UEMG: ELEIÇÃO DA REITORIA – POR DEMOCRACIA E AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA! RUMO AOS DIAS 8 E 11 DE MAIO
foto: @naluizagl

UEMG: ELEIÇÃO DA REITORIA – POR DEMOCRACIA E AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA! RUMO AOS DIAS 8 E 11 DE MAIO

O que está em jogo nessas eleições da Reitoria é a disputa de qual projeto para universidade vai prevalecer. De um lado temos a extrema-direita e a direita que querem acabar com a educação pública, representadas por Mateus Simões e pela Chapa 3. Do outro lado temos o M.E se unificando em um novo fôlego, fazendo luta

Juntos! Minas Gerais 6 maio 2026, 11:50

Nas últimas semanas, a rotina universitária foi atravessada por uma competição que se acirra exponencialmente. Três chapas se propõem para a Reitoria da UEMG, e o que à primeira vista pode parecer um mero processo de escolha de representação de gestão, revela uma disputa muito mais profunda. Quando debatemos a futura reitoria da UEMG, estamos debatendo qual projeto de educação defendemos frente a um contexto histórico de ataques sofridos. A Universidade do Estado de Minas Gerais sempre existiu da garra dos estudantes e da luta dos professores que a defendem. Falta-nos orçamento digno, políticas de permanência estudantil que sejam eficazes, recomposição da carreira docente, concretização dos RU’s, entre tantas outras reivindicações muitas vezes já trazidas em mobilização. A UEMG é a universidade que sobreviveu às intenções privatistas de Zema e que deve se colocar à disposição de construir uma nova sociedade, afinal, se a UEMG é uma das mais popularizadas, também é a mais sucateada, sendo parte de uma agenda de ataques constantes ao povo por parte do governo de Minas Gerais. Por isso, tem que ser inegociável para nós, estudantes, que o debate e a corrida das chapas até a Reitoria da UEMG sejam marcados pelo compromisso intransigente com a ruptura dessa lógica de precarização da universidade. É preciso ter coragem para barrar, com pulso firme, o retrocesso, os ataques à educação e o projeto de liquidação da UEMG, continuado pelo sucessor de Zema, Mateus Simões.

ENTRE A GREVE E A EXTINÇÃO: A UEMG É FRUTO DAS LUTAS

O Movimento Estudantil da UEMG vem de um longo histórico de lutas e reivindicações, sendo um de seus marcos mais significativos a greve de 2016 que conquistou o direito ao PEAES. Em 2019, tivemos uma forte atuação no “Tsunami da Educação”: cortes orçamentários afetaram tanto o ensino básico quanto o superior, resultando em paralisações e manifestações em todo o país. Sabemos que a UEMG é a universidade dos filhos da classe trabalhadora, também por isso é tratada com tanto descaso – em que pese a extrema-direita e a direita visem um discurso anti-educação pública como um todo. O viés regional, isto é, pela existência de unidades da UEMG em várias cidades do interior, foi possível construirmos uma universidade pública, popular e de qualidade que chega onde nenhuma outra UF, sequer ensino superior, chega. Em 2024, os estudantes da UEMG se unificaram em uma greve histórica com os docentes pela autonomia, expansão orçamentária, recomposição salarial, plano de carreira e políticas de permanência estudantil. Saímos dessa greve com a importante isenção de cortes em ajuda de custo em casos de auxílio-doença e licença-maternidade para os docentes, além da garantia do RU e do auxílio-creche, assegurados pela Lei 24.803/2024. Nossa pressão política também foi essencial para a conquista do Programa de Bolsa para Povos e Comunidades Tradicionais, mas nunca estivemos fora da mira dos poderosos que querem ver a UEMG extinta.

Em 2025, toda a comunidade acadêmica da UEMG foi surpreendida pelos PLs 3733 e 3738. O primeiro previa a inserção dos bens móveis e imóveis da UEMG no Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (PROPAG) — uma alternativa que, inclusive, só existiu por termos derrotado o Regime de Recuperação Fiscal. Através deste programa, os imóveis da UEMG entrariam como parte do acordo para quitação da dívida com a União, que atualmente acumula R$181 bilhões.

Enquanto a dívida cresce, o Governo de Minas, na representação de Zema-Simões, permite isenções fiscais que, somadas às renúncias de ICMS e IPVA, chegarão a R$147 bilhões em 2028. Isso ocorre sem transparência, visto que o sigilo das isenções de grandes empresas e mineradoras é preservado. Vale lembrar que Minas Gerais foi palco do maior desastre ambiental da história do Brasil, em Brumadinho e Mariana, quando os rompimentos das Barragens do Fundão e do Córrego do Feijão levou à contaminação do Rio Doce e à morte de 272 pessoas. Aparentemente, tudo isso foi esquecido por Mateus Simões que, após a renúncia de Zema para se tornar pré-candidato à presidência da República, apareceu em um prédio inacabado da UEMG-Frutal — que deveria ser moradia estudantil — para taxá-lo de “desperdício”. Em um discurso de claro tom de ameaça à autonomia universitária, afirmou: “Só tem chance de ser nomeado por mim o candidato que assumir o compromisso de que não vai atrapalhar a destinação dos imóveis. O professor que não tiver esse compromisso não tem condição de assumir a administração da UEMG”.

A pergunta retórica que se coloca é: quantos imóveis da UEMG o governo de Minas vai seguir tentando vender, seja para abater uma fração mínima da dívida com a União, seja para beneficiar grandes empresários e as mineradoras? Sabemos que a resposta real é, no mínimo, o fim das isenções fiscais. O discurso de que as dependências públicas são “desperdício” não pode ser aceito enquanto se valoriza a lógica do capital e se ignoram os impactos ambientais. É aí que se localiza eleição para a reitoria da UEMG.

REITORIA E A DISPUTA DE UM PROJETO

No começo de abril, tivemos a homologação das chapas com três inscrições:

  1. “A UEMG que a gente quer: Coletiva e diversa, justa nas decisões e transformadora em cada território”;
  2. “UEMG VIVA: União para fortalecer, ousadia para inovar”;
  3. “A UEMG QUE MINAS MERECE: Integração e Transparência para o Desenvolvimento”.

Abril de 2026 marcou o mês de campanha. A Chapa 1 comportou-se de forma tímida em relação às demais, com pouca repercussão entre estudantes e professores considerando as 22 unidades, porém, não sem um balanço negativo de sua tratativa com o Movimento Estudantil. A chapa não fez grandes movimentações para conquistar apoios entre os D.A’s e C.A’s e, recentemente, no ano passado, sua cabeça de chapa, atual diretora da unidade de Ibirité, destituiu a representação estudantil no Conselho Departamental, instrumentalizando e burocratizando a pauta estatuinte (objeto de debate interno do Movimento Estudantil – autônomo e independente, livre de intervenções autoritárias). Resultado: a diretora de Ibirité organizou um edital de eleição para a cadeira do CD apontando uma nova representação estudantil que contou com 5 (cinco) votos, sendo 3 nulos, em uma unidade com mais de 1.700 estudantes. Um total escárnio com o processo democrático e descaso por uma representação que deve ser amplamente escolhida pelos estudantes.

Já a Chapa 2 conseguiu construir uma campanha midiática forte, trazendo a perspectiva de uma visão interiorizada (sendo os candidatos de Passos e Frutal), angariando apoio em diversas unidades e entidades estudantis. Apresentou um plano ambicioso, incluindo a criação de uma Pró-Reitoria de Assistência Estudantil, reivindicação histórica do Movimento Estudantil, e a reforma do estatuto, comprometendo-se com a ampliação do PEAES e criando espaços de diálogo com a comunidade.

A Chapa 3 nasce controversa. Mesmo citando pontos de demandas estudantis, sua cabeça de chapa, atual diretora da Escola de Design obteve um dos maiores índices de rejeição entre estudantes em sua própria eleição para diretoria em 2024, acumulando mais de 400 votos em seu desfavor. Quando questionada em relação a este fato, respondeu que os estudantes haviam sido comprados com “lanches e balões”, mostrando total desprezo por um posicionamento contundente dos estudantes que se fez no pleito: a negação de um projeto de gestão que, apesar de se propor dialógica na teoria, na prática, arquiteta, por exemplo, o impedimento da realização da Feirinha e da Feira de Empreendedores Afro-Brasileiros. Além disso, atua para criar uma rivalidade entre “capital e interiores”, defendendo abertamente que somente uma reitora de Belo Horizonte poderá privilegiar as unidades de BH. Se o fato por si só já não fosse suficientemente lamentável, ainda é falacioso e desonesto. Não há nada que comprove que uma reitoria chefiada por gestores que venham dos interiores não teria a capacidade ou a disposição de atuar para benefício de toda UEMG. Essa declaração da Chapa 3 flerta com a xenofobia e é uma lógica que precisa ser combatida. Nós, estudantes da UEMG, sabemos da dura realidade da maioria das unidades dos interiores: muitas não tem sede, funcionam em escolas públicas cedidas pelas prefeituras, têm dificuldades básicas de estrutura e recursos. Recentemente, para citar, a unidade de Ubá foi devastada com as enchentes na Zona da Mata Mineira, resultado da crise climática. Ter boa política que responda aos desafios das unidades dos interiores é um dever que não deve ser usado para gerar cisão entre os estudantes. O Movimento Estudantil da UEMG deve se manter em unidade: só avançaremos quando todos avançarmos.

A DIREITA ATENTA CONTRA A DEMOCRACIA UNIVERSITÁRIA: FORA LISTA TRÍPLICE!

Em razão do processo eleitoral da UEMG, que ocorre via lista tríplice, alunos e técnicos-administrativos possuem apenas 0,25 de peso de voto, enquanto docentes possuem 0,50. Se considerássemos apenas docentes efetivos, a diferença de pesos entre as categorias poderia ser compensada, mas isso revela outra face dos problemas da UEMG: com a defasagem salarial e a precarização, muitos docentes têm deixado a universidade após aprovação em outros concursos ou para se arriscarem na iniciativa privada.

O real problema da lista tríplice foi verbalizado pelo próprio governador: ELE pode indicar quem será a chapa indicada, ainda que isso signifique ignorar a vontade popular e o voto de mais de 22 mil estudantes. Pelo que ficou explícito, será indicado quem estiver em conformidade com suas vontades. O ponto crucial é que ambas as chapas 1 e 2 na disputa para Reitoria da UEMG assinaram uma carta redigida pelos Diretórios Acadêmicos, comprometendo-se a não assumir a Reitoria caso não sejam as mais votadas, rejeitando a indicação arbitrária de Simões e defendendo a democracia interna da universidade. Em contrapartida, a Chapa 3 recusou-se a assinar o documento. Uma postura preocupante que demonstra não só a submissão à venda dos imóveis em função da manutenção das isenções fiscais, mas um alinhamento de projeto com um governo que só ataca a universidade pública.

Por trás do discurso de “diálogo” da Chapa 3, reside a disposição de abrir a UEMG para parlamentares como Bruno Engler, o que nos coloca uma tarefa urgente: varrer a extrema-direita da universidade. Não pode haver diálogo com quem:

  • nega a democracia;
  • apoia e articula golpe de estado;
  • faz ameaças e chantagens às chapas para a reitoria;
  • atropela a escolha da comunidade acadêmica;
  • privilegia a isenção de impostos para grandes empresários que, inclusive, geram crimes ambientais.

Tudo isso para, no fim, colocar na conta do estudante: tirar do nosso orçamento e tentar vender nossa UEMG. O que está em jogo nessa eleição da Reitoria é a disputa de qual projeto para universidade vai prevalecer, de um lado temos a extrema-direita e a direita que querem acabar com a educação pública, representadas por Simões e pela Chapa 3. De outro lado temos o M.E se unificando em um novo fôlego, e o movimento de professores, fazendo luta para seguir ampliando nossos sonhos: não uma UEMG que a Minas Gerais dos empresários precisa, mas uma UEMG que sempre foi do povo.

PELA FORÇA DOS ESTUDANTES, OUTRA UEMG É POSSÍVEL!

Frente a tudo isso, urge a necessidade de derrotarmos a Lista Tríplice. As Universidades e Institutos Federais já superaram essa questão. Através da Lei 15.367/2026, a Universidade Federal da Bahia (UFBA) terá sua primeira eleição direta em 2026. Contudo, as eleições de Reitoria não bastam. Em 2026, tramitará a PEC 59 à Constituição de Minas Gerais, proposta nascida em Ituiutaba para garantir a autonomia universitária e orçamentária da UEMG. Com ela, mesmo em casos de omissão do Estado no repasse de ICMS, será possível cobrar os recursos via remédios constitucionais — um passo vital para a permanência estudantil. O sucateamento da UEMG tem sido um projeto orquestrado por Zema-Simões há muitos anos. Mas não aceitaremos essa chantagem! O governador deve respeitar o processo democrático e nomear quem vencer as eleições. Quem vive a universidade tem o direito de escolher sua administração. Os estudantes da UEMG estão a postos para lutar pelo fim da lista tríplice e pela autonomia total! O Movimento Estudantil tem feito através de diversos D.A’s, C.A’s e movimentos uma campanha de mobilização, elegendo dia 8 e dia 11 de Maio como duas datas fundamentais de luta.

Dia 8 de Maio será o dia do debate das chapas. Precisamos estar presentes massivamente, ocupando o espaço e vocalizando nossas demandas, exigindo o fim da lista tríplice, a paridade de votos, exigindo que o governador aceite o resultado dos votos e, principalmente, dizendo que a UEMG é uma trincheira antifascista que vai varrer a extrema-direita para garantir seu futuro!

Dia 11 de Maio construiremos assembleias estudantis nas unidades, debatendo amplamente os temas e armando os estudantes para lutar. Precisamos organizar uma pressão consistente para que Mateus Simões respeite a vontade dos estudantes. Só assim conseguiremos alterar a correlação de forças e decidir o que vai ser da nossa universidade.

Seremos ponta de lança!


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