Fui violentada em Fernando de Noronha

Juntas 21/jan/2016, 22h48

Quando um homem acha que pode violentar uma mulher, todas nós somos violentadas. Não importa a justificativa, não há! E se acham que vamos nos sentir culpadas ou envergonhadas, gritamos juntas e mais alto, não nos calaremos! Porque a impunidade é o principal motivo da reincidência.
Então gritemos juntas bem alto, que também somos gente, que também temos direitos. Que temos voz e temos vontades. Que temos nossos desejos, nossos sonhos e fazemos nossas escolhas.

Se gostamos de sair a noite, de dançar, cantar, beber ou viajar. Se nos vestimos como queremos, conversamos com quem escolhemos ou sorrimos em troca de sorrisos, não significa nada além disso. Pode até ser que um dia venha a querer algo mais, mas jamais pode ser uma obrigação. Em nenhum momento, em nenhum tipo de relação, não importa o motivo. Nada justifica a violência contra a mulher!

E não venha me dizer que não devia ter me exposto ao risco. Viver é se colocar em risco. Quem tem medo não sai de casa, não conhece o mundo, não mergulha em Noronha, não engravida. Estamos expostas ao risco desde que nascemos, simplesmente por sermos mulheres e vivermos em uma sociedade machista.

Se quiser me ajudar não me culpe, não questione detalhes, nenhuma mulher merece! Não tente me ensinar ainda mais coisas que eu devo ou não devo fazer. Não pense que sabe o que eu sinto ou o que eu quero. Não me cale! Se quiser me ajudar, me escute. Não apenas com os ouvidos ou com os olhos que leem esse texto. Tente internalizar essas informações, ressignificar seu modo de pensar, reconstruir suas atitudes em relação às mulheres.

Piadas machistas reproduzem a violência sim, assim como as racistas e homofóbicas. Violência não é apenas física. Elogio é diferente de assédio, se você não sabe a diferença busque entender antes de criticar. Precisamos romper esse ciclo e respeitar a liberdade da mulher. Precisamos nos empoderar e não nos restringir mais.

Essa petição foi criada para exigir que o tema seja tratado com prioridade na audiência pública que pretende discutir os problemas estruturais de Fernando de Noronha. Esse não foi o primeiro caso ocorrido na ilha, mas enfrentamos enormes dificuldades para denunciar. Denunciar é pedir apoio e não mais violência. A preocupação com a imagem de um lugar não pode ser maior que a disposição em oferecer segurança a sua comunidade, seja residente ou turista.

Pedimos solidariedade. Assinem e divulguem essa petição. Somos todas mulheres.

Link para a petição:
https://secure.avaaz.org/po/petition/Ministerio_Publico_de_Pernambuco_Que_a_seguranca_da_mulher_seja_assunto_prioritario_na_audiencia_publica/?cfrUpbb

  • A autora do texto solicitou não ser identificada.