Espaço público e resistência LGBT: demolição do ESPAÇO MARCOS MORAES em Feira de Santana

Juntos Feira de Santana 03/fev/2016, 16h36

Em outubro de 2009, o professor, artista plástico e feirense, Marcos Moraes, foi encontrado morto em seu apartamento. Cruelmente assassinado, as investigações apontaram como culpado o companheiro com o qual mantinha relações, que assumiu a autoria do crime. Mais uma vítima das estatísticas que colocam as/os LGBTs na zona e risco das LGBTfobias, estruturais, internas e, infelizmente, ainda invisibilizadas nos pareceres do poder público.

Figura reconhecida na cidade, o professor foi homenageado ao ter seu nome estampado em um importante espaço de lazer e cultura da cidade. O monumento, além de representar uma conquista do movimento LGBT, sempre foi um espaço cultural, com a juventude ocupando para praticar esportes, interagir e fazer shows. O Espaço Marcos Moraes se tornou um dos poucos espaços de interação da cidade de Feira de Santana, que é historicamente condicionada pelos governantes a uma cidade puramente comercial.

Pois, recentemente, o governo municipal, na figura do prefeito Zé Ronaldo (DEM), anunciou em parceria com o governo federal e o governo estadual, ambos do PT, a construção de um projeto de BRT (Bus Rapid Transit). O projeto apresentado, contemplará somente o centro da cidade e reforçará, ainda mais, a ideia de uma cidade do comércio, pouco se importando com os problemas de mobilidade urbana que afetam, principalmente, os bairros mais periféricos, já que o mesmo não chegará nesses locais. Para dar espaço ao projeto, várias árvores centenárias que ocupam o centro, estão sendo derrubadas, e espaços de lazer estão sendo demolidos, a exemplo? O espaço Marcos Moraes!

Esse fato diz muito sobre dois pontos importantíssimos. O primeiro é o direito a cidade, tão negado às massas. Para o prefeito e seu projeto de cidade, só importam a lucratividade dos empresários, a governabilidade e as ações coronelistas de não dialogar com os movimentos sociais. Em segundo, o silenciamento da população LGBT! Somos todos os dias, silenciados e invisibilizados pela mídia, pelo poder público e por grande parte da sociedade. Somos condicionados a não demonstrar afeto em espaços públicos e a negar nossas identidades.

Derrubar um espaço que homenageia um LGBT, importantíssimo para a nossa luta local, é ser cúmplice do mesmo conservadorismo presente na Câmara Municipal de Feira, que todos os dias nos ataca com projetos medievais e muito ódio.

Nós existimos em Feira! E vamos continuar ocupando a política, as ruas e os espaços públicos! Nos beijamos na câmara de vereadores, ano passado, e nos beijaremos em todo lugar sempre, para que entendam que só queremos ser felizes e ter direitos garantidos. Não se trata de privilégios, mas de termos o que outros sempre tiveram, mas a nós sempre foi e é negado.

Marcos Moraes, presente!