Secundarista, feminista e radical: Fabi Amorim vai representar o Juntos! na UBES

20/dez/2013, 22h00

É a cerca de 16 quilômetros de Porto Alegre, em Canoas, que mora uma das novas diretoras eleitas para os próximos 2 anos da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, a UBES. Além de organizar o Juntos por lá, Fabiana Amorim atua bastante na capital, fazendo com que o trem seja seu companheiro diário pela região metropolitana.

Gaúcha, com 15 anos, Fabi vive o cotidiano das escolas gaúchas. Nas horas vagas, lê (adora Neruda e Leminski) e escreve poemas que se perdem em folhas aleatórias do caderno. Artista da Casa de Teatro de Porto Alegre e ativista de teatro de rua, aposta na cultura e acredita que a juventude precisa da arte pra se expressar, pra ensinar e pra aprender e que a escola deve ser um espaço para isso.

Fabi é gaúcha e tem 15 anos

A partir de 2014, Fabi vai ocupar a cadeira que o Juntos! conquistou na direção da UBES no último congresso da entidade, no fim de novembro. A responsabilidade é grande: vai representar mais de 50 milhões de estudantes secundaristas brasileiros. O que a mantém tranquila é saber que defende um projeto construído por estudantes de todo o país que estão na luta sem o rabo preso com o governo,  seja nos grêmios, nos bairros, nas greves.

O papel do Juntos na UBES é de oposição à direção majoritária pois acreditamos que a entidade precisa estar na luta mais indignada ao lado dos estudantes e não negociando nossos direitos com o governo, explica a diretora eleita.

Sobre a escola brasileira, é papel da oposição lutar para barrar as reformas que estão sendo empurradas goela abaixo pelo Ministério da Educação que possuem um único objetivo: transformar o estudante da escola pública em mão-de-obra qualificada e barata. Precisamos construir uma reforma para melhor, que torne a escola interessante e que coloque os estudantes na universidade.

A pauta do transporte precisa ser destacada nessa gestão da UBES. O preço da passagem foi a gota d’água para que milhões de jovens saíssem para as ruas, avenidas e praças brasileiras. A luta pelo passe-livre estudantil é especial pois será a garantia da redução dos índices de evasão escolar e do acesso à cultura e espaços de lazer – aponta Fabi.

Coordenadora estadual da Pastoral da Juventude Estudantil, ela é agnóstica e não concorda com a revista Time que elegeu o Papa Francisco personagem do ano. Acha que o cara mais importante de 2013 foi Edward Snowden, e que ele é um exemplo de coragem que deve ser recebido pelo Brasil para intensificar a luta contra o imperialismo norte-americano.

cartaz A LUTA DAS MULHERES MUDA O MUNDO é o mote da Juntas!, setorial feminista do Juntos. E a ativista é incansável para combater o machismo. Reconhece que a opressão deve ser combatida em todos os espaços, inclusive na escola que não permite que as meninas usem a roupa que quiserem. Além disso, exige que se acelere o desenvolvimento de políticas públicas para as mulheres. Ela se indigna pois apesar dos avanços como a lei Maria da Penha, ainda estamos atrasados já que menos de 1% das cidades brasileiras possuem delegacia da mulher.

 Sobre o tão falado ano de 2014, ela tem poucas certezas: “Provavelmente vai ter Copa, provavelmente vai ter eleição, só o que tá confirmado é que vai ter luta”.

Por falar em Copa… Em tempos de tapetões cada vez mais descarados no futebol e de respostas como as dadas pelo

Bom Senso FC,  Fabi leva fé no Internacional. Nasceu no ano do Grenal dos 5×2, onde brilhou o craque Fabiano, com a camisa 7, que deu origem a seu nome. Frequentadora de estádios de futebol desde pequena, ela critica o futebol moderno entregue as grandes empresas que está apagando o povo dos estádios.

 “Olha o perfil de quem

constrói os estádios e

o de quem vai assistir aos jogos…”

Como diretora da UBES, Fabi Amorim terá dois anos cheios. Está assumindo a tarefa de fortalecer as lutas dos estudantes para varrer a burocracia da UBES e das uniões estaduais e municipais. Já em março, o Juntos convoca a todos para colocar nas ruas e nas redes a Semana Edson Luis relembrando os lutadores torturados e assassinados pela ditadura militar no aniversário de 50 anos do golpe e combatendo a repressão aos movimentos sociais de hoje em dia.