, que vamos fazer um desses poderosos caírem. O Cunha será o primeiro!

Dia 12 balançamos novamente a cadeira do Cunha na Câmara. E no dia 25 de novembro, Dia Internacional de Combate à Violência Contra Mulher, todas as mulheres do país vão voltar as ruas para o Cunha cair!

Espero que ainda mais mulheres se somem a essa primavera, que é realmente o anúncio de novos tempos para a política e para todas as mulheres. Vamos Juntas!

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017