Entrevista Jornal Juntos!4: Juventude em Luta!

14/ago/2011, 02h39

JJ: 2011 tem sido um ano de intensa mobilização juvenil. Milhões de jovens têm tomado às ruas e praças do mundo. Qual o sentido destes acontecimentos?

Rodolfo Mohr: Os jovens são a ponta mais avançada de um mundo que muda cada vez mais rápido. Foi nas Revoluções do Norte da África, dos jovens Europa, em especial os gregos e os indignados espanhóis. Estamos construindo um novo futuro sobre novas bases e novos símbolos. Democracia real, praças ocupadas e contestação dos governos contra o povo: este é o sentido dos novos tempos.

JJ: E com as redes sociais, as fronteiras ficam cada vez menores…

Rodolfo Mohr: As redes sociais têm sido determinantes. Eles são nosso meio de comunicação livre e instantâneo. Expressam no mundo virtual um mundo real pulsante pela mobilização de rua. No Brasil, a Marcha da Liberdade foi realizada em 40 cidades quase exclusivamente convocada pela internet. E tem nos ajudado muito nas lutas contra máfias estudantis, como a do DCE da PUCRS, que agrediu duas estudantes e em dois dias o vídeo teve mais de 60 mil visualizações e a mídia tradicional veiculou na TV aberta. Ajudou muito no fortalecimento do movimento.

JJ: Infelizmente, apesar dessa conjuntura, as grandes entidades do ME brasileiro estão afastadas das salas de aula e da luta estudantil. Como construir uma alternativa?

Nathalie Drumond: A União Nacional dos Estudantes (UNE) durante algumas décadas esteve junto com os estudantes do Brasil engajada nas principais lutas por direitos sociais. Desde a dura batalha contra a ditadura militar até o impeachment de Collor com os Caras Pintadas. Infelizmente, hoje a UNE está cada vez mais próxima das negociatas que transformam a política nacional num balcão de negócios e mais distante das salas de aula e da maioria dos estudantes. Mostra disso é o seu apoio velado ao Novo Código (anti) Florestal.
Apesar da paralisia da UNE e de sua direção majoritária, os estudantes têm dado mostras de que vivemos novos tempos. A exemplo dos indignados da Europa, aqui no Brasil pouco a pouco estamos tomando as ruas.

JJ: E qual é o lugar da Marcha da Liberdade, da luta das mulheres e da luta LGBT junto ao movimento geral de jovens?

Sara Azevedo: No momento em que o Brasil e Mundo passam por profundas mudanças, onde a juventude vem se postulando como sendo a principal protagonista desta nova fase da história, bandeiras como o preconceito aparecem como sendo a luta daqueles que precisam de liberdade. Liberdade de expressar-se ou simplesmente, liberdade de serem o que são. E estes, os jovens, são os que mais sofrem com a opressão causada por esta sociedade conservadora que julga o que devemos ser e o como devemos ser. A Marcha da liberdade se torna o grande espaço dos “indignados” brasileiros que se vêem no momento de tentar transformar essa sociedade.

JJ: Como os estudantes podem unir-se a luta dos trabalhadores? Qual o exemplo da recente mobilização dos bombeiros?

Leandro Fontes: Para conquistarmos vitórias, se faz necessário a unidade de ação entre a juventude combativa e a classe trabalhadora em luta. As recentes revoluções democráticas no mundo árabe e as extraordinárias mobilizações de massa na Europa nos mostraram o caminho. No Rio de Janeiro no foi diferente, a greve dos bombeiros acendeu uma chama que se alastrou para diversos setores e categorias do funcionalismo público, em particular os profissionais da educação, que seguem em greve contra o governo Cabral. A juventude fez sua parte, se somando a onda vermelha.

Na UERJ/FFP, foi realizada uma grande mobilização pela liberdade e anistia dos 439 bombeiros presos. Em seguida, uma paralisação estudantil em solidariedade as reivindicações dos bombeiros e dos profissionais da educação. Todo esse processo nos deixa uma certeza, a força da mobilização, que ganhou adesão de massas, foi responsável pela liberdade dos 439 bombeiros e pelo avanço de consciência em parcelas significativas da população. Dando provas que a mobilização traz vitorias!

JJ: As lutas ambientais com Belo Monte e contra o novo Código Florestal também são fundamentais para a juventude brasileira. Como podemos mobilizar o Juntos! em defesa do meio ambiente?

Anderson Castro e Juliana Rodrigues: A Usina Hidrelétrica de Belo Monte data da época da ditadura militar e só não foi construída até hoje devido ao foco de resistência existente na região e pela ação de várias organizações nacionais e internacionais defensoras do meio ambiente. Porém, o que se observa é que o governo Dilma e as empreiteiras não medirão esforços para construir seu empreendimento destruidores, a exemplo da licença para desmatar batizada como Novo código Florestal.

Por isso, a juventude deve organizar comitês de debate e luta contra Belo Monte nos bairros, Universidades e nas escolas, pois, em casa somos um só e Juntos somos mais fortes. Diga Não a Belo Monstro e ao código florestal motosserra.

JJ: Qual o papel do ENJUNTOS neste quadro de retomada das lutas da juventude?

Rômulo Serique: De norte a sul do país a realidade é semelhante, a maior parcela da nossa juventude não tem condições de acesso à universidade e os que conseguiram acessar também estão com poucas perspectivas de emprego, assistindo seus direitos serem negados, a natureza sendo destruída a troco de nada, e a política do governo federal que a cada dia apenas aprofunda este modelo nem nosso país. Temos que tomar o exemplo da juventude árabe, grega, espanhola, que está tomando as ruas e anunciando o novo. E o I ENJUNTOS chega num momento bem oportuno, para reunirmos a juventude universitária, secundarista e trabalhadora de todo o Brasil, em um novo movimento de juventude. Juntos! é a juventude em movimento pela educação de qualidade, em defesa do meio ambiente, contra o preconceito e por uma sociedade com igualdade e liberdade para todos. Convidamos a todos para fazerem parte do Juntos! Juventude em luta! e participarem de nosso encontro.

Os entrevistados

  • Rodolfo Mohr, estudante de Jornalismo/UFRGS, Diretor do DCE, Juntos! RS
  • Nathalie Drumond (Thalie), estudante de Geografia/USP, Diretora da UNE pela Oposição, Juntos!SP
    @ThalieDrumond.
  • Sara Azevedo, professora de Educação Física, Belo Horizonte/MG, Juntos!MG
  • Leandro Fontes, estudante de Geografia/UERJ/FFP – Centro Acadêmico de Geografia e Juntos! RJ.
  • Anderson Castro (Andinho), estudante de Psicologia/UFPA, Coordenador da Rede Emancipa, Juntos!PA
    @_andersonPSOL50
  • Juliana Rodrigues, estudante de Pedagogia UEPA/, Coordenadora Geral do DCE UEPA, Juntos!PA
    @rod_juliana
  • Rômulo Serique, estudante de Biologia/UFOPA, UES-Santarém (união municipal), Juntos!PA

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017