Assange Livre

22/ago/2012, 15h19

* Tiago Madeira

O Wikileaks ocupa novamente as manchetes de jornais do mundo todo. Na semana passada, o governo do Equador concedeu asilo político a Julian Assange, o criminoso sem crime, que estava há quase dois meses aguardando essa decisão na embaixada equatoriana em Londres (veja aqui a declaração oficial do governo do Equador, em espanhol).

Como comentaram Michael Moore e Oliver Stone, o Equador agiu de forma apropriada e de acordo com importantes princípios de direitos humanos internacionais. De fato, nada melhor para comprovar a pertinência da sua decisão do que a ameaça do governo britânico de violar acordos diplomáticos internacionais e invadir o território soberano da embaixada do Equador no Reino Unido para prender Assange.

Assange ainda não foi acusado formalmente de nenhum crime. Só o que a Suécia fez até o momento foi emitir um mandado de prisão para interrogá-lo sobre alegações de não usar camisinha em sexo consensual, que teriam sido feitas em 2010. Em diversas ocasiões, ele se pronunciou a respeito dizendo que aceitaria ser questionado sobre essas denúncias contanto que não precisasse ir à Suécia, pedido recusado pelas autoridades suecas.

Teme-se que uma vez que Assange esteja na Suécia, ele seja entregue aos Estados Unidos, onde poderia ser acusado e condenado sob a Lei Anti-Espionagem por divulgar documentos secretos da diplomacia americana no Wikileaks. O medo é justificável pela recusa do governo sueco de se comprometer a não extraditá-lo e é acentuado pelo tratamento dado a Bradley Manning, soldado americano acusado de fornecer documentos ao Wikileaks que enfrenta julgamento secreto nos EUA e que pode ser condenado até à prisão perpétua ou à pena de morte.

Por que as autoridades suecas se recusam em interrogar Assange em Londres? E por que os governos britânico e sueco não se comprometem em não extraditar Assange para os Estados Unidos? O que estamos vendo é, como disse Idelber Avelar, diplomacia, polícias e aparatos militares do mundo ocidental mobilizados para prender um sujeito que não é acusado de nada, mas se limita a fazer o que a imprensa deveria fazer: publicar os bastidores do poder.

O verdadeiro “crime” de Julian Assange, chamado de terrorista high-tech por oficiais americanos de alto-escalão, é o de praticar jornalismo de um jeito que incomoda os poderosos: revelando crimes cometidos pelo governo dos EUA contra os direitos humanos e contra a democracia por todo o planeta.

Por isso, convidamos todos a divulgarem as iniciativas e participarem da campanha pela liberdade de Assange, que é símbolo hoje da liberdade de expressão e do direito público de saber verdades importantes sobre a política externa dos Estados Unidos. Em particular, convidamos todos a mudarem suas fotos de perfis de redes sociais por fotos de boca vendada com a frase Assange Livre!

* Tiago Madeira é estudante de Ciência da Computação na USP e militante do Juntos!