Entrega da exploração do Pré-Sal era desejada desde 2009, segundo Wikileaks

David Miranda 25/fev/2016, 19h07

Na noite desta quarta-feira (24) foi aprovado no Senado um projeto de lei que substitui a regra que garantia a exclusividade da Petrobras na exploração do petróleo na camada do pré-sal. Com 40 votos favoráveis, 26 contra e duas abstenções, o PLS 131 de autoria do senador José Serra (PSDB-SP) segue agora para apreciação da Câmara dos Deputados.

Na discussão entre os parlamentares da casa legislativa, foram apontados o endividamento e os escândalos de corrupção descobertos na Operação Lava-Jato como motivos para que entregar a estatal ao capital estrangeiro. Não obstante todos esses problemas, que já levam décadas na empresa, não podemos esquecer que o senador José Serra, autor do projeto, já havia prometido a entrega da empresa, como prova um telegrama intitulado “A indústria de petróleo vai conseguir combater a lei do pré-sal?”, enviado a Washington pelo consulado estadunidense no Rio de Janeiro em dezembro de 2009, e revelado através do Wikileaks.

Esse telegrama foi um dentre outros documentos vazados que mostram a insatisfação das petroleiras com a lei que havia sido aprovada então, e o pesado lobby em movimentação no Senado para alterar essa lei, em favor dos interesses das petroleiras estrangeiras: “As regras sempre podem mudar depois”, teria afirmado Patrícia Padral, uma executiva da Chevron, que disse ainda que o tucano teria prometido mudar as regras de exploração caso fosse eleito presidente nas eleições de 2010.

O que aconteceu ontem foi apenas mais um episódio que mostra o grande poder da influência do império estadunidense, que se movimenta para defender exclusivamente seus interesses na geopoítica global.Aprofundamos o modelo de privatização de nossas reservas naturais e entrega ao capital estrangeiro, um triste fim de uma história que começou na década de 50 com a descoberta de petróleo na Bahia, fomentando a campanha “O petróleo é nosso!” que culminou com a fundação da Petrobras em 1953. Precisamos barrar mais esse retrocesso e garantir a soberania nacional! E devemos ainda apontar os culpados pela entrega de nosso patrimônio, que vem sendo vendido desde o auge do período neoliberal, e que não cessou com os governos do PT.

A aprovação do projeto só foi possível por um acordo feito entre o governo da presidente Dilma Rousseff, em parceria com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB – AL) e o próprio autor do mesmo, o senador José Serra. O recurso pertolífero trata-se de um bem comum da população brasileira, para fins de interesses nacionais em investimentos nas áreas sociais, assim sendo deve permanecer sob a tutela do Estado sob garantia da defesa dos interesses do povo. Em tempo, Julian Assange – jornalista responsável pela fundação do Wikileaks que revelou estes telegramas segue preso na embaixada equatoriana em Londres sem poder efetivar o asilo político que lhe foi concedido por Rafael Correa, presidente do país sul-americano, sem nunca ter recebido apoio do nosso governo, assim como Edward Snowden que teve seu pedido de asilo negado.

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017