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11 de agosto e a necessidade de um ato unificado em São Paulo

Manuela Cavalcanti e Rosa Baptista 7 ago 2026, 16:19

Vivemos um momento de profundas disputas na conjuntura internacional. De um lado, a extrema direita avança com um programa de  ampliação das desigualdades, de ataque aos direitos sociais e do fortalecimento de agendas autoritárias que aprofundam a exploração da classe trabalhadora. De outro, cresce ao redor do mundo processos de resistências, sobretudo aqueles que têm a juventude como seus principais sujeitos. 

Alguns processos recentes evidenciam essa contradição. Os estudantes dos Estados Unidos ocupando suas universidades para denunciar o genocídio do povo palestino. Na Argentina, o movimento Estudantil ocupou as ruas contra o desmantelamento da educação pública. Enquanto no Nepal a fúria da juventude derrubou o primeiro-ministro, mais recentemente na Índia, a força da mobilização estudantil foi responsável por derrubar o ministro da educação após 21 dia de protestos contra escândalos de fraude no exame nacional de medicina, que expôs graves denúncias de corrupção. Esses são alguns exemplos que expressam que, diante do avanço de projetos autoritários e ultraliberais, a juventude ocupa um papel central na construção de revoltas ao redor do mundo e de apontar o caminho para superação  desses projetos. 

O governo de Tarcísio de Freitas, principal sucessor à líder da extrema direita no país após o bolsonarismo, representa o projeto deste campo em São Paulo, com um profundo programa de destruição ambiental, aprofundamento da violência policial e privatização dos serviços públicos. São Paulo tem se transformado em um estado impossível de se viver com dignidade, e é também por isso que os estudantes das estaduais paulistas se mobilizaram no primeiro semestre deste ano, construindo um processo unificado entre as greves da USP, Unicamp e Unesp contra o projeto de barbárie que Tarcísio tem instaurado no estado, expressando em São Paulo a força da juventude para enfrentar um projeto de precarização de nossas vidas.  É nesse cenário que se localiza o 11 de agosto, dia do estudante, uma das datas mais emblemáticas do Movimento Estudantil brasileiro, com capacidade de levar milhares de estudantes às ruas para exigir melhores condições de ensino e de vida. 

Para nós do Juntos!, este 11A terá papel fundamental que passa por; 1. Continuar o processo que iniciamos no primeiro semestre, onde o movimento estudantil foi responsável por unificar a juventude e diversas categorias de trabalhadores na marcha do dia 20 de maio que levou milhares de pessoas às ruas; 2. Aprofundar o desgaste de Tarcísio e seu projeto diante do caos que se instaurou em São Paulo nos últimos dias com os problemas dos trens das linhas 11, 12 e 13 e com a forte greve dos ferroviários amplamente apoiada pela população; 3. Conectar o enfrentamento ao Tarcísio com o enfrentamento à extrema-direita internacional, compreendendo que esta será a última grande mobilização antes de se iniciar o período eleitoral que será, certamente, marcado por fortes intervenções imperialistas. 

Em um cenário de profunda instabilidade e polarização como nos encontramos, e levando em conta o primeiro papel apresentado, entendemos que o papel do Movimento Estudantil em São Paulo é construir um dia do estudante que consiga traduzir a força e a indignação da juventude no enfrentamento à extrema-direita e, principalmente, na disputa de ideias que precisamos apresentar para a sociedade, disputando para uma alternativa de sociedade que seja capaz de superar as mazelas que estamos colocados. 

Assim, compreendemos ser necessária a superação das divergências políticas das forças que constroem o 11A, considerando que a prioridade nesse momento deve ser a construção de um ato unificado no dia do estudante, que historicamente leva, de forma unitária, milhares de estudantes às ruas para a luta. Entendemos que a prioridade não é a disputa pela hegemonia do movimento, mas seguir dando exemplo de um ME que busca construir sínteses, compreendendo suas tarefas prioritárias na disputa da sociedade, que empolgue e demonstre que a luta cotidiana vale a pena e deve estar conectada com o todo, e não atuar de forma fracionada e concentrada na autoconstrução. 

Não somos aqueles que defendem o abandono programático em nome da unidade, como por vezes se agita levianamente em determinados espaços, no  entanto, a divisão física de um dos mais importantes dias de luta do movimento estudantil representa um retrocesso na expressão da totalidade do que é o movimento estudantil paulistano hoje, e tomamos como exemplo o que foram as próprias mobilizações do 1º de maio, que pulverizou e enfraqueceu outra data histórica. Em um cenário em que a extrema direita se organiza e coloca dezenas de milhares de pessoas nas ruas, não podemos nos dar ao luxo de não apresentar respostas e propostas à altura, ainda que guardadas todas as ponderações, e sempre disputando à esquerda o movimento e a consciência.

Por um dia de luta unificado no 11A e um processo de lutas radicalizadas em São Paulo.


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