As mulheres do RJ não aceitam violência, não aceitam Pedro Paulo!

Isabelle OttoniElis Lemos 04/mar/2016, 22h13

Cada vez mais a violência contra a mulher é ignorada e secundarizada. E em 2016 o Rio de Janeiro tem um agressor de mulheres entre os candidatos para a eleição da prefeitura do Estado, Pedro Paulo Carvalho.

A vítima de Pedro Paulo foi a sua esposa, o que infelizmente se mostra como cotidiano: no ano de 2015, o Mapa da Violência indicou que, com base de dados de 2013, a cada sete feminicídios no Brasil, quatro foram cometidos por pessoas que tinham ou tiveram relações íntimas de afeto com estas mulheres. Alexandra Marcondes Teixeira registrou queixa contra o agora ex-marido pela primeira vez em dezembro de 2008. No depoimento de Alexandra consta que, em uma briga no carro, o candidato a prefeitura do Rio de Janeiro deu socos em seu corpo e rosto, além de xingá-la. Tudo assistido pela filha do casal, na época com dois anos. Sobre o ocorrido, Pedro Paulo afirma: “Quem não tem uma briga, um descontrole, quem não exagera numa discussão?”. Uma pesquisa indicada pelo Instituto Avon em parceria com o Data Popular no ano de 2014, indica que 3 a cada 5 mulheres jovens já sofreram algum tipo de violência em relacionamentos, sendo que na pesquisa foram considerados casos de violência agressões, xingamentos, empurrões, tapas, socos, restrição de liberdade e obrigou a fazer sexo.

Para Pedro Paulo, dar socos na sua esposa é apenas um descontrole e o caso se repetiu em fevereiro de 2010. O laudo da perícia mostra que Alexandra levou socos, foi agarrada pelo pescoço, jogada contra a parede e no chão, e ainda machucada com chutes. Alexandra perdeu dois dentes. Quando questionado sobre qual seria sua versão do ocorrido, em entrevista a Folha de São Paulo, ele diz que “foi um momento de muita tensão”, que “se arrepende profundamente”. Novamente, para Pedro Paulo isso é apenas um cotidiano conjugal. É apenas um episódio de discussão de casal. Foi “um episódio de descontrole”. Afinal, Pedro Paulo “conhece a Lei Maria da Penha”. O caso não se enquadraria em nada previsto por essa lei. Para ele “É importante distinguir um descontrole de um episódio, uma briga de casal, uma discussão do casal, do que é um episódio deliberado de violência doméstica”. Anteriormente ele já havia dado entrevistas onde dizia ter agredido a mulher apenas uma vez.

Foi só em fevereiro de 2016 que o ministro do STF determinou abertura de inquérito contra Pedro Paulo, por suspeita de ter agredido Alexandra. Não é surpresa que Pedro Paulo, que acredita que uma agressão é só um caso de descontrole, estar tendo uma defesa ainda mais suja. Pedro Paulo contratou um perito do IML para contestar o antigo laudo feito a Alexandra, na época da agressão. Para o perito da Polícia Civil, Roger Ancillotti, Alexandra pode ser te auto-flagelado. O perito contratado por Pedro Paulo também trabalha em quatro unidades de saúde da Prefeitura do Rio, por acaso ou não a mesma cidade que Pedro Paulo ainda concorre a prefeitura. Procurada, a Polícia Civil apenas informou que abriu um procedimento para verificar se Roger “violou código de ética” da instituição ou se forneceu “informações inexatas” ao atuar na defesa de Pedro Paulo. O processo ainda está em andamento.

Que Rio de Janeiro é esse que vivemos onde um evidente agressor de mulheres concorre a prefeitura e desfruta de privilégios no julgamento? Violência contra a mulher configura uma grave violação de direitos humanos, apesar disso, é um crime vergonhosamente comum na realidade brasileira. É importante destacar o aspecto racial desta forma de violência: o Mapa da Violência 2015 também indicou que as mortes violentas de mulheres negras aumentou em 54%, enquanto a de mulheres brancas diminuiu 9,8% ao longo dos anos de 2003 à 2013.

Infelizmente, o Prefeito Eduardo Paes ignora a gravidade da violência contra a mulher no Brasil ao definir como seu sucessor ele, Pedro Paulo, o secretário executivo da prefeitura do Rio de Janeiro e deputado federal licenciado.Em 2014, o Dossiê Mulher mostrou que no estado do Rio de Janeiro, as mulheres são os principais alvos de violência no Estado. Dois anos se passam e um homem que deveria estar preso é candidato a prefeitura? As mulheres dizem não! A mensagem é clara: o Rio de Janeiro não merece um prefeito que bate em mulher, embora o PMDB insista em sua pré-candidatura. Vai ser pela mão das mulheres que ela não irá se consolidar.

Na próxima terça, 8 de Março, Dia Internacional da Luta das Mulheres, convidamos todas as mulheres do Rio de Janeiro a irem às ruas pela Legalização do Aborto e contra a violência à mulher que a candidatura do Pedro Paulo e PMDB representam!

8 de março – 16h em frente à ALERJ.

 

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017