Uma pedra no sapato do Congresso
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Uma pedra no sapato do Congresso

A urgência de um enfrentamento direto ao Congresso inimigo do povo! Por que o Brasil precisa de parlamentares de esquerda pra valer

Tanielly Rodrigues 4 ago 2026, 15:42

O recente espetáculo de contorcionismo político protagonizado pela extrema-direita no Congresso Nacional  que passou meses demonizando o fim da escala 6×1 para depois simular apoio à escala 4×3  deixa uma lição pedagógica escancarada: o parlamento brasileiro não representa o povo. Ele representa o capital. A hipocrisia da bancada conservadora, que molda seus “princípios” de acordo com o desespero das pesquisas eleitorais, evidencia a necessidade urgente de uma mudança radical na correlação de forças do poder legislativo.

Se queremos avanços reais, estruturais e duradouros para a classe operária, precisamos sabotar a hegemonia burguesa no parlamento e construir uma bancada da esquerda radical no Congresso Nacional.  A estratégia da extrema-direita neste ano vai ser avançar na sua representação, em especial no Senado, e ainda saibamos que as eleições burguesas não podem iludir e se transformar na única forma de luta política, a esquerda socialista, que não teme dizer seu nome, pode e deve ocupar esse espaço para fazer o enfrentamento radial ao facismo e ao neoliberalismo, usando este espaço para apresemtar uma verdadeira alternativa à crise que vivemos.  

A Anatomia da Hipocrisia Conservadora

O Centrão e a bancada bolsonarista operam sob uma lógica de simulação permanente. Em frente às câmeras e nos cultos, posam como defensores da “família” e do “cidadão de bem”. Mais ainda, nas construções de suas narrativas, tentam simular uma luta contra o establishment, buscando emular uma radicalidade. Na calada da noite, contudo, votam sorrindo pelo teto de gastos, pela precarização da juventude e pelo desmonte dos serviços públicos que salvam vidas nas periferias.

O recuo tático na questão da jornada de trabalho não foi um ato de bondade, mas a prova de que a máscara deles cai quando o lucro dos seus financiadores é ameaçado pela indignação popular. Para compreender como a bancada conservadora joga contra quem produz a riqueza do país, basta observar o abismo entre a retórica moralista e a prática econômica:

O Discurso Conservador | A Realidade Concreta

“Em defesa da família e dos valores” | Condena pais e mães à exaustão da escala 6×1, impedindo o convívio, o descanso e a vida familiar.

“O livre mercado gera empregos”| Legítima a uberização, a informalidade e a perda de direitos para maximizar a taxa de mais-valia do patronato. 

“Apoiamos o trabalhador”| Aprova reformas que destroem a aposentadoria e reduzem o poder de barganha dos sindicatos.

“Contra tudo que tá aí” |  Estão entranhados até o pescoço nos esquemas de corrupção de Vorcaro e representam a velha elite econômica reacionária do país.

Por que uma bancada de Esquerda é uma necessidade histórica?

A história nos ensina que nenhum direito social foi doado de bom grado pela burguesia; todos foram arrancados por meio da organização, da greve e da pressão popular. Contudo, essa pressão externa encontra uma barreira de concreto quando se depara com um parlamento dominado por latifundiários, banqueiros, herdeiros e lobistas do grande capital.

Mudar o perfil ideológico do parlamento para que haja uma bancada de esquerda e socialista, organizada e com capacidade de influência de massas a partir do debate público é fundamental por três razões centrais:

  1. Inversão da Pauta Legislativa: Uma bancada de esquerda não precisa ser empurrada contra a parede pela opinião pública para votar a favor do povo. A defesa da classe trabalhadora é a sua própria razão de existir, pautando ativamente a taxação das grandes fortunas e a auditoria da dívida pública. Ela se apoia justamente nos movimentos sociais, na classe trabalhadora, servindo como megafone de ampliação de suas lutas.
  2. Enfrentamento à Agenda Neoliberal: Para reestruturar a saúde, a educação e a soberania nacional, é preciso revogar as amarras fiscais que o conservadorismo impôs ao orçamento para engordar os bolsos de rentistas.
  3. Reversão dos Retrocessos: Não basta apenas barrar novos ataques. Um Congresso progressista e de combate tem o dever histórico de revogar a Reforma Trabalhista e a da Previdência, que condenaram milhões à miséria.

“A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores. Mas para que as leis reflitam essa emancipação, o espaço onde as leis são feitas não pode continuar sendo o comitê de negócios dos patrões.” (MARX, K. E ENGELS, F. “Manifesto Comunista”. 1848)

O Horizonte Eleitoral: O Voto como Trincheira de Classe

A farsa do conservadorismo foi exposta pelo debate do tempo de trabalho. Eles temem o povo consciente porque sabem que sua sobrevivência política depende da alienação da classe trabalhadora.

Não podemos cometer o erro tático de eleger um Executivo progressista e entregar as chaves do Legislativo para os carrascos do povo. Ainda, é necessário haver uma esquerda crítica, que não abre mão de seus princípios em nome de uma conciliação que nos leva à derrota. Disputar o Congresso Nacional com candidaturas verdadeiramente comprometidas com o socialismo, com os movimentos sociais, indígenas, negros e com a base sindical é fundamental o para transformar a indignação das ruas em disputa pelo poder real.

Menos hipocrisia moralista, menos falso patriotismo e menos submissão ao mercado. O que o Brasil precisa, com urgência histórica, é de uma bancada forte e combativa que tenha a coragem de assumir e estar sempre do lado de quem trabalha. É hora de mudar a cor daquele parlamento.


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