Ônibus cariocas: Frescão para a zona sul, baratas para o subúrbio

17/jan/2014, 17h30

*Lucas Santaana

Uma reportagem veiculada no Jornal Online do O Dia, revelou uma realidade que os cariocas já sabiam a muito: Os ônibus com ar-condicionado com o valor de passagem a R$2,75 e bilhete único atendem praticamente apenas a Zona Sul do Rio.

De 70 ônibus para as zonas norte e oeste do Rio, apenas um tem ar-condicionado. Enquanto para a Zona Sul da cidade a climatização é muito mais comum e está presente em quase todas as frotas.

A desculpa da Rio Ônibus, no entanto, é que isso segue uma “lógica de mercado”, quando a passagem para a Zona Sul era mais cara, os ônibus eram climatizados e a passagem do subúrbio, que era mais barata antes da unificação do bilhete único, não cobria a climatização.

Nas jornadas de Junho de 2013, contra o aumento de 20 centavos, o argumento que o desprefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, usava para justificar o aumento era que queria climatizar todas as frotas da cidade até 2016. Mas sabemos que para isso não é necessário aumento algum.

Poucos ônibus rodando e portanto lotados, a perigosa dupla função do motorista que reduziu bastante o número de cobradores e portanto os gastos das empresas, formação de cartel (http://oglobo.globo.com/rio/tcm-questiona-licitacao-dos-onibus-do-rio-5463290), dupla jornada de motoristas e o não pagamento de horas extras que gera inúmeras greves de rodoviários no subúrbio são alguns dos motivos que provam que as empresas de ônibus prestam um serviço pífio à população. Além disso, descumprem leis trabalhistas (http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/11/13/empresas-de-onibus-no-rio-sao-alvo-de-investigacao-por-descumprir-legislacao-trabalhista.htm) e ainda querem aumentar a passagem para que a climatização não interfira em seus lucros.

Em menos de uma semana, as empresas de ônibus pagam todas as suas despesas e seus poucos e cada vez mais escassos funcionários assalariados. O restante das entradas do mês apenas lucra e concentra sua renda.Investe muito pouco além do investimento da concessão inicial e ainda querem aumentar a passagem, sem perspectiva que isso cubra o salário de seus funcionários.

Partindo para a questão da divisão da cidade, é muito clara a existência de benefícios (que deveriam ser direitos) à parte sul da cidade. Isso antes e depois da unificação das passagens. O subúrbio continua sendo iludido com a política do “pelo menos ele fez mais que o prefeito anterior” por causa de um ou dois parques construídos ou obras intermináveis. A zona sul, a que paga mais IPTU, continua vivendo numa cidade mais urbanizada, com mais infraestrutura e dignidade.

A dificuldade do acesso aos ônibus acaba refletindo em uma dificuldade de acesso à cidade.

O subúrbio anda pouco de carro, e quando anda de ônibus além de enfrentar o calor, a superlotação e a falta de respeito, agora nem para as praias da Zona sul está podendo ir em paz. (http://juntos.org.br/2013/11/tudo-e-diferente-do-reboucas-pra-ca/).

Além de caros, os ônibus da zona norte e oeste algumas vezes são cheios de baratas (salvo o trocadilho, já que Jacob Barata é o nome do “Rei dos Ônibus” do Rio de Janeiro, um dos responsáveis pelo cartel e grande amigo de Paes e Cabral), malcuidados, muitas vezes quebrados e sem condições de rodar. E não têm ar-refrigerado.

Estamos Juntos! com a população Carioca e brasileira por cidades mais acessíveis, por passe livre e contra os cortes nos direitos do trabalhador.

*Lucas Santaanna é militante do Juntos e estuda Ciências Biológicas na UFF

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