Reorganização do Ensino: Fernão Dias resiste!

Icaro Bendas 10/nov/2015, 19h00

A mobilização contra a reorganização do ensino público paulista cresce e se radicaliza mais a cada dia. Foram dezenas de atos, centrais e descentralizados, ocorridos nas últimas semanas em todos os cantos da capital e do interior. Dos estudantes de Ribeirão Preto até ao Grajaú, o verbo é uníssono: não aceitamos nenhum direito a menos, nossas escolas não vão fechar!

Essa juventude indignada que invoca o espírito de Junho de 2013 com suas palavras de ordem e cartazes em letra cursiva é a juventude cansada da precarização do ensino, da falta de infraestrutura, democracia e condições adequadas de vivência aos alunos, professores e funcionários.

Na manhã de hoje os estudantes da Escola Estadual Fernão Dias Paes – no bairro de Pinheiros, capital – em progressão ao levante ocorrido na Escola Estadual Diadema, ocuparam todo o prédio da escola, com mais de duzentas pessoas mobilizadas para dizer não à realocação de seus ciclos do ensino médio, e um basta a toda medida da reorganização.

Escrevo agora de frente ao colégio, junto de dezenas de jovens que estão fechando a Avenida Pedroso de Moraes em apoio à ocupação.

Sofremos com dois grandes problemas: a forte repressão da Polícia Militar, que com seus sprays de pimenta em mãos levantam o tom para menores, os coagindo e dando até voz de prisão. Adotando uma política de “ninguém entra, ninguém sai” , fez-se um cerco com dezenas de viaturas ao redor do colégio, e aqueles que escolhem deixar o prédio são obrigados a passar o número do RG, sob o aviso de que receberão uma ligação mais tarde – sem mencionar a indecente “proposta” da PM, de “disponibilizar” um ônibus para levar todos os jovens à delegacia.

Por outro lado, há ainda a imoralidade oportunista da mídia da ordem, que acusa os estudantes de depredar o patrimônio público – o que não ocorreu – distorcendo completamente o intuito da ocupação e encobrindo as viaturas e camburões. Por mais perigoso e repressivo que esteja, a juventude não se cansa.

Os que estão ocupando o prédio decidiram em assembleia que continuarão por longas horas na mobilização, pretendendo se estender até o dia de amanhã, mesmo com a polícia impedindo a entrada de água, comida e colchões no prédio através das grades. Já os que estão na rua, seguem cantando em apoio à causa, mostrando que nenhuma sirene calará nossa voz, que nenhuma repressão irá nos parar.

A reorganização do ensino pretende fechar mais de cem escolas em todo estado, além de demitir milhares de funcionários e professores.

Não obstante, esse governo que fecha escola e acaba com a água, é o mesmo que articula os meandros da redução da maioridade penal, o mesmo que reprime cada vez mais a juventude periférica com autoritarismo e violência.

A radicalização dos estudantes em defesa dos próprios direitos e de uma educação emancipadora, de qualidade, é a prova que ninguém suporta mais um ensino sucateado, com professores mal remunerados e falta de diálogo com a juventude, ninguém aceitará mais o ensino antiquado e defasado que é oferecido às filhas e filhos dos trabalhadores.

Por isso, a luta da educação é a luta de todos. Mais do que nunca, a escola é nossa!

Todo apoio à Ocupação E.E.Fernão Dias Paes

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