O estranho caso da morte de Thayná Verena: quanto vale a vida das mulheres?

Elisabete Silva 21/jan/2016, 18h05

Sob os holofotes, a morte de uma adolescente, em Ilhéus, na madrugada do dia 16. Na penumbra, as circunstâncias que teriam levado ao seu trágico fim. Entre declarações controversas do ex-namorado, Rodrigo Lavigne Weyll, e o desespero de amigos e familiares, me pergunto: quanto vale a vida de Thayná Verena?

Durante toda a semana, fui bombardeada por textos, veiculados em blogs da região, a respeito do possível “acidente” envolvendo Thay Verena. Passado o choque inicial, resolvi visitar o perfil dos familiares da jovem, a fim de entender melhor o que havia se passado. Feito isso, alguns pontos, em especial, me chamaram a atenção: a embriaguez do rapaz, as relações de poder envolvendo o caso e, vejam só, a culpabilização da vítima (nada novo sob o sol).

(Uma pausa para alguns esclarecimentos: a mim não cabe, nem poderia, dizer o que ocorreu naquela noite. No entanto, reconhecendo o sistema opressor em que vivemos e, mais do que isso, as falhas da justiça no que diz respeito ao feminicídio, me vejo no dever de me posicionar. Não apenas por mim, mas também, e principalmente, pela vida de Thay e de todas as mulheres.)

Acontece que, por mais horrível que possa parecer, em poucos dias, tudo isso cairá no esquecimento. Foi assim com Eloá, com Patrícia, com Liana e com as milhares de mulheres já mortas no Brasil. E o que podemos fazer diante disso? A resposta é simples: não nos calemos! Felizmente, a nosso favor, temos a internet, que nos permite compartilhar informações e atentar para que o caso seja investigado e que a justiça, de fato, seja feita.

Afinal, e eu retomo a minha pergunta, quanto vale a vida dessas mulheres? O preço de uma fiança, talvez? Pois eu lhes digo: não em nosso nome! Toda minha solidariedade à família e aos amigos de Thay.

 

*Elisabete Silva é estudante de Letras na Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), em Ilhéus-BA

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