A Mulher Solteira Americana

Juntas 26/fev/2016, 13h37

A eleitora mais forte esse ano, que em seus crescentes números se tornou uma categoria de cidadão completamente diferente é:

A Mulher Solteira Americana

Por Rebecca Traister*

Quando eu entrei pelo corredor – ou melhor, entrei no gabinete do juiz – em 2010, aos 35 anos de idade, eu tinha vivido 14 independentes anos do início da minha idade adulta, os quais minha mãe passou casada. Eu tinha feito amigos e brigado com eles, tinha me mudado de e para apartamentos, tinha sido contratada, demitida, promovida e tinha pedido demissão. Eu tinha tido colegas de quarto e tinha vivido sozinha; Eu tinha usado várias formas de anticoncepcionais e naveguei por alguns problemas médicos meio sérios; Eu tinha pago minhas próprias contas e não conseguido pagar minhas próprias contas; Eu tinha me apaixonado e me desapaixonado, e gasto 5 anos consecutivos sem muito remorso. Eu tinha aprendido a andar pelos bairros novos, ficado com medo e me sentido completamente em casa; Eu havia tido desilusões amorosas, medos, felicidades e tédio.

Eu era gente grande: uma pessoa razoavelmente complicada. Eu tinha me tornado aquela pessoa não na companhia de nenhum homem, mas ao lado de meus amigos, minha família, minha cidade, meu trabalho, e, simplesmente, por minha conta.

Eu não estava sozinha.

Em 2009, a proporção de mulheres americanas que eram casadas caiu pra menos de 50%. Em outras palavras, pela primeira vez na história americana, mulheres solteiras (incluindo aquelas que nunca se casaram, viúvas, divorciadas, ou separadas) estavam em maior número que as casadas. Mais chocante ainda, o número de adultos abaixo dos 34 anos que nunca se casaram tinha chegado aos 46%, subindo 12 pontos percentuais em menos de uma década. Para mulheres abaixo dos 30, a probabilidade de estar casada se tornou impressionantemente pequena: Hoje, apenas 20% das americanas estão casadas até os 29, comparadas a quase 60% em 1960.

É uma mudança radical, uma realização nacional com implicações sociais e políticas massivas. Em todas as classes, e raças, estamos vendo uma revisão drástica de o que a “vida de mulher” significa. Nós estamos vivendo a invenção da vida adulta feminina independente como uma norma, não uma aberração, e a criação de uma completamente nova população: mulheres adultas que não dependem dos homens com quem casam, nem se definem por eles, economicamente, socialmente, sexualmente ou reprodutivamente.

Essa reorganização da nossa cidadania, diferentemente dos movimentos sociais que a precederam e a tornaram possível – desde a abolição da escravidão e das lutas por sufrágio e direitos trabalhistas nos séculos XIX e XX até os movimentos por direitos civis, direitos das mulheres e direitos gays no meio do século XX – não é um evento com consciência política própria. As mulheres de hoje não estão, na maior parte, abrindo mão ou adiando o casamento pra provar alguma coisa sobre igualdade. Elas estão o fazendo porque elas internalizaram suposições de que há menos de meio século soariam radicais: que está tudo bem se elas não se casarem; que elas são pessoas completas, capazes de viver vidas profissionais, econômicas, sociais, sexuais e maternas completas, por conta própria, se por acaso elas não conheçam uma pessoa com a qual queiram se conectar juridicamente falando. A mais radical das ideias feministas – a não obrigatoriedade do casamento – se tornou algo tão amplamente abraçado que se tornou um hábito, drenado de suas intenções políticas mas mais do que nunca potente, ao ponto de ter remodelado o curso da vida comum de uma mulher.

Eu não estou argumentando que a “solteirice” é de fato um estado melhor ou mais desejável que um relacionamento. Muitas mulheres solteiras, de todas as classes e raças, gostariam de se casar – ou ao menos formar parcerias recíprocas, longas e baseadas no amor, e muitas delas o fazem, se relacionando ou cohabitando sem de fato se casarem. Mesmo assim, o aumento do número de mulheres solteiras é uma mudança excitante de eventos históricos porque ele traz consigo uma total mudança de pensamento sobre quem são as mulheres e o que é familia, e quem tem o papel de domínio dentro – e fora dela. (Pode parecer que a jornada em direção ao reconhecimento legal do casamento de gays e lésbicas também contribui nesse sentido, mas ela também é parte do mesmo desmantelamento da estrutura de poder sobre a qual a instituição tradicional foi construída.)

Pra além de se você considera essa mudança como perigosa ou excitante, ela está tendo um efeito profundo na nossa política. Mesmo geralmente não recebendo crédito por isso, as circunstâncias mudadas pelas mulheres solteiras são o que está guiando a agenda política que aparenta estar se tornando mais e mais progressista todos os dias. As praticidades da vida feminina independente do casamento trazem à tona demandas por igualdade de salários, licença maternidade remunerada, um salário mínimo mais alto, pré-escola universal, custos com faculdade mais baixos, serviços de saúde mais baratos, e direitos reprodutivos amplamente acessíveis; muitos desses são problemas que vêm, por muitos anos, sendo considerados muito delicados pra serem tópicos centrais ou prioritários no discurso dos Democratas, mas mesmo assim são políticas apoiadas por ambos os candidatos dos Democratas à presidência.

As mulheres solteiras estão se tornando mais e mais poderosas do ponto de vista de massa votante. Em 2012, mulheres não-casadas foram incríveis 23% do eleitorado. Quase um quarto dos votos na última eleição presidencial foi feito por mulheres sem maridos, três pontos a mais do que quatro anos atrás. De acordo com Page Gardner, fundadora do “Voter Participation Center”, nas últimas eleições presidenciais em 2012, mulheres não-casadas lideraram nas listas de votantes em quase todos os grupos, compondo “quase 40% na população afro-americana, próximo de 30% na população latina, e cerca de um terço dos jovens.”

Talvez mais dramaticamente que qualquer outro bloco de votantes, mulheres não-casadas – compreendendo como fazem outros grupos com tendências liberais incluindo mulheres jovens e “mulheres de cor” – tendem à esquerda. Bem à esquerda. Mulheres solteiras votaram em Barack Obama por uma margem larga em 2012 – 67 a 31 por cento – enquanto mulheres casadas (que tendem a ser mais velhas e mais brancas) votaram em Romney. E as tendências políticas das mulheres não-casadas não são, como foi suposto em alguns trimestres, atribuíveis apenas à diversidade racial. De acordo com o centro de pesquisas Lake Research Partners, enquanto mulheres brancas como um todo votaram mais em Romney do que em Obama, mulheres brancas não-casadas preferiram Obama do que Romney por uma margem de 49.4% a 38.9%. Em 2013, o colunistas Jonathan Last escreveu sobre um estudo a respeito de como mulheres com idades entre 25 e 30 anos votaram nas eleições de 2000. “Aconteceu que,”Last escreveu no The Weekly Standard, “o índice de casamento dessas mulheres foi uma grande influência na opção de voto do que qualquer outra variável.”

Tudo isso nos leva à pergunta de como o estado civil pode afetar os padrões de voto de uma mulher em 2016. Isso seria uma eleição criticamente importante para esse período, mesmo sem uma cadeira na Suprema Corte potencialmente em jogo, mas a morte súbida de Antonin Scalia coloca uma certa dúvida no ar. Os casos levados perante a Corte, e as decisões tomadas, vão estar fortemente atrelados a questões da independência das mulheres nos Estados Unidos: a possbilidade das mulheres controlarem sua reprodução, de buscarem se afastar da discriminação no ambiente de trabalho e de se benficiarem de programas como ação afirmativa que impulsionam suas chances de buscar oportunidades iguais; os direitos de mulheres pobres e mulheres “de cor” a votar com facilidade – essas são as questões que vão ser decididas pela Corte nas próximas décadas, e por isso em algum nível nessas eleições.

Por enquanto, qualquer afinidade que as mulhers solteiras possam sentir com a Hillary Cliton está sendo enterrada pela visão aspiradamente progressista de Bernie Sanders. Mulheres jovens – mulheres jovens e solteiras, pelo menos as predominantemente brancas que até agora já votaram – depositaram a confiança nele em números estrondosos, tanto em Iowa quanto em New Hapshire. Em New Hampshire, de acordo com a boca de urna, Sanders bateu Clinton por 11 pontos com mulheres e por 26 pontos com mulheres solteiras. Um pouco disso é atribuível ao charme despenteado e à justa raiva do senador socialista, e um pouco à dificuldade de Clinton em fazer uma campanha inspiradora. Mas muito disso pode também ter a ver com o fato de que mulheres solteiras – vivendo suas vidas fora da instituição que teve políticas tributárias, sociais e de moradia construídas em torno dela – têm um leque de necessidades que ainda precisa ser atendido pelo governo. Ironicamente, Clinton ficou meio acanhada em algumas dessas questões – reforma no sistema de saúde, seguro de saúde para crianças, educação no início da infância – durante boa parte de sua carreira. Mas talvez por causa disso, ela pode parecer menos otimista que seu oponente: “Eu não penso, politicamente, que nós conseguiríamos isso agora,” disse Clinton sobre licença maternidade paga dois anos atrás, um sinal de como essas mudanças de políticas pareceram improváveis até muito recentemente, e também de seu pragmatismo evidente. A questão, nesse ano das mulheres solteiras, é se a primeira plausível candidata à presidência pode reconhecer como sua base eleitoral mudou e capitalizar em cima dessas mudanças, ou se ela vai ser atropelada por esse crescente grupo de eleitoras respondendo a promessas mais otimistas.

Essa não é a primeira vez que mulheres solteiras tiveram um impacto tão dramático no país. De fato, em qualquer momento da história que você vê um número crescente de mulheres solteiras, você vê mudança. No século XIX, quando as baixas da Guerra Civil e a falta de homens no Oeste americano mexeu com a proporção dos gêneros, a taxa de casamento pra mulheres brancas de classe média na Costa Leste despencou e a idade em que se casavam subiu. Sem a sobrecarga das responsabilidades de serem esposas e mães, muitas daquelas mulheres fizeram o que as mulheres foram treinadas pra fazer desde sempre: se debruçar nos serviços à comunidade, nesse caso, movimentos de reforma. Muitas delas, porém de maneira alguma todas, que lideraram as lutas contra a escravidão e a favor do sufrágio, assim como contra os linchamentos, que fundaram e dirigiram novas faculdades para mulheres (Mount Holyoke, Smith, Spelman), que foram pioneiras em novos campos incluindo enfermagem e medicina, eram não-casadas. Susan B. Anthony; Sarah Grimké; Jane Addams; Alice Paul; Catharine Beecher; Elizabeth Blackwell: Nenhuma dessas mulheres tinha maridos. Muitas outras ativistas tinham casamentos que não eram convencionais para a época – breves, abertos ou começados tardiamente, depois das mulheres terem se estabelecido econômica ou profissionalmente.

Essas mulheres tiveram uma mão em reescrever a Constituição via as emendas 14, 15, 18, 19 e 21. Essa onda de mudanças entre o começo e o meio do século XX foi tão boa, que houve uma repercussão cultural, desde a patologização da vida de solteira até o encorajamento de envolvimento heterossexual precoce através de “namoro.” Até Tedd Roosevelt, como parte de uma campanha contra “suicídio racial,” se dirigiu à mulher branca de classe média reclamando de não conseguirem se reproduzir em altas taxas. “Uma raça é inútil,” disse ele, “se as mulheres param de se reproduzir livremente.”

Por meados do século XX, o recuo patriótico das mulheres da força de trabalho após a 2ª Guerra Mundial inaugurou uma nova marca de domesticidade no casamento, fortemente apoiada pelo governo. Graças ao “GI Bill”, veteranos que retornavam da guerra (ou ao menos veteranos brancos, que tinham muito mais chances de entrar na universidade) poderiam receber educação universitária gratuita capaz de impulsioná-los à crescente classe-média. Enquanto isso, o governo federal emprestou dinheiro a juros baixos e construiu infraestruturas suburbanas que poderiam abrigar milhões de crianças que as mulheres americanas estavam ocupadas fazendo. Isso era um ótimo, e elíptico sistema. Os publicitários vendiam tanto aos homens quanto às mulheres um ideal de cultuar a domesticidade à moda antiga: que o chamado maior às mulheres era a manutenção de um santuário doméstico para os homens, dos quais elas dependiam economicamente. Para tomar conta da casa, essas mulheres dependeriam de novos produtos, como aspiradores de pó e máquinas de lavar roupas, dos quais as vendas iriam encher os bolsos dos maridos que comandavam as empresas que vendiam esses produtos.

A pressão não era simplesmente para as mulheres se casarem, mas se casarem cedo, antes mesmo de ter um gostinho da vida independente. Um panfleto da Associação Americana de Higiene Social (American Social Hygiene Association) em 1949 advertia que “O casamento está melhor do que nunca. Mas o casamento precoce dá mais oportunidade de alegre camaradagem… para se ter e treinar as crianças… promovendo uma vida em família como negócio comum, e poder ver seus netos começarem suas carreiras.”

Ao fim dos anos 50, cerca de 60% das estudantes mulheres estavam saindo da faculdade, ou para se casar ou porque as ofensivas da mídia e o realinhamento de expectativas os levavam a acreditar que educação mais extensa diminuiria suas chances de encontrar um marido. Nesse texto da Harper’s de 1957, chamado “A juventude americana se torna monogâmica,”Charles Cole, presidente da faculdade Amherst, escreveu que “uma garota que chega tão longe quanto seus últimos dois anos na faculdade sem ‘adquirir’ um homem é vista como em grandes chances de ‘ficar pras titias.’” Naqueles anos, cerca de metade das noivas tinham menos de 20, e 14 milhões de mulheres estavam noivas até os 17 anos.

Mas enquanto as mulheres brancas se casavam em maiores números mais cedo, as taxas de casamento de afro-americanas começaram a cair. Pelos anos 70, mulheres negras não estavam se casando nem de perto tão frequentemente quanto as brancas. Não havia nada de benigno ou coincidência. Os benefícios econômicos que se estendiam à classe média branca, tanto durante o New Deal quanto nos anos pós Segunda Guerra, não se estendiam aos afro-americanos. A previdência social, criada em 1935, não se aplicava a trabalhadores domésticos ou agricultores. Práticas discriminatórias de contratação, a baixa porcentagem de trabalhadores negros nos novos e mais fortes sindicatos do país, e o persistente abismo de diferença salarial, somados com o fato de que muitas faculdades barravam a matrícula de estudantes negros, significavam que os militares negros voltando tinham muito mais dificuldades em se aproveitar da promessa de educação superior do GI Bill. E os subúrbios que prosperavam ao redor das cidades americanas depois da guerra eram quase que completamente para famílias brancas.

Essas manobras sedimentaram um ciclo de desvantagens econômicas que fizeram o casamento – especialmente os casamentos tradicionalmente patriarcais que as mulheres brancas eram forçadas a aceitar – menos prático. Se mulheres negras estavam trabalhando o dia todo (geralmente limpando as casas de mulheres brancas), era impossível pra elas realizar o ideal de mãe que vive em casa, pelo qual as mulheres brancas estavam sendo parabenizadas por alcançar. Se os homens negros tinham mais dificuldades em conseguir educação e arrumar emprego, conseguir salários competitivos ou empréstimos, era mais difícil pra eles ocupar o papel de provedor da família. Se não havia vagas subsidiadas pelo governo pra serem ocupadas por crianças produto da educação pública, então o funil da família nuclear pela qual as mulheres brancas estavam passando não estava aberto para a maioria das mulheres negras. Não é que as mulheres negras simplesmente não tiveram a experiência da domesticidade dos anos 50; elas foram ativamente barradas disso, encurraladas em outro sentido – barradas em vizinhanças sem serviços públicos por muros acústicos das autovias que eram usadas por maridos brancos razoavelmente bem remunerados que voltavam pra casa pra suas esposas, que por sua vez eram aprisionadas em seus pacatos subúrbios.

Os movimentos de direitos civis e de direitos das mulheres, junto da revolução sexual do fim do século XX, trouxeram enormes ganhos nas esferas legislativa e judicial para as mulheres, solteiras e casadas, claro. Mas muito infelizmente, mesmo que as tenham chegado mais próximas de participação profissional igualitária, avanços na educação e libertação sexual, fazendo, por conseguinte, a vida no casamento em si uma instituição melhor e mais igualitária, ainda existem alguns resquícios do contrato social dos anos 50. O casamento ainda melhora a posição profissional dos homens, enquanto piora a das mulheres. Um estudo de 2010 feito pela Associação Histórica Americana (American Historical Association) mostrou que, em média, uma historiadora casada demorava em média 7.8 anos pra chegar ao topo da carreira de docência, em comparação aos 6.7 anos que uma mulher solteira gastava para chegar ao mesmo nível. Para homens, o padrão era inverso: Solteiros gastavam 6.4 anos para chegar ao topo da carreira docente, comparados aos 5.9 anos que homens com esposas em casa gastavam. Para homens, o casamento, e presumidamente o apoio doméstico advindo das esposas, fortalecido pelo foco profissional. Para mulheres, a falta do casamento e de suas responsabilidades de “assistente” são os fatores que às permitiam ganhar promoções mais rapidamente.

Menos surpreendente, mas ainda revoltante, é que os mesmos padrões se aplicam a ter filhos. A socióloga Michelle Budig vem estudando o abismo de diferença salarial baseada em gênero que existe entre pais e mães por anos, e, em 2014, descobriu – baseando-se em dados entre 1979 e 2006 – que, em média, homens viam aumentos de 6% nos salários depois de se tornarem pais; em contraste, os salários das mulheres caíam 4% para cada filho. O abismo se estreitava significativamente para mulheres em profissões de alto-escalão, sem falar que essa parte da população tende a se casar mais tarde, depois que suas carreiras já ficaram mais estabelecidas. Mas outro estudo de 2014, feito por graduandos da Faculdade de Negócios de Harvard (não fica mais alto-escalão que isso) descobriu que até mesmo as esposas bem remuneradas, super-educadas não estavam alcançando seus objetivos econômicos e profissionais, em grande parte porque, apesar de terem educações e ambições comparáveis, aquelas mulheres estavam colocando as carreiras de seus maridos antes das suas próprias. Apenas 7% das mulheres da geração X, graduandas da Escola de Negócios de Harvard disseram que esperavam que suas carreiras tivessem mais prioridade que as de seus esposos. Mais de 60% dos homens da geração X que responderam ao questionário disseram que esperavam que suas carreiras seriam a prioridade máxima. Oitenta e oito por cento dos homens da geração X e dos “baby boomers” disseram que suas esposas tomavam a maioria das responsabilidades de cuidar das crianças.

Será tão impressionante que as mulheres não estão tão ansiosas pra vestir o véu pra casar? Hoje, atrasar o casamento é uma tática que as mulheres estão fazendo por todo o país, e por todas as classes, tanto consciente quanto inconscientemente, e o impacto econômico é claro. Em 2013, a Pew publicou dados do Censo revelando que, nas palavras do relatório, “as mulheres jovens de hoje são as primeiras na história moderna a começar suas vidas profissionais com quase a mesma idade que os homens. Em 2012, entre os trabalhadores com idades entre 25 e 34 anos, a remuneração por hora das mulheres era de 93% dos homens.” Essas trabalhadoras representam a mesma geração de mulheres que estão continuando não-casadas por mais tempo do que nunca. Continuar não-casada durante uma porção do início da vida adulta, especialmente para mulheres com educação superior, está intimamente ligado com ganhar dinheiro. O relatório “Knot Yet Report” [em tradução livre, “O relátorio do ‘casar ainda não’”], publicado em 2013, revelou que uma mulher com educação superior que atrasa seu casamento até os 30 anos vai ganhar por ano 18 mil dólares a mais que uma mulher com educação equivalente que casou por volta dos 20. Mulheres sem educação superior também ganham a mais quando atrasam o casamento pros 30 anos de idade, ainda que o aumento gire em torno dos 4 mil dólares ao ano. (No caso dos homens, tanto os com educação superior quanto os sem, há um aumento dos salários quando se casam.)

Sabendo ou não dessas estatísticas conscientemente, muitas americanas às entendem instintivamente. Inspiração acadêmica, a urgência em capitalizar sobre a oportunidade de educação, um plano pra afastar ralações românticas que distraem, todo o desejo consciente pra fazer a independência mais tarde possível. Essas motivações foram mencionadas por quase todas as mulheres recém-formadas ou graduandas que entrevistei recentemente.

“Eu sei que soa exagerado,” disse Amanda Litman, que estava no último ano na Northwestern University quando falei com ela, “mas eu realmente falo sério quando digo que me casar agora iria arruinar minha vida. Eu quero liberdade. Eu quero a chance de juntar as coisas e me mudar pra uma cidade nova pra um emprego novo ou por aventura, sem ter que me preocupar com outra pessoa ou uma família. Eu preciso poder ficar no escritório até as três da manhã se eu tiver que ficar e não me preocupar em fazer a janta.”

Os motivos das mulheres de baixa renda que demoram pra se casar ou abrem mão dele não são tão diferentes daqueles de suas amigas privilegiadas, ainda que os recursos que elas têm sejam muito mais escarços, as oportunidades alternativas são muito mais limitadas. Por todas as classes, mulheres estão vivendo mais anos independentes do casamento porque, primeiro, agora é possível fazer isso, e porque é muitas vezes uma decisão que faz mais sentido, econômica e emocionalmente.

Em 2012, a campanha de Barrack Obama lançou uma peça de propaganda que estrelava uma personagem de desenho chamada Julia. “Julia” nasceu, se formou na faculdade, teve uma carreira e uma criança, graças, em parte, à ajuda de programas do governo. De acordo com a linha do tempo simples da Julia, a vida dela não incluiu casamento.

Os conservadores foram à loucura. Um escritor de coluna editorial do Washington Post a chamou de “Mary Tylor Moore à custa do dinheiro público”; lamentou que enquanto ser mãe ou pai solteiro costumava ser um estado de desgraça, mães solteiras agora são um “novo e orgulhoso grupo nos EUA”; e descreveu um mundo em que mulheres independentes recebem do seu governo um “marido Estado”, que substituiria os maridos pelo Tio Sam.

Durante as preparatórias pras eleições de 2014, a palpiteira da Fox News, Jesse Watters opinou que as mulheres solteiras “dependem do governo porque elas não dependem de seus maridos. Elas precisam de coisas como anticoncepcionais, saúde, e elas amam falar sobre igualdade salarial.” A palpiteira conservadora Phyllis Schlafl foi longe ao ponto de dizer que em 2012 o Presidente Obama estava trabalhando para manter as mulheres solteiras, através do esforço em dar a elas tantos serviços sociais. “O Presidente Obama está simplesmente tentando promover mais dependência em esmolas do governo porque ele sabe que aqueles são seus eleitores,” disse Schlafly.

A noção de que o que a forte e crescente população de mulheres americanas solteiras precisam do governo é de que ele seja um marido (ou um ginecologista, de acordo com o caso de um comercial pago por Koch em 2013 contra o Obamacare que estrelava um Tio Sam grotesco aparecendo de forma estranha de um exame pélvico) é, claro, problemático. Isso reduz todas as relações que as mulheres têm a relações dentro do casamento, sexuais, heterossexuais e sugere que elas são, por natureza, seres dependentes, em busco de alguém – se não um marido, então alguém eleito ou um conjunto de políticas públicas – para dá-las suporte e cuidar delas.

Se as mulheres solteiras estão ou não querendo que o governo crie um “marido Estado” pra elas, o que é essencialmente verdade é que seus parceiros (brancos) se beneficiaram por muito tempo dos frutos de um “Estado esposa,” em que o governo apoiou a independência dos homens (brancos) em uma variedade de maneiras. É difícil pra gente reconhecer isso, já que essa foi a regra por tanto tempo – e aqui, é útil lembrar do discurso emocionante de Elizabeth Warren, que dizia “você não construiu aquilo”, no qual ela apontava que “não há ninguém nesse país que ficou rico sozinho – ninguém.”

Homens, especialmente homens casados, ricos e brancos, têm por gerações se apoiado na assistência do governo. É o governo que, historicamente, apoiou a propriedade dos homens brancos sobre casas e negócios, através de empréstimos, concessões, incentivos e renúncia fiscal. Isso permitiu a eles acumular riqueza e os ofereceu atalhos e vários bônus, suficientes para repassar aos seus filhos. O governo estabeleceu o direito dos homens brancos a votar, e então estabelecer controle sobre o governo, na fundação do país, e protegeu seu papel de privilégios desde então. O governo também reforçou os prospectos econômicos e profissionais de homens ao enfraquecer os prospectos econômicos de mulheres. Em outras palavras, ao falhar em oferecer mulheres proteções econômicas e civis equivalentes, e então ajudando a criar condições em que elas seriam forçadas a serem dependentes naqueles homens, o governo estabeleceu uma classe de trabalhadores com gênero específico, que tomavam empregos que pagavam mal ou simplesmente não pagavam, fazendo trabalho doméstico e cuidando de crianças, que mais à frente permitiu aos homens dominar as esferas públicas. Nossas instituições civis determinam e reforçam essas presunções históricas: Considere que os dias escolares terminam no meio da tarde e que ainda existem longuíssimas férias de Verão. Quem é que vai cuidar dessas crianças se nós não subsidiamos creches? Mulheres. Mulheres que nossas instituições pressionam para não terem empregos que durem até depois das 17 horas, 18 horas, ou até o resto da noite em horas extras. Mulheres que a nação presume serem casadas, mesmo sabendo que elas não são mesmo que o casamento em si ainda continue – contra o dogma conservador que diz que isso é uma cura pra pobreza – pra se ceifar as chances das mulheres à igualdade de maneiras absurdas.

É por isso que a expansão da população de mulheres solteiras por todas as classes sinaliza uma ruptura política e social tão profunda quanto a invenção dos anticoncepcionais, quanto a revolução sexual, quanto a abolição da escravidão, quanto o sufrágio universal, quanto os movimentos de direitos LGBTs, das mulheres, dos direitos civis e sindicalistas, que fizeram essa reorganização da sociedade possível. Pela sua simples crescente presença, as mulheres solteiras estão pedindo por um “New Deal” de seu governo. A plataforma Democrata, de repente mais liberal do que sempre foi em toda uma geração, é mais liberal principalmente em resposta a esse novo segmento da população americana.

Aumentar o salário mínimo? Dois terços dos trabalhadores que recebem salário mínimo são mulheres. 40% das mães solteiras trabalhadoras se beneficiariam diretamente por um aumento no salário mínimo, de acordo com o National Women’s Law Center. Licença maternidade remunerada, um assunto deixado de lado por décadas, agora de volta na mesa? Bem, isso beneficiaria a todas as famílias, mas especialmente mães solteiras com dificuldades; assim como programas de educação precoce subsidiados pelo governo agitados tanto por Clinton quanto por Sanders. Legislação que garanta o direito de faltar ao trabalho e receber é essencial pra um mundo em que mulheres sustentam a casa e ninguém está em casa para cuidar de crianças doentes ou de familiares idosos. Promessas de faculdade gratuita e dívidas estudantis reduzidas têm um apelo muito provável com as mulheres que agora são maioria nos campi universitários.

Até mesmo a reforma do direito penal e programas de emprego se relacionam com as mudanças nos padrões de casamento nos EUA, já que homens “de cor” de baixa renda têm muito mais chance de estarem desempregados ou encarcerados do que seus amigos brancos, o que torna pra eles o trabalho de prover estabilidade às suas parceiras ou parceiros um trabalho difícil.

No contexto das primárias presidenciais, é Sanders quem se tornou emblemático para as inclinações mais à esquerda de um partido em mudança, especialmente para os membros mais jovens. Mas o movimento que gerou muito do que nós agora percebemos no estágio presidencial como uma guinada à esquerda vem sendo construído há mais de uma década. “Se você fosse dar um passo pra trás e olhar pra o que está acontecendo nas políticas sociais e trabalhistas americanas durante essa última década, em que nós realmente progredimos e tivemos grandes vitórias, tem a ver com coisas que se relacionam às mudanças nos padrões de casamento e constantes conflitos de trabalho X vida,” disse Heather Boushey, economista chefe no Washington Center for Equitable Growth, e autora do livro “Finding Time: The Economics of Work-Life Conflict” [em tradução livre “encontrando tempo: a economia do conflito trabalho x vida”]. Mas o que é impressionante, ela completa, é como falamos pouco sobre as mulheres solteiras como a força motriz por trás dessas mudanças.

Boushey, que já assessorou Clinton, aponta para California, Nova Jersey e Rhode Island, estados que agora obrigam as empresas a conceder licença maternidade paga para (quase) todo cidadão, legislação que pode em breve passar no estado de Nova Iorque e a Senadora Kirsten Gillibrand está empurrando a nível federal como a “Lei das FAMÍLIAS”. Ela também ressalta que progresso significativo a nível municipal em programas de pagamento por dias em que as pessoas não podem ir ao trabalho por problemas de saúde, pré-escola universal, e políticas contra discriminação de cuidadores. “O que a comunidade de apoiadores alcançou é impressionante,” disse Boushey sobre aqueles ativistas e políticos – incluindo Gillibrand, Rosa DeLauro, Warren, Nancy Pelosi, Patty Murray, Clinton – que vêm pressionando sobre esses problemas há mais de uma década. “Mas o motivo que deles serem capazes de fazer isso é que eles abordam o que realmente está acontecendo nos EUA: Uma mudança em famílias e na participação laboral das mulheres. As ativistas lutando por aquelas mulheres estão liderando. Sanders está as seguindo.”

Para algumas feministas, é uma ironia amarga o fato de Sanders, um homem branco de 74 anos de Vermont que se comprometeu por décadas a lutar contra a desigualdade econômica, mas nunca se colocou no centro de lutas por coisas como faltas pagas por motivos de saúde ou licença maternidade, se tornou o símbolo de uma movimentação em direção a um modelo de governo social-democrata que serviria melhor aos interesses das mulheres americanas. O fato das mulheres não-casadas não estarem balançando bandeiras ao lado de Clinton, que não há muito tempo era um dos mais visíveis símbolos de ameaçadoramente poderosa feminilidade nos EUA e devotou uma significante parte de sua carreira a questões como educação para início da infância e reforma no sistema de saúde, é de alguma forma surpreendente. Mas lembre-se, isso não é um movimento motivado por símbolos. Mulheres solteiras podem não estar procurando por um(a) herói(heroína) feminista; elas podem simplesmente estar em busca de faculdade mais barata, salários mais altos, e pagamento por faltas por problemas de saúde. Uma pesquisa de Janeiro divulgada pela National Partnership for Women & Families revelou que 68% das mulheres solteiras (comparados com 52% de todas as prováveis votantes) acreditavam que um político eleito que apoiava novas leis de licença remunerada seria provavelmente mais capaz de entender suas necessidades. Enquanto Clinton e Sanders ambos apoiam essa legislação, e Clinton já falou mais disso, aqueles que até agora já votaram ouviram Bernie fazer promessas econômicas progressistas mais robustas. E eles aparentemente acreditam mais nele.

A aparente falta de confiança em Clinton reflete que possivelmente não há nenhuma política que sofreu mais por ser uma esposa. Sim, por muitas medidas, o cargo de primeira dama de Clinton lançou sua carreira política. Mas poderia existir símbolo maior das desgraças do casamento tradicional do que o fato de que Hillary está agora pagando a conta por uma década das políticas de seu partido, durante as quais ela não foi eleita, mas apenas uma esposa? Os anos 90, afinal, foram uma década na qual as mulheres começaram a alterar os padrões de casamento dramaticamente, ameaçadoramente. (Lembra-se de Dan Quayle repreendendo Murphy Brown?) Tanta coisa da legislação aprovada naquele período foi influenciada por ansiedades sobre mudar os papéis de gêneros, incluindo a odiosa reforma da previdência, que por um lado tratou todas as mulheres como trabalhadoras, mas falhou em provê-las com apoio e mandou muitas delas mais ainda profundo da pobreza. E aí teve o projeto de lei sobre crimes muito abrangente de 1994, que, como Michelle Alexander escreveu no The New Jim Crow, trabalhou para criar um sistema de justiça penal que relega os homens negros “a uma casta permanentemente mais baixa.” A culpa pelo destino dos homens negros vem também há muito tempo sendo colocada nas costas das mães solteiras, que políticos desde Daniel Patrick Moynihan a Mitt Romney e Jeb Bush têm isolado como as responsáveis por vilipendiar a família americana, criando caos social e transgressores da lei. Ainda, os homens que escreveram, assinaram e votaram essa legislação – Bill Clinton, Al Gore, John Kerry, Joe Biden e até mesmo Sanders, que votou pela lei penal – não foram forçados a pagar por isso politicamente. A pessoa que atualmente está sendo chamada agora a responder por isso é a mulher que gastou todos aqueles anos com uma esposa (demasiadamente) apoiadora, que falou com muita convicção em defesa da legislação do seu marido, mas não desempenhou nenhum papel oficial em aprová-la.

Pra além de Clinton, há outra geração de mulheres políticas cujas próprias vidas seguiram novos modelos. Tem Gillibrand, casada por volta dos 35 anos, que participou de uma audiência do Comitê das Forças Armadas de 13 horas antes de dar a luz ao seu filho, aos 41 anos de idade; Donna Edwards, uma mulher solteira atualmente disputando o Senado em Maryland; Kamala Harris, casada pela primeira vez aos 49 e disputando pra ocupar o assento de Barbara Boxer no Senado da Califórnia; Lucy Flores, concorrendo como deputada estadual em Nevada, solteira aos 36 e aberta sobre o aborto que fez quando adolescente; Nanette Barragán, concorrendo a deputada federal em Nova Iorque, solteira; duas das políticas em ascensão da Lista EMILY, legisladora da Georgia Stacey Abrams, solteira, e vereadora de Boston Ayanna Pressley, casada aos 40. Não se precisa de uma mulher pra se passar legislação que beneficia mulheres solteiras, mas essas mulheres, por pura força da experiência pessoal, vão ter melhor perspectiva sobre novas formas de se ver a política social que essa nova população de mulheres requer.

Independente de Clinton ou Sanders ganharem a nomeação dos Democratas esse ano, mulheres solteiras provavelmente irão votar em qualquer um deles no lugar de qualquer candidato Republicano, de acordo com as pesquisas. Os Republicanos fizeram tentativas de ter algum apelo às mulheres solteiras – se lembra dos comerciais esdrúxulos “Diga Sim ao Candidato” estrelando jovens eleitoras se engajando em decisões eleitorais como se elas estivessem numa onda de compra de vestido de casamento num reality show? Mas eles em maior parte resolveram recuar e tentar envergonhar e punir mulheres solteiras, como quando Rand Paul sugeriu em 2014 cortar os benefícios da previdência pra mulheres que tivessem filhos fora do casamento, ou Rush Limbaugh que se referiu à estudante de direito solteira Sandra Fluke como “vadia” e “prostituta” depois do seu depoimento em obrigar o Estado a custear anticoncepcionais.

Mas muito do impacto que as mulheres solteiras têm nessa eleição e nas políticas públicas nos próximos anos depende, em grande parte, no fato delas começarem a perceber o seu crescente poder político. Parte disso é simples uma questão de sair pra votar. De acordo com Page Gardner, em 2016, “pela primeira vez na história, espera-se que a maioria de mulheres votantes não vai ser casada,”mas olhando pra temporada de eleição presidencial anterior, quase 40% delas não tinham se registrado pra votar. Isso é em parte por conta dos muitos obstáculos que fazem as mulheres solteiras precisarem de poder contar com políticas sociais: Muitas são mães solteiras de baixa renda com rotinas lotadas, salários baixos, poucas opções de creche, e nenhum tempo pra esperar na fila pra votar onde legisladores conservadores fizeram o ato de votar algo muito difícil e demorado.

Há também uma questão se esse grupo vastamente diverso que passa por todas as gamas de raça e classe e tem vastamente desafiado a pressão da política identitária pode ser unificado e politicamente ativado ao redor das suas incrivelmente comuns necessidades. A mulher independente, tanto de alta quanto de baixa renda, olha pro seu futuro e vê décadas, ou até mesmo uma vida toda, vivida fora do casamento, em que ela será responsável tanto por colocar comida na mesa quanto por fazer seu próprio trabalho doméstico. Isso é o novo compacto social que ela requer: proteções de igualdade salarial mais fortes, que garantam que o trabalho das mulheres não vai ser descontado por causa de presunções remanescentes de que elas provavelmente são sustentadas pelos maridos; um salário mínimo federal mais alto, que ajudaria a aliviar os fardos da pobreza nas costas das americanas que trabalham mais duro e recebem menos; um sistema de saúde nacional que cubra intervenção reprodutiva, para que aquelas que querem por fim à gravidez ou ter filhos sozinhas, ou esperar até estarem mais velhas pra tê-los, sejam capazes de se cuidar com as melhores tecnologias médicas; moradia mais barata pra pessoas solteiras, talvez subsidiada e com descontos nos impostos pra moradores solteiros que escolham viver em espaços menores, mais amigáveis ao meio ambiente; reforças na justiça penal que resolvam as atuais injustiças do nosso atual Estado carcerário; programas de subsídio a creches do governo; lei federal que garanta licença familiar remunerada tanto para mulheres quanto homens que tenham filhos novos ou familiares doentes, que requeiram tempo pra receber cuidado; pagamento por faltas ao trabalho por motivos médicos, independentemente de gênero, circunstância ou profissão; aumento, ao invés de redução nos benefícios previdenciários; custos de acesso à faculdade reduzidos, e programas de educação precoce de qualidade. Pensando bem, essas políticas beneficiariam muita gente além das mulheres solteiras.

Nada disso é fácil, ou provável de acontecer rapidamente, especialmente com um Congresso liderado pelos Republicanos. Mas este é o começo de uma nova relação entre as mulheres americanas e seu governo. Mulheres solteiras estão tomando espaço num mundo que não foi construído pra elas. Elas constroem uma nova república, uma nova categoria de cidadãs. Se o país vai prosperar, nós precisamos abrir espaço para mulheres livres, e largar dos sistemas econômicos e sociais construídos ao redor da presunção de que nenhuma mulher realmente conta, a não ser que seja casada.

Adaptado de “All the Single Ladies: Unmarried Women and the Rise of an Independent Nation” [Em tradução livre, Todas as moças solteiras: Mulheres não casadas e a ascenção de uma nação independente], por Rebecca Traister, a ser publicado por Simon & Schuster, Inc. Copyright C 2016, por Rebecca Traister.

* Tradução por Thalles Sales. Este artigo aparece na edição do New York Magazine de 22 de Fevereiro de 2016, disponível em: http://nymag.com/thecut/2016/02/political-power-single-women-c-v-r.html

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