A GREVE GERAL ARGENTINA E A APROVAÇÃO DA CONTRA-REFORMA TRABALHISTA DE MILEI
Reprodução: Brasil de Fato

A GREVE GERAL ARGENTINA E A APROVAÇÃO DA CONTRA-REFORMA TRABALHISTA DE MILEI

É urgente derrotar o projeto ultraneoliberal e fascista!

Victor Gorman 2 mar 2026, 15:14

Mesmo sob uma forte greve geral na Argentina, o Congresso aprovou uma brutal contra-reforma trabalhista na última semana. Esta mobilização marca um ponto de inflexão na política argentina e expressa uma experiência de extrema importância para a esquerda revolucionária ao redor do mundo.

A proposta apresentada pelo governo, e aprovada pelo Congresso, apresenta uma das mais brutais contra-reformas trabalhistas, aprofundando a experiência neoliberal das contra-reformas aprovadas em diversos países, a exemplo da de Temer no Brasil em 2016. De maneira geral, ela leva ao extremo a flexibilização salarial e a insegurança trabalhista, coloca o direito à greve em cheque, precariza a previdência social e os diversos mecanismos de seguridade voltados aos trabalhadores, ataca diretamente o direito às férias e impõe o mercado como soberano na relação capital-trabalho.

Como resposta à este projeto do governo ultra neoliberal de Milei, a Confederação Geral do Trabalho (CGT), a maior central sindical do país, convocou uma greve geral que provou ter um forte apoio, que, segundo os sindicatos, registrou uma paralisação de 90% das atividades econômicas durante a greve, a exemplo dos mais de 250 vôos cancelados pela companhia aérea nacional. As respostas nas ruas foram uma mobilização massiva e a organização em Buenos Aires de bloqueios e barricadas em diversos pontos de acesso à cidade, além de uma forte marcha ao Congresso que foi respondida com uma repressão muito violenta, que faz parte de uma escalada de repressão desde a chegada de Milei à Casa Rosada.

O governo Milei é um dos postos avançados da extrema-direita na América Latina, apoiado abertamente por Donald Trump, que atuou firmemente e com chantagens econômicas para garantir a vitória de seu aliado nas eleições regionais, o que consolidou o país como laboratório da política econômica da extrema direita: um projeto de completo desmantelamento dos direitos trabalhistas, avançando para um regime de trabalho que pretende massacrar a classe trabalhadora.

Esse projeto demonstra o nível de ataque e desmonte que o capital está disposto a promover das conquistas arrancadas pela classe trabalhadora nas últimas décadas e, mesmo em um país com uma tradição muito rica de organização trabalhadora como na Argentina, o cenário é bastante complexo e exige ainda um longo caminho para que o movimento possa partir para uma ofensiva mais potente. Porém, é nítido como essa forte mobilização somada com uma greve geral de um dia pode mostrar a potencialidade que a resistência ao governo possui. Não à toa se abriu um importante debate na esquerda argentina sobre os próximos passos, reflexão essa que devemos acompanhar ativamente pela importância da batalha que nossos vizinhos argentinos têm pela frente.

Se por um lado a greve significou um importante momento de inflexão no enfrentamento à extrema direita no país, por outro ainda há muito a avançar, como foi apontado por diversos setores, em direção a uma jornada de lutas mais ampla. No entanto, uma coisa é certa: está na Argentina uma das tarefas mais importantes para a classe trabalhadora da América Latina. Derrotar Milei significa, além de uma medida urgente para barrar um projeto devastador para a população, derrotar um dos postos mais avançados da extrema-direita no mundo.


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