Não ao trote machista nas universidades!

06/mar/2013, 18h38

Cibele Ferreira, Carolina Ucha e Giulia Tadini*

Apresentar “carne nova” aos veteranos e ejacular em uma mulher sem que ela perceba, esses são exemplos de coisas que vem ocorrendo na USP.

Em todo ano, na USP São Carlos, ocorre o “miss bixete”, evento organizado por um grupo de estudantes que constrói o GAP- grupo de apoio à putaria. O “miss bixete”, é marcado por um “concurso de beleza” no qual tem como principal objetivo “apresentar carne nova aos veteranos”. Tanto o CAASO (Centro Academico de São Carlos) como a Frente Feminista repudiam essa organização. A administração do campus, sempre soube do ocorrido e nunca se possicionou contrária ao evento.

Neste ano, quando ocorreu no local em que acontece o miss bixete um protesto contra esse evento machista e humilhante, os organizadores e frequentadores do evento foram hostis com as manifestantes, xingando-as e jogando objetos em direção delas, e não contentes, ainda ficaram pelados, tentando mostrar sua “virilidade”. Também houve agressão às mulheres que se colocaram contra o evento, com o cúmulo de as manifestantes serem perseguidas por homens com pedaços de pau na mão. Além disso, antes do evento os organizadores distribuíram um panfleto escrito “Cinquenta golpes de cinta – a cura para o fogo no rabo dessa mulherada mal comida”, que além de ser apologia aos estupro, é uma tentativa clara de responder de maneira desprezível às feministas que são contra o miss bixete. Este evento não tem vergonha de afirmar que trata as mulheres como pedaço de carne, e a objetificação da mulher é um debate sério que não pode ser levado na brincadeira. As mulheres que participam da atividade são tratadas como um simples objeto do desejo masculino, e nada mais que isso.

Surpreender uma mulher ejaculando nela é parte do Integrapoli, uma gincana feita pelo Grêmio Politénico da USP. Com o objetivo de “integrar” calour@s e veteran@s, o integrapoli tem “desafios” machistas, que vão desde ejacular em uma mulher de surpresa, escolher melhor performance de calouras lavando carro usando camiseta branca, até a acertar alguma bixete com uma metralhadora de elásticos. Outra atividade machista que oprime e constrange mulheres. Com a justificativa de integração, alguns veteranos acabam humilhando as mulheres, ingressantes na universidade.

Para nós, ambos os casos são revoltantes. Somos contra o trote violênto e machista! É possível que haja integração entre bixos e veteranos sem que haja qualquer tipo de opressão e humilhação, sem que incentive o machismo! E a repercussão que ambos os casos tiveram na mídia e nas redes sociais, mostram que existe um amplo espaço pra debate. É hora de romper o silêncio!

Esses dois eventos colocam em debate a objetificação da mulher, a opressão que elas sofrem sem ao menos se dar conta e o constrangimento que muitas delas passam para poder se encaixar em um ambiente universitário. Esse tipo de “brincadeira” é completamente ofensiva se considerarmos que ainda a mulher é oprimida todos os dias na sociedade. Tentar ejacular em uma mulher sem ela saber não é brincadeira, e, infelizmente, esse tipo de ação é mais comum do que imaginamos.

É muito ruim que em universidades, onde acredita-se que há uma maior consciência em relação aos direitos da mulher, ainda existam pessoas que reduzam as mulheres a objetos, ou que promovam a humilhação delas. Não devemos aceitar que isso continue ocorrendo, é preciso que os organizadores desses eventos sejam responsabilizados, assim como a administração da universidade, que sempre foi conivente com esses casos de intolerância e violência. A universidade deve ser o espaço de lutarmos contra todas as violências e opressões da sociedade!

O 8 de março está chegando, e é o Dia Internacional de Luta da Mulher. Em várias cidades de todo o Brasil as mulheres sairão às ruas em busca dos seus direitos. Vamos tod@s ocupar as as ruas contra o trote violento! Basta de violência às mulheres!

* Cibele Ferreira é do Juntos e diretora do CAASO e DCE-Livre da USP. Carolina Ucha e Giulia Tadini são do Juntos e diretoras do DCE-Livre da USP