NOTA DE APOIO AS OCUPAÇÕES NAS ESCOLAS PÚBLICAS DE GOIÁS

Juntos nas Escolas 05/fev/2016, 08h56

Viemos a público expressar nosso repúdio em relação ao uso de violência e truculência policial, com anuência do Governador Marconi Perillo e da Secretária Estadual de Educação Raquel Teixeira, para forçar de maneira arbitrária a saída dos estudantes que ocupam algumas das escolas públicas estaduais.

Consideramos que tais ocupações, protagonizados por estudantes secundaristas, configuram uma legítima forma de defesa e luta pelo caráter público e gratuito da educação no estado de Goiás bem como o processo de democratização.

Não é de hoje que Marconi e Raquel perseguem de maneira truculenta os estudantes e apoiadores do Movimento contra as OS e Militarização. Ambos já autorizaram, inclusive, corte no abastecimento de água e luz das unidades de ensino. Há mais de 40 dias o Governo estadual se recusa a negociar e ouvir as reivindicações em pauta e seguem com a implementação das OS (nos mesmos moldes da saúde pública) e com a militarização do Ensino Estadual a sua revelia.

Os lamentáveis acontecimentos em Goiânia e em outras localidades do Estado de Goiás tomaram repercussão nacional e até internacional. Até agora nenhuma atitude foi tomada para sanar a situação.

A forma, como desde o início, o governo do Estado tem tratado as ocupações, com o uso de pressão psicológica nos estudantes, pressão nos professores, corte de energia elétrica e água, manipulação da opinião pública e, agora, nítida agressão física, perpetrada por agentes do Estado (polícia), evidenciam a pouca disponibilidade para dialogar acerca de decisões fundamentais em uma área tão importante como a Educação. A militarização do ensino bem como a implantação das OS é uma clara demonstração do Governo de Goiás que educação não é e nunca será uma prioridade. Por sua vez, os estudantes dão uma verdadeira aula de cidadania e denunciam a urgente necessidade de democratizar a gestão escolar, estabelecer o diálogo e espaços para participação estudantil.

Apoiamos integralmente as ocupações e defendemos imediatamente a suspensão das OS na educação até que estabeleça o diálogo entre as partes no intuito da defesa da escola pública de qualidade. Exigimos também a imediata apuração e punição da ação policial criminosa contra jovens e crianças além da não criminalização do movimento em curso.

Assinam a nota: STIUEG, MTST, FRENTE POVO SEM MEDO, SINDCOLETIVO, ANDES, JUNTOS, TERRA LIVRE, SESAC,FBP, 13 DE MAIO, CTB, INTERSINDICAL, CONLUTAS, CUT, SINPRO/GO, SINDSAÚDE/GO, COLETIVO QUILOMBO, MOVIMENTO LGBTS ASSOCIAÇÃO IPÊ ROSA, GRUPO OXUMARÉ, PSTU, PSOL.

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017