Unidade para avançar nas lutas estudantis na UFRGS!

Kassiele Nascimento 09/dez/2015, 16h29

Em tempos de ajuste e de ataque aos direitos civis e trabalhistas a unidade daqueles que lutam é fundamental para avançar nas lutas da juventude e dos trabalhadores. Nesse sentido construímos em 2015 dentro do DCE da UFRGS uma unidade entre diversos estudantes, coletivos e trabalhadores para enfrentar o desmonte da educação que já acumula um corte de mais de R$10 billhões. Só na UFRGS foram R$ 45 milhões. E diante das perspectivas de mais cortes no próximo ano, sabíamos que a disputa do DCE não seria apenas uma disputa pela entidade, mas sim uma disputa de projetos para a educação pública. Sendo assim, a construção da unidade em torno da chapa 5 – Lado a Lado Somos Muito Mais (composta por estudantes independentes e pelos coletivos Juntos!, Vamos à Luta, Contestação, Primavera em Construção, União da Juventude Comunista, Alicerce, Outros Outubros Virão.) e a sua vitória nas urnas derrotando o projeto elitista de universidade expressado pela chapa 4 – Novo DCE, é mais um importante passo na luta dos estudantes de todo o Brasil.

Em 2016 a UFRGS terá 50% das suas vagas destinadas a estudantes cotistas. Um momento histórico que marca a luta daqueles que querem uma universidade cada vez mais popular onde negras e negros, mulheres, LGBTs e indígenas possam entrar, permanecer e serem respeitados. Hoje a UFRGS tem evasão de 40% dos estudantes indígenas, não possui vagas suficientes nas casas de estudante e segundo pesquisa da própria universidade, 87% dos seus estudantes possuem algum tipo de preconceito. Mais que colorir a UFRGS, precisamos mudar radicalmente sua estrutura. Em 2015 conseguimos suspender a Resolução 19 que havia expulsado 998 estudantes, sob o pretexto de mau desempenho, em 2016 precisamos derrotar definitivamente essa resolução. É de imensa importância que a entidade histórica e referência do movimento estudantil siga conectada com as demandas estudantis, que se coloque contrária às políticas de ajuste implementadas pelo governo federal e que combata o pensamento conservador, o retrocesso – representado por aqueles que, historicamente, têm se posicionado contra a popularização da universidade.

Sem transparência de suas contas e com uma democracia sem paridade, a Reitoria age cada vez mais como braço do Governo Federal. Sua única resposta ao movimento estudantil são mais ataques aos nossos direitos, com medidas que remontam aos tempos de ditadura. No dia 18 será votado no Conselho Universitário o parecer que visa deixar as escolhas das representações discentes a cargo de cada direção de curso e tira dos estudantes o direito de escolher seus representantes nos órgãos internos da universidade. Para completar a Reitoria decide pela proibição do uso dos espaços dentro da UFRGS e criminaliza o movimento estudantil por organizar festas no espaço público da universidade que têm por objetivo manter, de forma independente, a política financeira dos DAs. Essas medidas são tentativas de calar o movimento estudantil combativo que desde o início do ano se mobiliza contra os cortes na educação.

Frente a isso nossa vitória tem uma importância fundamental, pois somente com a unidade dos que enfrentam o ajuste será possível derrotar os ataques da Reitoria e do Governo Federal. Seguiremos o exemplo dos secundaristas de São Paulo que enfrentam o governo Alckmin contra a reorganização escolar e dos estudantes da UERJ que ocupam os seus campi contra a precarização da universidade – que não pagou os valores das bolsas-auxílios dos estudantes, comprometendo a permanência dos mesmos-, resultado direto da profunda crise pela qual atravessa a educação publica brasileira. Nossa luta é a mesma, e lado a lado somos muito mais fortes. No dia 18 de dezembro vamos todos a Reitoria lutar lado a lado em defesa da autonomia estudantil!

  • Kassiele Nascimento, Coordenadora Geral DCE UFRGS Gestão Lado a Lado Somos Muito Mais- 2016

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017