Unifesp em Greve!

24/abr/2012, 18h13

por Andreza Maciel Figueiredo, Arlley Parreira e Iann Longhini*

A situação na Universidade Federal de São Paulo está crítica, problemas estruturais nos campi de expansão são gritantes. Para termos uma ideia, o teto do prédio recém-inaugurado da Baixada Santista desabou, os estudantes de Osasco não possuem salas de aula e até o campus São Paulo sofre com infraestrutura, com o problema de incêndio no bandejão, entre outros.
Aqui nos Pimentas, percebemos que o descaso é ainda maior! Desde 2007 foi nos prometido um prédio que até agora não saiu do papel, milhares de livros estão ao relento por não possuírem local para ao menos serem armazenados, nosso bandejão, que já não atendia a demanda dos estudantes em 2011, agora com a entrada de mais de 500 estudantes nesse ano, fica inviável arriscar um lugar, tendo muitos alunos que comer nas partes externas com o prato na mão. Sem mencionarmos as salas de aula inexistentes, pois quando o professor chega para dar aula, já existe outra disciplina sendo ministrada na mesma. Por isso, algumas aulas são ministradas desde 2010 no CEU-Pimentas, ano em que foi inaugurado. Este que é destinado à população guarulhense, é ocupado por estudantes e salas de aula da Universidade Federal de São Paulo. Somos contra a utilização do CEU por isso: o CEU é da população!

Na Unifesp não há espaço ou equipamentos necessários para o desenvolvimento desejado de pesquisas científicas ou grupos de estudos. O laboratório de informática opera apenas com resquícios de internet, superlotando em épocas de prova e, assim, impossibilitando impressões, uma vez que geralmente apenas uma das máquinas funciona regularmente. A xérox avoluma filas gigantescas em todo início e final de semestre, fazendo com que seja impossível xerocar os textos da aula sem desperdiçar pelo menos meia-hora esperando.

Frente a tudo isso, no dia 22 de março os alunos reunidos em assembleia decidiram por paralisar as atividades acadêmicas reivindicando o fim do imbróglio burocrático para a construção do prédio, melhorias estruturais e paridade nos órgãos burocráticos da universidade. O movimento ganhou força e na assembleia seguinte mais de 80% dos estudantes decidiram pela continuidade da greve. Com quórum também recorde os professores decidiram por paralisação com tempo determinado de uma semana a partir de assembleia que será realizada para ratificar o movimento dos professores em 11/04.
O que os alunos estão fazendo, talvez, seja um movimento contrário dos professores, pois alguns colegiados se reuniram e apoiaram a saída da Unifesp do Bairro dos Pimentas, enquanto os estudantes têm isso como uma de suas bandeiras principais e realizaram um ato no dia 28/03 com o tema “derruba o muro, a Unifesp é de todo mundo” e um vídeo para que a Unifesp permaneça no bairro. Mas o movimento não se restringiu somente a Guarulhos, a luta dos estudantes da Unifesp-Guarulhos busca cada vez mais ampliar-se e pluralizar-se, como pela realização de um flash mob na Av. Paulista, no dia 03/04, pelo projeto de unificação de todas as universidades federais que vivem uma situação parecida, o que não é à toa, mais de 20 universidades federais entraram em greve nos últimos anos.

Além de tudo isso, com o Sisu, estudantes oriundos de todas as partes do Brasil chegam para estudar em São Paulo, porém, existem dificuldades para a permanência destes estudantes e de todos os outros no campus que precisam de algum tipo de auxílio-permanência. A dificuldade de acesso pela precariedade de transporte público, ou pela escassez de auxílios estudantis e constantes atrasos nos pagamentos dos beneficiados fazem com que o campus Guarulhos seja um dos maiores em evasão em toda Unifesp. Pesquisa realizada pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis revela que a maioria da família dos estudantes do campus Pimentas tem renda inferior a cinco salários, porém, não é o campus que recebe mais assistência.

Estamos na luta para que Estudantes, Professores e Funcionários estajam JUNTOS! na luta por uma educação pública, gratuita e de qualidade!

Estamos JUNTOS! por:

– Uma democratização de fato da universidade pública (hoje 80% dos alunos do ensino superior estudam em instituições privadas, o que denota o avanço constante do ensino privado, pela falta de qualidade e de vagas no ensino público);

– Por infra-estruturas e condições adequadas às universidades públicas de um país que se diz a 6ª economia do mundo, mas 84º IDH e 88º educação;
– Por uma estrutura tripartite de poder na universidade pública, por conselhos universitários que representem a totalidade da comunidade acadêmica, e não os atuais fantoches que apenas legitimam as decisões da burocracia acadêmica.

 

 

*Andreza Maciel Figueiredo, Arlley Parreira e Iann Longhini são estudantes da Unifesp-Guarulhos dos cursos de Letras, Filosofia e Ciências Sociais, respectivamente e são militantes do Juntos! Por outro Futuro

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017